Quem é o assassino? #3

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A empresa amanheceu em luto. Todos ficaram chocado e extremamente sentidos, e claro curiosos com todo o desenrolar da história. Ninguém imaginava que Clara, uma funcionária antiga, teve um caso com Valéria, uma funcionária também antiga que havia sido demitida há 6 meses. Depois da morte de Meg, que havia sido contratada para ficar no lugar de Valéria, Clara não aguentou de saudades e foi encontrada enforcada no estoque. Há quem suspeite que ela tenha contribuído para a morte de Meg, já que Valéria desapareceu depois de sua demissão.

Durante o velório, realizado na empresa, Liam tomou a palavra.

– É realmente uma perda enorme, para a empresa, para a família e para nós, os amigos. Eu me considero um amigo, pois acompanhei todo o progresso de Clara aqui na empresa e muitas vezes, eu mesmo pedi conselhos para ela, pois sempre de forma assertiva, ela conseguia levar a suas funções a excelência, e com sua delicadeza, trazia isso também as pessoas próximas, que lhe queriam bem. – Ele então fez uma pausa, com a voz levemente mais rouca, como quem está emocionado. – Mesmo sabendo das condições de sua morte, espero e peço que Deus seja misericordioso com sua alma, para que ela tenha o descanso desejado.

Então, todos aplaudiram e Liam se recolheu junto as outras pessoas para a despedida final.

– Anne, gostaria de agradecer… – Liam se aproximou falando baixo.

– Esse não é o melhor momento. – Respondeu Anne sem fazer contato visual.

– Eu sei, mas você não teria mais daquele líquido? Acho que vou precisar de mais.

– Liam, já disse, esse não é o melhor momento. – Respondeu Anne, pausadamente, olhando nos olhos dele.

– Tudo bem, depois conversamos.

Liam se afastou de Anne e ficou próximo da mãe de Clara. Ela estava arrasada e não entendia como sua filha havia chego naquela situação, e pior, como havia se envolvido em tanta coisa sem que ninguém percebesse. Os sócios e chefes da empresa também ficaram tristes com toda situação, por isso permitiram um dia de folga e o velório no prédio. Boris, percebendo que Liam estava abalado, se aproximou lhe dando um abraço.

– Calma Liam, vai ficar tudo bem… – Disse Boris baixinho em seu ouvido.

– Eu sei… – Liam respondeu com jeito choroso. – Mas ela era minha amiga… vai ser tão difícil…

– Não se preocupe… – Boris soltou Liam, mas manteve o tom de voz baixo. – Passa lá em casa mais tarde que eu te ajudo a ficar mais calmo…

– Muito obrigado senhor… – respondeu Liam com um leve sorriso de canto.

Durante o enterro, um rapaz chegou atrasado e abraçou Leonardo, o sócio majoritário. Este mesmo rapaz abraçou Boris, mas fora isso, não fez contato com mais ninguém. Liam observou de longe, e percebeu que ninguém sabia quem era o rapaz. Decidiu então continuar observando e conversar com Boris mais tarde para ter mais informações sobre aquele cara.

A noite caiu e todos foram embora, com o peso daquele momento nas costas. Anne caminhava em uma rua escura e pensou ter ouvido um estalo como se algo tivesse sido pisado. Ela não deu muita atenção e continuou caminhando. Começou a se lembrar de Meg, e de como ela estaria apavorada naquele momento, e quando percebeu, estava rindo sozinha. Então, após mais alguns passos, voltou a ouvir o som. Desta vez parou, olhou as horas para disfarçar e voltou a caminhar calmamente. Não foram mais que dez passos para que Anne se virasse subitamente. Liam, atrás dela, com uma barra de ferro na mão, tentou disfarçar, mas era notável a sua expressão de fracasso em uma emboscada.

– Eu só vou perguntar uma vez. – Disse Anne séria. – Para quê?

Liam gaguejou algo sobre ela saber demais e estar no seu caminho, mas ficou nervoso e contido. Nunca havia se sentido assim. Sempre tão cheio de si com a influência que tinha sobre as mulheres, conquistando-as com sua aparência e fala macia, agora estava amedrontado e se sentia levemente frágil.

– Você também está no meu caminho Liam. – Ela respondeu desinteressada. – Atrás de mim na verdade. Com uma barra de ferro na mão, tentando fazer alguma idiotice. Se é isso que você quer… – Ela disse abrindo a bolsa – Toma, e me deixa em paz. – Disse jogando um frasco na direção dele que pegou no ar.

