Sonho

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Acordou atordoado. Seu coração quase pulava pra fora da boca e respirar era o ato mais doloroso que conseguia fazer. Colocou as mãos sobre a cama e sentiu os lençóis finos e delicados contornarem suas mãos. Ainda como se só o toque não bastasse, olhou em volta e viu seu quarto amplo e com decoração escolhida a dedo no lugar.

Começou a se levantar devagar, agora mais calmo e mais ciente. Um sonho. Um pesadelo. Nada mais. Lavou o rosto com a água levemente gelada de sua torneira de temperaturas, e usou uma toalha macia para secar. Descalço, caminhou pelo quarto até chegar à janela, e ao abrir, viu o sol que brilhava forte em seu rosto e os pássaros alegres, que anunciavam um novo dia. Na verdade, já não era tão cedo, mas por ali, pelo menos pras pessoas como ele, o dia ainda estava começando.

Vestiu-se com suas roupas sociais, afinal, era preciso esquecer suas lamúrias da madrugada e trabalhar. Sentou-se a mesa para tomar o seu café e comer qualquer coisa rápida como de costume. Não entendia bem porque, mesmo comendo apenas uma fatia de pão ou até mesmo só uma torrada, a cozinheira deixava a mesa cheia de guloseimas, desde bolos até mousses e frutas que pareciam que haviam sido escolhidas no mesmo dia.

Pegou sua pasta e saiu apressado, pois sabia que mesmo de carro, não escapava de correr o risco de se atrasar, ainda mais considerando o trânsito atual. Colocou suas músicas favoritas, e respirou o “puro” ar do seu sistema de ar-condicionado no carro, afinal, não se dava ao luxo de andar de janela aberta, pois além do ar carregado de fumaça, havia também o risco de roubos naquela área.

Chegou à empresa a tempo, e tratou logo de fazer o que mais gostava. Ou pelo menos fazia um esforço para fingir que gostava para se sentir melhor.  Afinal, o serviço não era ruim, mas ainda não era ali que ele queria estar. Para sua sorte, caiu nas graças do chefe, e sempre que ele chamava, deixava seu trabalho de lado para participar das reuniões que poucos tinham acesso.

Na hora do almoço, saiu com alguns amigos para o restaurante de sempre. Fazia muito tempo que não se preocupava com a conta, afinal, um dos amigos presentes era o próprio chefe e hoje não seria diferente. Antes de voltar ao trabalho, sentiu uma leve dor de cabeça, uma pontada de repente, mas não poderia ser nada demais, apenas o calor; mesmo assim, seu chefe, amigo, o deixou ficar em casa o resto do dia para ficar bem recuperado, com a promessa de que pediria a alguém que estivesse com o serviço adiantado para fazer um pouco do dele.

Foi para casa tranquilamente e ao chegar, se deitou para descansar. Teve a impressão de sonhar novamente com aquele lugar… Sujo, nojento, pior que a sarjeta. Sentiu o cheiro forte de algo podre, e um som ensurdecedor. Novamente com o coração acelerado, abriu os olhos.

Já estava escuro do lado de fora, porém sua casa estava quieta demais. Saiu do quarto, ainda abalado, e cada vez mais desconfiado. Todas as luzes de casa estavam apagadas, como se a empregada simplesmente não estivesse lá para acendê-las. Chamou-a, porém apenas o silêncio estava presente. Deu mais alguns gritos, porém nada acontecia. Andou pela casa, e depois de tropeçar em algumas coisas, conseguiu acender o lustre principal.

Horror. Alguns móveis revirados, e rastros de sangue que levavam até a escada como se alguém tivesse tomado banho com ele e subido as escadas. Mesmo sentindo as piores náuseas com a cena, seguiu para a cozinha, pois aparentemente os rastros começavam de lá. Suas pernas tremiam de medo, e não conseguia pensar direito. Sentiu o suor frio descer pelas costas, e notou que seja lá o que tinha feito aquilo, poderia pegá-lo a qualquer momento, afinal, ele não tinha nenhum segurança em casa naquele dia.

