Desejo

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A brisa leve bagunça meus cabelos enquanto te espero.

Meus pensamentos voam lembrando de nossos momentos.

Seus olhos me intimando, que observam tudo,

Que me deixam sem graça sem dizer qualquer palavra.

Seus braços que me tomam para si, de forma tão acolhedora,

Seu toque suave que me faz arrepiar,

Suas mãos quentes que fazem minha pele ferver.

Enquanto te espero, consigo sentir o gosto do seu beijo,

E sou capaz de ouvir suas palavras sussurradas em meu ouvido.

Quando estou com você, me sinto tão bem,

É como se o tempo não precisasse passar.

Cada momento ruim parece sem importância,

E cada segundo parece muito, longe de você.

Me sinto nas nuvens ao seu lado,

Uma liberdade que há muito eu não podia sentir.

Eu poderia pedir para me conter, para me controlar,

Mas ao seu lado, eu não penso em limites.

Algo em você faz eu me sentir leve,

Pronta para arriscar, pronta para seguir.

Algo em você me faz querer coisas que eu nunca pensei.

O cheiro do seu perfume, a forma como você sorri,

Tudo faz sentido em você.

A brisa leve bagunça meus cabelos enquanto eu te espero,

E seu olhar perturba a minha mente,

Pois é você que eu desejo,

É só você que eu quero.

juhliana_lopes 27-02-2017

Tentação

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Rick estava entediado. Fazia muito tempo que não aprontava nada e hoje, estava sentado num bar decidido a fazer algum que fizesse sua noite valer a pena. Olhou ao redor, havia muita gente. De repente se formasse uma briga, em poucos segundos o bar todo viria abaixo. Há muitas garrafas, sempre quebram garrafas e “sem querer” alguém poderia pegar uma delas e passar no pescoço de alguém. Ele então se deu conta de que estava fazendo uma cara de doido, com isso, soltou um riso baixo , tomou um gole de sua cerveja e ficou olhando a rua no lado de fora.

Havia algumas casas noturnas na mesma rua, então ela estava cheia de gente indo de um lado para o outro falando alto e bebendo, se preparando para virar a noite. Rick estava cheio dessas pessoas. Vazias, superficiais e completamente descartáveis era o que ele pensava, mas era óbvio que ele também era uma delas, afinal, se fosse o contrário ele não estaria em um bar e sim com a sua família que logicamente, não existe.

Rick se sentia um pouco inferior a outros homens, afinal ele mesmo nunca teve sorte com mulheres. Na verdade ele poderia ser considerado um pegador, pois nunca lhe faltava uma companhia para passar a noite, porém, pela manhã elas sempre iam embora. Rick era bom com mulheres, mas não com namoradas. Ele sentia uma ponta de inveja daqueles caras que iam pra casa numa sexta a noite animados, porque tinham uma mulher lhes esperando, e na manhã seguinte elas lhe preparariam um belo café da manhã. Rick sentia falta de uma companhia para a vida toda, mas como sempre foi um homem muito prático, quando se sentia assim, ele simplesmente saia de casa e ia beber. Dependendo da quantidade, isso lhe rendia pelo menos uma semana sem pensamentos desse tipo e claro, uma bela ressaca seguida de lembranças das confusões que arrumou.

Acabou se perdendo em pensamentos novamente. Com a quantidade de pessoas passando pela rua, seria muito fácil para ele roubar uma garrafa de alguma mesa, sair correndo e quebrá– la na primeira pessoa que encontrasse pela frente. Seria simples e no mínimo engraçado, para ele. Mais risos soltos e mais goles, até secar a caneca.

Rick era um cara pacífico. Extremamente alguns diriam. Resiliente, sempre pensando em atitudes melhores, em formas de resolver as questões sem conflito. Paciência era um de seus dons, e claro, ele nunca se estressava. Porém, era cheio de pensamentos insanos e era só beber que ele dava espaço para que eles se libertassem, ainda assim, durante as ressacas nunca se lembrava de nada grave a não ser alguma confusão isolada, sem vítimas que acabavam com ele chorando no chão pedindo perdão.

Ele queria mais do que isso. Já passava da casa dos 30 e sentia que não tinha feito de significativo. Queria mais e sabia que podia, ele só precisava do primeiro passo. E ele deu, porém foi um passo para fora do bar. Enquanto caminhava durante a noite, desviando de pessoas bêbadas e apressadas, acendeu seu cigarro. Não gostava de fumar, mas o fazia depois de adquirir um leve vício, motivado pelos fumantes do trabalho. Eles podiam sair sem pausas programadas para fumarem do lado de fora, e mesmo que fosse por cinco minutos, parecia muito interessante sair assim a hora que queria. Logo ele também era um fumante, porém ficava apenas com o cigarro na mão conversando com os outros. Devido os olhares dos monitores, ele teve que aprender a fumar para continuar com suas saídas. Só fumava no trabalho, ou quando se sentia entediado, exatamente como naquela noite.