– Isso é…

– O liquido que você pediu. Em um tipo de garrafa que não pega oleosidade, logo não fica com marca de digitais. Quer mais alguma coisa ou vai tentar mais alguma estupidez? – Anne agora falava com um tom de voz pesado, sem paciência.

– Bem eu… você quer sair hoje?

– Liam… Vai a merda!

Anne virou as costas e voltou a andar, com passos rápidos. Liam guardou o vidro no bolso, largou a barra de ferro no chão e correu atrás dela que mais uma vez parou subitamente se virando para ele.

– Liam, me deixa em paz.

– Anne, qual é? Você é como eu… tem um objetivo e faz de tudo por ele. Somos alma gêmeas! Eu nunca fiquei correndo atrás de ninguém, e nunca me senti assim… Por favor, um jantar pelo menos…

– Primeiro – interrompeu Anne – que psicopata de araque você é que se “apaixona” pela primeira assassina que encontra, o que eu acho pouco provável que seja isso, afinal o que você quer mesmo é me tirar do seu caminho, mas Liam, eu não sou a Clara. Segundo, meu único objetivo nesse momento é ir para casa. Terceiro, eu não vou cair nessa de jantar para você ficar testando as suas coisas em mim e não seja idiota de mentir, dizendo que não é isso, porque é isso sim. Afinal somos “iguais”, com a leve diferença que eu chamo menos atenção que você. Além disso, até onde eu bem me lembro, acredito que o Boris tenha marcado algo com você hoje à noite, mas provavelmente ele não vai se importar com o atraso, pois o Leonardo deve ter feito ele ir no jantar junto com o sobrinho dele. E não Liam, eu não quero e não vou sair com você.

– Sobrinho? Então aquele cara…

– É Liam, só você não sabia disso? Ah é, você só se finge de gay. As meninas não pararam de comentar sobre os olhos dele. Enfim, se vira com suas estratégias aí.

Anne então voltou a caminhar, enquanto Liam ficou paralisado. Olhou para trás e pensou em voltar para pegar a barra de ferro, até ouvir Anne novamente um pouco mais longe.

– E se você está pensando em pegar a barra de ferro para me acertar, vai ter que admitir que você é um merdinha sem foco e todo o seu plano até agora foi inútil, pois você permitiu que seu objetivo mudasse, como um bandido qualquer.

Liam respirou fundo. Viu Anne sumir na escuridão, deixando a brisa da noite bagunçar seus cabelos. Havia uma nova informação que ele tinha que administrar. Ela tinha razão, ele não podia perder tempo com ela. Colocou as mãos no bolso e andou na direção contrária, sumindo também na escuridão.

juhliana_lopes 05-05-2016

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Melhor sensação

1525493_637627816283631_73225980_nDesde criança notei o quanto era importante valorizar as sensações. Lembro-me de quando meu avô me abraçava forte e me contava histórias para dormir. Muitas vezes eu só conseguia acompanhar até certa parte da história, e depois só conseguia ouvir a sonoridade de sua voz antes de cair no sono completamente. A paz que eu sentia era tão boa que eu poderia dormir a noite toda ouvindo a voz dele. Ele percebia o quanto aquilo me fazia bem e sempre ficava um pouco mais, mesmo sabendo que eu estava dormindo.

Na escola comecei a apreciar o cheiro do giz de cera quando eu o usava para pintar meus desenhos. Por consequência, desenvolvi muito a minha capacidade de desenhar e colorir, indo além de bonecos de palito que a maioria das crianças da minha idade faziam.

Na fase da escola, ainda no período infantil, senti a sensação de um abraço amigo, mesmo que por vezes eu ainda ficasse sem graça quando estes vinham do nada, sem um motivo aparente. Também senti a sensação da vergonha e desconfiança pela primeira vez – ainda que eu não soubesse nomeá-las ainda – quando algumas crianças riam de mim e cochichavam umas com as outras quando eu me isolava com meus desenhos.

Na pré-adolescência descobri mais sensações. A primeira cólica, a sensação de estranheza de acordar num belo dia e enfim se tocar que tem algo diferente. Sentir na pele a falsidade daqueles que eram “amigos de verdade”. Perceber que você realmente confiou em alguém errado. Agora, além dos desenhos, eu também havia me dedicado a instrumentos musicais e o violão era o meu companheiro. Os outros ainda me tratavam mal por eu me isolar de vez em quando, porém nem sempre eu me “isolava sozinha”. Quando se cresce, você acaba descobrindo outros parecidos com você. Não estar completamente sozinha agora era um alívio.