Quando chegou a cozinha, abafou um gemido mórbido com a mão e de repente, lembrou-se do nome da empregada. De nada adiantaria chama-la pelo nome agora, afinal, ela não tinha condições de responder. Pensou que talvez pudesse ser uma brincadeira, extremamente sem graça de halloween, afinal, sua empregada era jovem, e vivia comentando na cozinha com outras empregadas sobre festas que ele jamais iria devido a sua condição social. Apenas ela ficava durante a noite quando os seguranças estavam de folga.

Aproximou-se do corpo que estava pendurado pelas mãos, num objeto onde se pendurava alguns talheres, de forma que ela estava de frente para parede com as pernas flexionadas para trás, quase como se estivesse ajoelhada em um banco. Sua roupa toda manchada de sangue já produzia um cheiro horrível e a hemorragia que vinha do pescoço brilhava sob a luz do lustre da cozinha. Quando tocou em sua cabeça, teve todas suas dúvidas e certezas extintas como fumaça ao vento.

A cabeça rolou pelo corpo, quicando no chão como uma fruta madura quando cai do pé. A boca levemente aberta, completamente tomada por um tom vermelho quase preto, e os olhos semiabertos, deixando a situação ainda mais macabra.

Percebeu que agora ele estava chorando como criança, com medo do bicho papão que jurou ter visto embaixo da cama. Quando colocou suas mãos no rosto para enxugar as lágrimas, notou que elas estavam grudentas. Mais sangue. Era como se ele tivesse pegado a cabeça e brincado com ela até que suas mãos ficassem naquele estado. Como havia chegado naquele ponto? Havia apenas tocado com um dedo e não com a mão inteira, muito menos com as duas. Há quanto tempo suas mãos estavam daquele jeito e não havia percebido? Olhou mais uma vez horrorizado para o ambiente em sua volta. A cozinha estava tão bagunçada quanto o resto da casa, e praticamente todas as facas estavam cobertas de sangue. Percebeu então que não só suas mãos estavam sujas, como suas roupas também.

Saiu caminhando pela casa atordoado, a cabeça rodando e os olhos sem conseguir focar em nada. Tropeçou em outro móvel jogado e caiu sob um tapete dobrado, e a única coisa q conseguiu fazer foi virar de barriga pra cima e olhar o teto com o lustre luminoso da sala que brilhava forte, iluminando o local do terror. As lágrimas vieram, embaçando mais a sua visão, e logo o cheiro de podridão tomou conta de suas narinas novamente.

Uma rua suja, e apenas a luz da rua sob sua cabeça. Deitado num beco, próximo de uma parede pegajosa de lodo, levantou e se sentou na calçada. Olhou a rua e os carros passando, as pessoas que por ele passavam muitas vezes o chutando como se fosse um lixo.

“Um sonho…” Murmurou… A vida que tinha os sonhos que tinha, destruídos naquela noite, e toda vez que dormia, só conseguia sonhar com sua vida boa, e que a sua situação atual era um sonho ruim…

“Malditos sonhos…” disse ao se levantar e cuspir no chão. “Até que eu gostava da empregada…” disse a si mesmo ao sair caminhando mais uma vez sem rumo pela cidade, em busca de outro lugar para dormir em paz.

 

juhliana_lopes

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Céu Laranja

Era para ser um fim de tarde como todos os outros. Eu levantei cedo e fui para o trabalho como todos os dias. A mesma rotina estressante e chata que faz você se arrepender de ter saído da cama. Eu queria muito estar em outro lugar, mas as circunstâncias me levaram até ali. Não que eu não estivesse tentando sair. Todos os dias eu falava com pessoas diferentes e sempre que conseguia uma folga na semana, passava horas em filas em busca de algo melhor.