Andou pelo menos uns três quarteirões, até que conseguisse andar pela calçada sem desviar de ninguém. Andou mais até ficar completamente sozinho. Caminhando devagar, ouvindo o movimento da vida noturna sumir pouco a pouco atrás dele, foi surpreendido por um barulho vindo em sua direção. Com a cabeça baixa, viu sapatos de salto alto pretos, e conforme foi levantando o olhar, observou pelas pernas. Era uma moça linda, com um vestido preto. Ela tinha a pele branca que se destacava com as luzes da noite, e tinha o cabelo comprido, jogado de lado, que ocultava parte do seu rosto. Não olhou para ele, parecia muito concentrada olhando o celular enquanto caminhava depressa. Ela seguiu caminhando, indo em direção as casas noturnas e ele a teria ignorando sem problemas, como muitas que passaram por ele naquela noite, mas esta estava usando um perfume extremamente inebriante.

Ele simplesmente a seguiu. Se ia fazer alguma coisa hoje, seria levar aquela mulher para sua casa, nem que para isso ele precisasse brigar com alguém – no fundo, ele não sabia dizer se estava mais interessado na moça ou na possibilidade de uma briga.

Ela andava rápido e sem qualquer problema pra quem estava com a cara no celular. Desviava com destreza e ele trombava com um e outro para não perdê-la de vista. Até que ela subitamente virou e ele trombou com mais um rapaz para acompanhá-la. Era uma boate grande, e as luzes que piscavam sem parar, fariam terror a um epilético. Ele por sua vez, desviando de um e de outro, conseguiu chegar até a bela moça, que continuava com a cara no celular. Ela estava encostada num balcão, esperando um barman fazer a sua bebida. Ofegante, Rick se aproximou, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, ela disse sem tirar os olhos do celular:

– Que pique pra quem não está interessado.

Rick ficou confuso por um momento, e só conseguiu pedir pra ela repetir.

– Eu vi você lá atrás. Correu muito pra quem não vai conseguir nada. – Ela disse em um tom frio.

Recuperando o fôlego, Rick entendeu que ela já estava lhe dando um fora, porém, ao mesmo tempo continuava confuso: Como ela o viu se nem ao menos olhou pro lado? De qualquer forma, não iria sair por baixo, aquele perfume era bom demais para ele ignorar.

– Você podia ao menos esperar eu fazer a proposta para me dar um fora. – Ele respondeu com um sorriso no rosto.

– Então faça. – Ela disse em um tom sério, pela primeira vez levantando o rosto. Ela era mais linda do que ele imaginava. Atordoado com aquela beleza, ele só conseguiu dizer:

– Eu queria te convidar pra ir pra minha casa e não sair de lá nunca mais.

Ela fez um leve olhar de espanto, mas sorriu. Um ponto pra ele.

– Isso é algum tipo de sequestro? – Ela disse em um tom mais leve levantando uma sobrancelha.

– Eu… – Ele pensou um pouco só então percebendo o que tinha dito. – Espera, eu não quis dizer dessa forma… Caramba… – Ele tentou organizar seus pensamentos, um pouco sem graça. – Quero te convidar pra ir em minha casa, porque eu quero ter você pra mim, mas não só hoje, todos os dias, pra sempre. – Disse um pouco mais confiante.

Ela riu. Ele ainda estava um pouco confuso sobre isso ser bom ou ruim, mas pelo menos ela havia parado de olhar no celular.

– É pior do que eu pensei. Você está me pedindo em casamento? – Ela disse, rindo.

Ele relaxou e riu também e então arriscou pegar na mão da moça, que era um pouco fria.

– Se você entender desta forma, eu vou ficar imensamente feliz. Você é muito linda!

Ela abaixou levemente a cabeça com certa graça medieval e disse:

– Obrigada, mas acho que preciso saber das suas qualidades antes. – Ela respondeu fazendo cara de séria, porém abriu um sorriso logo em seguida.

Rick, um pouco mais confiante falou de seu trabalho e seus passatempos, além de claro, ocultar seus pensamentos insanos que naquele momento, não faziam mais sentindo algum. Como se lesse seus pensamentos, ela disse:

– Parece bom, mas acho que não posso ir com você. Nada me garante que você não seja um maníaco psicopata querendo me usar nos seus planos malignos.

Apesar da risada dela que veio em seguida, a frase lhe deu um pouco de impacto. Ele disfarçou, mas resolveu reverter o papo

– Bem, você pode ir ao meu trabalho e todo mundo vai confirmar que eu não sou um doido. – Ele riu. – Mas e você, quem me garante que você não é uma louca, querendo roubar meus órgãos, disfarçando para que eu fique interessado? – Ele disse com um tom de deboche.