Conheci a emoção de receber um bilhete pedindo um encontro, e a decepção de ver que era apenas mais uma brincadeira. Conheci a emoção de ter um beijo roubado de alguém que eu nunca havia reparado e ficar me perguntando o que ele havia visto em mim. Esse amor adolescente não passou de um beijo é claro, ele estava se mudando e como não tinha coragem de falar o que sentia, fez este ato de desespero antes de ir embora.

As coisas pioraram, é verdade. Descobri-me como uma pessoa bonita, mas por causa da minha timidez, as pessoas não olhavam para mim. Tudo piorou quando descobri a tristeza de ter uma família desfeita quando meus pais se separaram. Aquilo me fechou mais para o mundo e agora, além do violão e dos desenhos, encontrava conforto procurando coisas “sombrias”. Nunca quis ser “do mal”, mas ver imagens que a maioria das pessoas renegava como “coisas ruins”, me fazia sentir que eu realmente estava à margem e longe de toda aquela insanidade normal.

Quando meu avô se foi, senti a tristeza profunda, e uma raiva incontrolável, sobretudo ao descobrir que não havia sido uma morte natural como me fizeram acreditar no início. Um bandido tentou assaltar sua casa e ele teve um ataque.  Pegaram o cara uns dias depois, mas depois de uma fiança ridícula, ele foi solto.

Apesar de tudo, minha vida não foi só tristeza. Fui muito feliz também, sobretudo em realizações pessoais. O primeiro trabalho na escola, a primeira apresentação. Mesmo com a timidez, participei de teatros e apresentações de dança. Entre os meus amigos (os isolados), dei boas risadas, contamos boas histórias, e esquecíamos o mundo quando estávamos reunidos.

Comecei a apreciar as sensações como drogas, sempre procurando uma diferente que me despertasse algo novo. De fato, a melhor, foi um misto. Reunida com meus amigos, fomos abordados por um cara armado. Todos ficaram com medo, mas ao olhar nos olhos dele, o reconheci. Talvez tenha sido os filmes ou as histórias que eu já tinha lido, mas com um movimento rápido, consegui tomar a arma de sua mão. Na verdade, foi algo idiota se você for reparar. Eu simplesmente tomei a arma de sua mão como uma mãe toma um brinquedo de uma criança. Ele não esperava e sua cara de espanto foi ainda maior quando eu disparei em seu estômago antes que ele pudesse fazer qualquer coisa. Todos me olhavam alarmados e ele gritava e rolava no chão com a dor.

O cara não estava sozinho afinal de contas, e quando viu o amigo ferido, fez uma amiga minha de refém ordenando que eu largasse a arma. Ele a segurava com uma faca em seu pescoço e ela chorava como uma criança. Os outros – quatro, mais uma menina e três garotos da mesma idade – em choque não conseguiam se mexer. Um dos rapazes ainda tentou dizer algumas palavras, mas então, eu atirei na perna de minha amiga que estava refém.

Ela estava no chão sangrando e o bandido amigo me olhava com uma cara de quem não sabia o que estava acontecendo, mas de certo me achava retardada. Ele não sabia se pegava outra pessoa de refém ou não, e minha amiga chorava de dor mais do que quando estava só sendo ameaçada. Os outros amigos me olhavam horrorizados e suas pernas tremiam tanto que não conseguiam correr.

– Você é louca garota? – Enfim falou o homem com a faca.

– O que você quer afinal? Já atirei no seu amigo. Já atirei na minha amiga. E vou atirar em qualquer um que você pegar de refém pra tentar me abalar. O que você está esperando afinal?

– Por que…

– Eu não me importo, não percebeu? A única pessoa com quem eu me importava me foi tirada pelo seu amiguinho. Vou te dar uma última chance, o que você está esperando?

Ele ainda me olhava surpreso quando tomou um tiro no joelho. Confesso que era a primeira vez que eu usava uma arma, mas por algum motivo minha precisão era ótima.

Ele tentou correr, mas não foi muito longe por causa da dor. Um amigo meu enfim tirou a pistola de minha mão e jogou no chão. Ele gritava no meu rosto enquanto segurava meus braços como quem balança uma boneca.

– O que está acontecendo com você?

– Sinceramente? Nada.

– Como você tem coragem de dizer “nada”? Olha o que você fez! – respondeu a outra amiga indignada.