Aquele dia, era mais um dia como todos os outros. Novamente acordei sem expectativa e mais uma vez pensando em como o fim do dia ia ser tedioso. Afinal, depois de um dia inteiro desmotivado, nada me animava a sair a noite com os amigos. Não que eu fosse antissocial, mas o meu fracasso pessoal me diminuía perante eles, diante de suas carreiras brilhantes. Eles  nada diziam, é verdade, mas internamente eu me sentia assim.

O amor também não era o meu forte, pois as garotas me achavam muito deslumbrado. A verdade é que eu realmente via o mundo de forma diferente e tinha sonhos loucos. Meus projetos iam muito além das minhas condições e sempre ficavam para um futuro distante, quando eu tivesse meios para concretizá-los. Ainda sim, todas achavam que “isso não vai dar certo” ou ainda “isso não dá dinheiro”, como se todo projeto pessoal tivesse obrigatoriamente que render algum retorno. Então, sem amigos e sem namorada, ia ser mais um fim de tarde como todos os outros.

Não foi.

Ao sair do trabalho, uma chuva de verão apareceu de surpresa, me deixando encharcado e fazendo eu me arrepender de ter esquecido o guarda chuva mais uma vez. Quando eu estava correndo para um ponto de ônibus para me sentir menos molhado, a chuva parou, tão de repente como tinha começado. Um ônibus apareceu extremamente lotado que nem parou. Irritado, continuei meu caminho a pé, pois seja lá o que fosse, poderia piorar a qualquer momento.

A tarde começou a cair e um tom alaranjado tomou conta do céu, dando um lindo contraste na paisagem pesada da cidade. Ainda molhado e com os pés fazendo barulho a cada passo que eu dava, passei em frente a uma pracinha, repleta de crianças que não se importavam com os brinquedos molhados.

Lembrei de quando eu também criança, não me importava com as coisas e fazia o que tinha vontade, sem ao menos ouvir os gritos de minha mãe para que colocasse um casaco. Nesta fase a gente consegue ver as coisas com mais clareza e dar prioridade ao que realmente importa.

Fui em direção da praça, e assim como as crianças, não me importei com nada. Sentei na grama molhada sob uma árvore e encostei a cabeça no tronco. Não lembro se adormeci, mas fechei os olhos e senti a brisa fria que soprava levemente após a chuva, trazendo aquele cheiro de terra molhada.

De repente, um silêncio perturbador  tomou conta dos meus ouvidos. Será possível que já havia anoitecido e eu não havia notado? Não, ao abrir os olhos, o mesmo tom alaranjado tomava conta do ambiente e a brisa leve continuava soprando. As criança ainda brincavam agitadas e os carros ainda passavam apressados na rua logo abaixo, porém, nenhum som era audível. Notei aquela figura olhando para mim fixamente e me reclinei para mais perto afim de ouvi-la. Ela não dava entender que ia falar alguma coisa, mas apesar de estranha, senti a necessidade de me aproximar. Estava coberta com um véu preto e pontas de seda que dançavam ao sabor da brisa. Não parecia ter corpo completo, ou estava flutuando completamente, uma vez que não reparei pernas tocando o chão.

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Olhava para mim atentamente com olhos brancos, sem ao menos piscar e parecia não ter respiração. Seu rosto envolto pelo capuz não permitia ver detalhes, mas sabia que tinha uma pele tão alva quanto os olhos porém, sem boca ou nariz visíveis. Com um movimento leve, me olhou da cabeça aos pés e me perguntou num tom de voz suave que não era apenas uma, mas um conjunto de vozes mais doces que eu já tinha ouvido:

– Você está cansado?

– Um pouco, e você?

A criatura pareceu surpresa com a réplica, como se não esperasse aquela reação.

– Eu… Bem, acho que um pouco também… Não está com medo?

– Na verdade não. Você está?