Ela então se aproximou dele, com o rosto bem perto e as bocas quase se tocando. Então ela disse bem suavemente:

– Eu garanto que não sou…

Depois, ela voltou ao seu lugar e o ficou olhando fixamente. Era um olhar sedutor, penetrante, sem pudor. Rick se viu novamente enfeitiçado, por aqueles olhos, aquele perfume e aquela boca… Ah, aquela boca, tão perto da sua. Ela ainda o estava olhando quando ele pegou em sua mão e a guiou para fora. Ela não relutou, não perguntou, nem fez piada. Apenas o seguiu.

Eles seguiram em silêncio, andando e se afastando da movimentação, até que ela o puxa para um beco. Ele, surpreso tentou questionar, porém foi calado por um beijo. Um beijo intenso, daqueles que começam devagar e vão tomando conta, tirando o juízo de qualquer um. Ele nunca havia sido beijado assim.

As mãos começaram a dançar, ainda sem interromper o beijo, que já estava acompanhado de respirações profundas. Ele explorava o corpo da bela dama, que mesmo com o vestido, demonstrava as curvas que ele queria se perder durante a noite toda. As mãos delas pareciam nervosas. Arranhavam seu peito, entravam pela camisa até chegar as suas costas, ele sentia suas unhas lhe rasgando pouco a pouco e mesmo com a leve dor, ele sentia um prazer indescritível.

Os amassos dos dois naquele beco escuros estavam ficando cada vez mais intensos e ele já se preparava para tirar a camisa. Ela se afastou um pouco, e enquanto Rick arrancava sua roupa, sentiu uma fisgada na costela. Diferente das unhas, essa entrou profunda e ele só pode sentir o frio da lâmina se aquecer com seu sangue quente. Olhando para ela sem entender o que estava acontecendo, gemeu abafado quando a faca saiu lhe deixando apenas um buraco.

A moça bonita, mais linda ainda a meia luz do beco, colocou a mão em seu ombro e começou a morder e lamber sua orelha. Por um momento ele se esqueceu da dor e começou a se entregar para ela novamente que passava a mão que antes estava no ombro, por todo o seu corpo com volúpia. Então, quando Rick sentiu ela mordendo seu lábio suavemente, sentiu uma nova fisgada, no seu estômago. Além da dor, desta vez ele começou a sentir que seus sentidos também estavam se perdendo, pouco a pouco conforme o sangue escorria. Desta vez, ele reagiu dizendo:

– Você é louca? – Ele tossiu e cuspiu sangue. – O que pensa que está fazendo?

– Eu? Nada demais, estou fazendo o meu trabalho. – Ela respondeu calmamente, enquanto limpava a faca com um lenço.

– Você não disse que não era uma maníaca? Que garantia que não era louca? – Rick gritou enquanto continuava a cuspir sangue e perdia a força nas pernas, sentando pouco a pouco no chão se apoiando na parede.

– Mas eu não sou uma maníaca. – Ela respondeu surpresa.

– Então o que é isso? – Rick gritou nervoso, cuspindo sangue.

– Isso, não é nada. – Ela disse se aproximando e se abaixando para olhar em seus olhos. – Eu não sou uma maníaca Rick… – Ela passou a mão em seus cabelos – Eu sou a morte. A sua morte Rick. Eu só vim fazer o meu trabalho. – Sua voz era pesada e seu tom era frio.

Rick não conseguiu dizer mais nada. Apenas a olhou apavorado e suspirou profundamente pela última vez, buscando o ar que de repente ele tinha perdido.

juhliana_lopes 04-02-2017

Jantar

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Brian era mesmo um cara diferente. Nos conhecemos por acaso na cadeia, em um dia que eu fui levar a comida para os prisioneiros. Não era a minha função, mas até os funcionários base precisam de folga de vez em quando. Ele estava lá, isolado dentro da cela. Os outros três presos que estavam com ele não se atreviam a chegar perto. Entreguei a marmita a eles e depois chamei Brian para pegar o dele. Os outros me disseram que não adiantava chamar, pois ele sempre ficava ali deitado, e não obedecia a ordens, por mais simples que fossem. Incrivelmente ele veio, pegou a marmita de minhas mãos e ficou me olhando com aqueles grandes olhos azuis. Fiquei um pouco incomodada, mas tentei não demonstrar, afinal, tudo o que um bandido quer é intimidar uma autoridade. Ele voltou para seu canto com a comida, e eu segui o meu caminho.