– Gente, sério. Não sinto nada. Apenas me defendi e defendi vocês. – Apesar destas palavras, a “defesa” não era bem uma motivação. Na verdade, o nada era a absoluta verdade. Sensações como medo, angústia, raiva, vingança, surpresa, amor e dor estavam tão bagunçadas que era como se eu não estivesse sentindo nada. Na verdade, eu realmente não me importava.

– Defendendo? Você atirou na Ana sem mais nem menos? Isso é defesa? – minha amiga gritava enquanto apontava para Ana. Um dos rapazes ainda me segurava e os outros dois tentavam ajudar Ana que já estava desmaiando pela perda de sangue. O cara que chegou com a arma já estava desacordado em uma poça de sangue, provavelmente morto ou quase, já que não havia movimentos de respiração.

– Ele queria me abalar. Mostrei que ele teria que fazer melhor. – Respondi sem pensar.

– Você está louca? Como assim fazer melhor? Tá achando que isso é uma das histórias que você fica lendo? Você machucou a nossa amiga pra ele não machuca-la e nem machucar você? Você tá ouvindo a idiotice que você tá falando?

– Para gente, nem foi tão sério assim, antes eu machucar ela do que ele. Ele não teria pena… Afinal… – Eu falava até ser interrompida por um “click”.

Quando olhamos, o cara do joelho estourado havia conseguido se arrastar até a pistola, porém, não havia mais balas. Soltei-me das mãos do meu amigo, peguei a faca que não estava tão longe e antes que ele pudesse se defender, cravei na sua barriga. Não sei se acertei algum órgão vital, mas agora ele sangrava e gritava de dor. Meu amigo tentou me segurar de novo, mas com o susto, abri um corte em seu braço. Não havia sido profundo, mas o suficiente pra rasgar sua roupa.

O medo estava nos olhos de todos que não sabiam se podiam se aproximar ou falar alguma coisa. Chegaram então mais dois homens, armados chamando pelos amigos que estavam no chão. Os meus, já estavam com as mãos para o alto.

– É ela… – gemeu o cara do joelho.

Apontaram a arma para mim então, porém o segundo homem abaixou e correu para socorrer o outro que já devia estar esfriando. Meus amigos agora tremiam dos pés a cabeça e quando a minha amiga da perna gritou de dor, o homem a chutou na costela para que se calasse. Os dois amigos que a socorriam, tentaram afastá-lo, mas logo paralisaram com a arma apontada. Com a distração, cravei a faca (com uma força que até hoje não sei como consegui) em suas costas, próximo do ombro. Ele se virou para atirar em mim, mas errou, e se distraiu com a própria dor ao tentar tirar a faca. Tomei a arma assim como havia tomado do primeiro e atirei em sua cabeça. Sujei-me com o sangue que espirrou e agora ouvia os gritos do outro cara me chamando de louca e o disparo feito contra a minha outra amiga que estava em pé de costas pra ele. Ela caiu imediatamente no chão.

Confesso que não sei quanto tempo se passou, nem as horas em que tudo ocorreu, mas estranhei principalmente o fato que ninguém passava naquela rua, nem para ver o que estava acontecendo. Talvez estivéssemos perdidos, ou as pessoas estivessem tão desinteressadas quanto eu.

Minha amiga não se mexia, mas o sangue mais uma vez tomava conta da rua. Então, dei mais um tiro nela.  O cara que estava pronto para atirar em mim não entendeu o que estava acontecendo, e então com o tempo que ganhei, disparei contra ele, o tiro acertou seu peito. Meu amigo, o que me segurou a primeira vez agora tentava me segurar novamente, mas então me virei e acertei um tiro em seu braço. Os outros tentaram correr, mas levaram tiros de raspão nas coxas. Uma vez no chão, atirei mais uma vez em suas pernas, no local onde o tiro havia acertado a primeira vez, apenas para abrir mais o ferimento.

Com todos no chão – alguns mortos – me sentei no chão, sob o sangue, e peguei o celular. Liguei para a polícia.

– Central de emergência.

– Oi, eu preciso de algumas ambulâncias.

– Qual o problema?

– Bem, eu estava com meus amigos e fomos abordados por quatro bandidos. Eles estavam armados e meus amigos estão feridos. É meio urgente, tem muito sangue aqui.

– Sim senhora, me informe o endereço para que eu possa estar enviando o carro imediatamente.

– Sim, Rua Cardeal Mourinho, na Praça das Marrecas. São pelo menos nove corpos, acredito que cinco estão mortos. Duas moças e três bandidos.