– Não, há muito tempo eu não sei mais o que é isso.

O silêncio voltou. Olhei mais uma vez as crianças, que continuavam brincando sem se preocupar e ao que parecia, ninguém mais conseguia enxergar a criatura que estava a minha frente.

– Sabe… – ela começou – eu posso te ajudar se você quiser…

– Como?

– Bem, você está cansado. Eu cuido das pessoas cansadas. Eu faço com que elas nunca mais se sintam cansadas e possam desfrutar daquilo que desejaram a vida inteira… Não exatamente como elas planejaram, mas ainda sim, elas ficam livres…

– E como seria isso?

– Você não sabe quem eu sou? – seu tom de voz pareceu por um momento confuso, mas depois voltou ao tom monótono do início. – Ou sabe exatamente quem eu sou?

– Eu não sei. Ou sei. Não sei, acho que estou confuso. Se você for quem eu acho que é, eu deveria estar com medo ou me batendo por estar vendo coisas. Mas eu não sinto medo. Alias, não sinto nada. Eu estou ficando maluco ou assim é a sensação de morrer?

– Nem uma coisa, nem outra. Só não é a sua a hora. Ainda sim, quando chegar, você não vai dar trabalho.

– Se não é a minha hora, porque você está aqui?

– Por que você está cansado. Eu mesma venho pessoalmente atrás de algumas pessoas cansadas para lhes oferecer uma oportunidade. A maioria aceita ou fica tão amedrontada que não quer mais ouvir falar disso nos próximos 50 anos. Mas você, apesar de cansado, parece não querer sair disso tão cedo.

– Eu estou cansado, mas eu ainda tenho sonhos. Acha que eu posso realizá-los?

– Talvez, basta você querer.

Passamos mais um momento nos olhando, como se a eternidade passasse por nós em passos lentos, quase parando. A brisa ainda soprava e suas vestes negras dançavam suavemente. Uma bola verde limão caiu perto de mim, e notei uma criança correndo em minha direção sorrindo. Antes que eu pudesse pegar a bola, ela agarrou com as duas mãos pequeninas e voltou para perto das outras crianças, sem ao menos notar a minha presença ou a da criatura.

Ao olhar mais ao longe, vi uma criança meio solitária, que riscava o chão com um graveto. As outras crianças não notavam a sua presença assim como a criança da bola não notou a minha e por mais estranho que parecesse, a criança solitária parecia de outra época.

Olhei para criatura e seus olhos brancos, ainda fixos em mim começaram a me perturbar por parecer que enxergava meu íntimo, o que me deixou pouco a vontade.

– Você tem sonhos?

– Tive, já realizei.

– E qual era?

– Ser quem eu sou. – disse a criatura, deixando seu rosto transparecer levemente com o da criança solitária e depois retornando ao original.

Confesso que fiquei surpreso, e desviei o olhar, porém, quando voltei para encarar a criatura, não havia mais nada além de um céu laranja. O barulho voltou como uma explosão em meus ouvidos, e agora as crianças começavam a se dispersar  indo de encontro a suas mães. Aos poucos, tons escuros se mesclavam com os tons alaranjados e as primeiras estralas começavam a aparecer. Não vi mais a criança solitária, e fui para casa a pé, diferente dos outros dias.

 

juhliana_lopes 28-03-2014

Um sonho que eu tive…

Essa noite eu tive um sonho, que eu aproveitei para escrever sobre, antes de perder os detalhes…

ImagemHouve um tempo, onde o planeta Terra vivia em paz, com as pessoas vivendo normalmente como tinha que ser, e os governos cuidavam de seus problemas como tinha que ser. Porém, os seres humanos haviam evoluído e aceitado uma verdade simples: Eles não estavam sozinhos no universo. No começo foi difícil, a verdade era dura e fez com que muitas pessoas ficassem loucas, se suicidassem ou saíssem matando as outras por ai com a desculpa da loucura.

Depois que aceitaram a verdade, alguns se despuseram a conhecer os amigos de universo, e iniciaram uma expedição com cinco astronautas para visitar seu novo vizinho.

O novo planeta, era muito belo, mas muito pequeno. Parecia mais uma lua, porém habitada. O céu no planeta, era sempre rosa, e por causa da luz, trazia um tom púrpura as coisas, como se sempre estivesse anoitecendo, mas nunca ficava escuro, sempre rosa. O chão era coberto por uma densa floresta. Todo o planeta era uma densa floresta, que faria a floresta amazônica e todas as outras grandes florestas do mundo sentirem inveja. Não se sabia ao certo o tom de cor das folhas, mas todas pareciam ser escura por causa da luz púrpura.

rosa2Os habitantes pareciam viver em paz naquele planeta. Caçavam, tinham suas pequenas invenções para facilitar o dia a dia e pareciam não se preocupara com nada. Mesmo a chegada dos astronautas não gerou nenhum alvoroço ou susto. Foram todos recebidos com grande alegria e festa. Descobriu-se que seus cérebros eram mais evoluídos em relação a linguagem. Tinham sua língua própria, mas eram capazes de entender qualquer outro idioma e responder no mesmo. Os astronautas pegaram umas amostras de água, que não se sabia se era rosa ou não devido a cor do planeta, e amostras de frutas.

Ao retornarem ao planeta Terra, observou-se que tudo no novo planeta era rosa mesmo, inclusive a amostra de água e as frutas. Porém, ao retornarem, os astronautas tomaram conhecimento sobre um estudo secreto que foi feito enquanto visitavam seus novos vizinhos. Foi descoberto que os anos contados no novo planeta, que por enquanto tinha o nome carinhoso de planeta Rosa, eram contados de modo diferentes que no planeta Terra. Na Terra, 2012 já havia passado há muito tempo e toda aquela profecia maia e outras profecias que foram colocadas por cima anunciando o fim do mundo viraram piadas. Mas, no planeta Rosa, havia acabado de chegar o ano de 2012, e umas das várias profecias que apareceram sobre o fim, mas que fora fortemente ignorada, (porque citava o céu cor de rosa), se encaixava perfeitamente agora. Mais uma coisa incomodava. O planeta Rosa esteve oculto durante muito tempo e só agora ele podia ser visto e visitados pelo humanos. Isso só aconteceu, porque os dois planetas tem uma íntima ligação, e quando o fim do planeta Rosa chegasse, seria o fim do planeta Terra.

Com tanta informação, era preciso pensar, contar ou não para a humanidade? O fim parecia não tem meio termo ou forma de evitar, mas contar a população poderia trazer o caos e quem sabe um fim da humanidade antes do próprio fim do mundo. Eis que um dos astronautas lembrou da sabedoria do povo cor de rosa, e que talvez eles soubesse como ajudar. Então, em segredo, foi mandada uma nave com um astronauta para convidar um cidadão do novo planeta para conversar.

Ao chegar aqui, se viu maravilhado com as cores, com os prédios e com tudo que havia em nosso planeta. Logo levaram-no para a sala do conselho e explicaram-no toda a situação. Ele disse que realmente era verdade, e eles sabiam disso desde a formação de seu planeta. O tom de tranquilidade em sua voz chegava a irritar as pessoas preocupadas com esse fim do mundo tão “calmo”. Percebendo a preocupação no ar, o habitante rosa, que não era rosa, era cinza, disse que havia uma solução. O fim do mundo em seu planeta seria causado por uma besta que abriria o chão e engoliria alguns habitantes para se alimentar. Se isso acontecesse, ela destruiria o planeta inteiro atrás de mais comida, mas se não encontrasse nada, iria embora para outro planeta mais distante atrás de comida. Apenas o sangue dos habitantes seria capaz de atiçar e saciar a sua fome, visto que o sangue deles são a única coisa que não é rosa além de sua própria pele (o sangue deles também era cinza). Eles tinham um plano e estavam esperando o momento do ataque da besta para colocar o plano em prática. “E a Terra?” Ele explicou que se a besta acabasse com o planeta Rosa, pela proximidade, era pularia automaticamente para a direita e cairia sobre a Terra, se alimentando dos seres humanos,mas se não encontrasse nada, pularia para a esquerda, indo muito além da compreensão atras de comida em outro lugar.