– Senhora, me desculpe a pergunta, estou lhe achando muito calma. Preciso me certificar que não é um trote. Você está sozinha, só você não foi acertada?

– Sim. Eu que disparei contra a maioria para autodefesa. Venham rápido antes que tenham que buscar mais mortos por causa da perda de sangue. Sim, fui eu que atirei. E talvez eu tenha matado alguns deles. De qualquer forma, precisamos de socorro.

O silêncio do outro lado da linha ficou evidente e um: “Ok, estamos indo para ir. Exijo que a senhora espere no local” foi tudo antes da linha cair. Não esperei. Fui embora pra casa, mesmo com a roupa suja de sangue. Fiz outro caminho pra casa e quando cheguei, minha mãe me questionou. Respondi apenas, apática, que estava suja de tinta. Ela, que não parecia se importar, voltou a seus afazeres.

Troquei de roupa e sai àquela noite. Sabia que uma hora ou outra iam me encontrar e mesmo não sentindo nada, não estava a fim de responder perguntas.

O que eu senti com tudo isso? Nada. Realmente um nada profundo e libertador. Pode parecer insano, e muitas pessoas não vão entender ou vão me classificar, porém não existe sensação melhor do que sentir nada. As coisas acontecem na sua frente e mesmo sendo absurdo, você continua não se importando. Não que eu não gostasse dos meus amigos, eu gosto deles, e muito. Nunca tive amigos tão verdadeiros como eles, porém naquele momento, não havia outra coisa a se fazer. É por estar preso a sentimentos que as pessoas sofrem e eu não queria sofrer mais. Meus sentimentos são totalmente verdadeiros por eles, e espero sinceramente que estejam bem, os que restaram vivos. Fui ao enterro das minhas amigas, depois na verdade, afinal não podia ser vista, e realmente, sinto muito por elas. E não, não vou dizer que não sabia o que estava fazendo, nem que fui possuída e muito menos que agi por impulso. Eu sei que atirei naquelas pessoas. Sei que matei pessoas, e fiz porque me deu vontade. Vontade de sentir algo novo, algo que não havia experimentado. E mais uma vez, eu digo, a melhor sensação que existe, é o Nada.

Viúva-negra

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– E ai “viúva-negra”?

– Você sabe que não tem graça não é?

– Calma cara, só to tentando ajudar. Mas e ai, como aconteceu agora?

– Não sei. Eu tava no trabalho, cheguei ela estava no meio da sala, pendurada no lustre com a corda no pescoço…

– Nossa, mas já aconteceu desta forma não é?

– Semelhante… Desta vez ela também estava com as mãos cortadas e postas sobre a mesa do centro. E também tinha um corte enorme na barriga…

– Ela estava grávida?

– Não. Não deu tempo.

– Pelo menos isso…

– To pensando seriamente em entrar num seminário.

– Ai os padres morreriam…

– Mas o que mais eu posso fazer? Esse já é o terceiro casamento, só esse ano… E ainda estamos em Julho.

– Bem, você sabe que tem uma forma de…

– Não. Você sabe que isto está fora de cogitação! E outra, eu não tenho coragem… Depois de tantas mortes… Não quero ser o próximo…

– Se fosse pra você ser o próximo, você já teria sido a muito tempo concorda…

– Verdade. Mas o fato é que eu não posso mais arriscar a vida de outras moças… As mães delas tem razão em ficar com medo só de saber dos meus antigos casamentos…

– Quantas foram com essa?

– Parei de contar quando completou 15…

– Bem meu amigo… Ainda lhe digo, a melhor forma é…

– Você não entende não é… Eu não vou me render a isso…

– Mas talvez tudo fosse melhor, já parou pra pensar nisso?

– Você faria isso se fosse você no meu lugar?

– Bem…

– Pois é…

– E como que ninguém acha?

– Não sei, mas tenho certeza que receberei a sua visita esta noite…

– Nessas visitas não dá pra prender?

– E ela deixa?

– Bem, é melhor dar seu jeito…

– Tudo isso por que eu rejeitei ela nos tempos de escola… Tudo bem, ela cresceu, ficou linda, maravilhosa… Ela bem que podia se dedicar em deixar os homens babando por ela, mas não, ela se dedica em matar todas as minhas esposas, com a condição de não matar mais ninguém se eu ficar com ela… Quem podia imaginar que aquela menina desengonçada iria virar uma louca assassina… E linda ainda por cima…

– Só posso te dizer uma coisa “viúva-negra”… Se vira…

 

/juhliana_lopes 28-/04-2013