Era apenas uma questão de sorte e esperar para ver como aconteceria. Apesar dos vários apelos contra, a notícia foi levada a público. “Que aconteça o caos, pelo menos se acabar as pessoas terão aproveitado um pouco de suas vidas”. Foram instalados grandes telões nas principais metrópoles e nas pequenas cidades. Todos queriam acompanhar o “fim do mundo”. Pela tela era possível ver as maravilhas do planeta Rosa, e todo seu explendor, e também a movimentação serena dos habitantes, preparando seu plano infalível. De repente, ao longe o céu cor de rosa ganhou um tom vermelho de terror e algo parecia estar arrancando as árvores uma a uma. Curiosamente, a ligação entre os dois planetas e os eventos estavam trazendo uma interferência para o planeta Terra. Estranhamente, os celulares travaram. Não faziam ligações, não tinham sinal e nem reconhecer o carregador de bateria eles queriam. No planeta Rosa, o “mau” se aproximava e os habitantes agora estavam prontos para fazer seja lá o que fosse que eles tinham em mente. De repente, começaram a voar. Estranhamente e sem explicação, começaram a voar. Um paraquedas feito com tecidos velhos e sujos, porém um paraquedas que voava para cima, invés de descer ao sabor do vento. Logo o céu estava tomado de paraquedas voadores, e todos tinham um controle sobre onde queriam ir e onde queria parar. Pararam todos perto das nuvens, apenas observando a besta de aproximar.

Após algumas árvores arrancadas, e o forte cheiro podre que subia as narinas, a fera olhou em volta e viu que não havia nada. Olhou pra cima. O momento de tensão era grande, pessoas na Terra rezavam, gritavam, choravam. Outras entravam em surto e se jogavam, outras também entravam e surto e jogavam outras pessoas, e outras apenas observavam, caladas. Ouviu-se um grande rugido e logo um silêncio atormentador…

E foi ai que me acordaram então, nunca vou saber o final realmente, mas eis o que eu imagino que tenha acontecido:

Todos olhavam para cima nervosos, e então, todos puderam ver a fera (em imagens de alta definição), saindo do solo e flutuando pelo céu púrpura. Mesmo chegando muito perto dos habitantes voadores, ela não ligou e continuou seu caminho. Ao atingir uma altura consideravelmente grande, atingiu uma supervelocidade e sumiu em direção a esquerda.

Os habitantes começaram a descer de volta para a sua terra e na Terra, todos comemoravam. Era como se uma guerra onde eles nem se dignaram a lutar tivesse acabado. Pessoas correndo nuas na rua, pessoas se abraçando, pessoas rezando novamente, pessoas entrando em surto e se jogando em fontes para sentir a água em suas costas, pessoas entrando em surto e jogando pessoas das janelas ou na frente dos carros. As mais diversas reações, mas a certeza de que o fim, demoraria pelo menos mais uns 2012 anos para chegar novamente. E o planeta Rosa? Continuou vivendo em paz, mas teve que se ocultar novamente quando expedições estavam sendo planejadas para extrair e explorar seus recursos naturais e nativos começaram a ficar doentes. Com o planeta Rosa oculto, a Terra continuou levando sua vida normalmente, com um conflito entre países, só as vezes para quebrar a rotina, descobertas da ciência através das amostras de água rosa, e a certeza de que nunca estiveram sozinhos.

/juhliana_lopes 04-01-13