Depois, voltando para a sala dos guardas, fiquei sabendo que deveria ter seguido o conselho dos outros presos e deixado a comida no chão para ele pegar e que foi um milagre ele não ter feito nada. Até então, não sabia porque Brian havia sido preso. Além de torturas, comprovadas que levaram a sua detenção, ele também foi acusado de homicídio e canibalismo com o corpo de uma vítima, porém para esta acusação não havia provas. Ainda assim, a conversa ganhou força depois dele tentar matar um “colega” de cela que o agrediu. Os outros presos contaram e as imagens das câmeras confirmaram que durante o banho de sol, Brian deu uma chave de braço no preso que o agrediu que era ligeiramente maior que ele, o derrubou no chão e mordeu o seu rosto, tão forte que foi capaz de arrancar uma parte da pele e da carne. Ele mastigou o pedaço que arrancou e antes que pudesse mordê-lo de novo, agora no pescoço, foi acertado com cassetete no pescoço por um policial. Ambos foram levados para o hospital. O “colega” aterrorizado foi para outra cela com uma cicatriz horrível no rosto e Brian voltou para sua cela normal, para a infelicidade dos outros presos.

Alguns dias depois, fui levar comida novamente e antes que eu pedisse, ele mesmo se aproximou da grade. Novamente lhe dei a comida e ele com seus grandes olhos, como se enxergasse a minha alma, tocou a minha mão ao pegar a comida, acariciando-a. Fingi novamente que aquilo não havia me afetado e continuei meu trabalho. Aquela atitude estava me incomodando, porém, talvez ele só estivesse me cantando de forma barata, achando que conseguiria alguma coisa. Tentei evitar fazer as entregas, porém me chamaram novamente na semana seguinte. Quando me aproximei, ele veio com um sorriso no rosto. Desta vez, puxou assunto, perguntando meu nome. Então eu lhe disse que isso não lhe interessava e que ele deveria pegar a comida logo.

– Mas é claro que me interessa! – Ele disse animado. – Preciso saber o nome da dama que eu vou convidar para jantar quando sair daqui.

– Não perca tempo fazendo convites para alguém que não vai a lugar nenhum com você. – Eu respondi, da forma mais seca possível.

– Claro, claro. – Ele disse pegando a marmita de minhas mãos e acariciando-as novamente. – Será as 7h da noite em minha própria casa, ficarei ansioso para ter a sua presença. – Ele disse olhando em meus olhos, sorrindo.

Não respondi. Recolhi minhas mãos rapidamente e continuei meu caminho.

No fim daquele mês, o advogado dele foi muitas vezes a delegacia com vários documentos. Àquela altura eu já tinha ouvido histórias demais para entender que ele era um louco psicopata, que todos deveriam manter distância. Ainda assim, ele conseguiu uma liminar para responder pelo seu crime em liberdade, e quando fiquei sabendo que seria o seu dia de saída, fiz questão de fazer uma patrulha pelo bairro, só para não ter que encaras suas piadas e seus convites inconvenientes.

Voltei à noite para a delegacia, onde peguei minhas coisas para ir para casa. Quando sai, um taxi apareceu e eu entrei, dizendo para qual endereço devia ir. Fiquei perdida em pensamentos, sobre onde Brian estaria e o que faria agora em liberdade. Se aquela história de que ele bebia sangue e comia carne humana era realmente verdade e se as investidas dele para mim tinham alguma intenção, ainda mais relacionada a essa bizarrice. Só percebi que o taxista havia ido por outro caminho totalmente diferente quando chegamos a um bairro mais rico, cheio de condomínios e casas enormes.

– Eu não mandei ir por aqui. – Falei séria. Eu já não estava fardada, mas uma policial nunca perde a sua pose.

Ele me ignorou e continuou seu caminho. Usava óculos escuros e um terno. Um leve terror me tomou o corpo, me arrepiando a espinha. Olhei para as portas, na esperança de pular para fora do carro na primeira oportunidade. Assim como nossas viaturas, não havia trincos por dentro. Reclamei novamente, e novamente fui ignorada.

A essa hora eu já procurava minha arma em minha bolsa, disfarçadamente, me preparando para quando o carro parasse. Enfim parou, em uma casa enorme. O motorista saiu e abriu a porta para mim. Desci do carro cautelosa, ainda sem entender direito o que estava acontecendo, porém em minha mente só me vinha o nome de um autor possível para aquela palhaçada.

– Brian! – Eu disse surpresa ao vê-lo vindo em minha direção.

– Olá minha bela! Fico feliz que tenha aceitado o convite. Está na hora certa, 7h. – Ele disse, segurando minha mão.

Olhei para o relógio, realmente eram 7h. Ele me puxou pela mão, mas eu não andei, então ele se aproximou para me puxar novamente.

– Ora, vamos minha linda. Não há problema nenhum. É só um jantar inocente. – Ele dizia com uma voz suave no rosto.

Resolvi o seguir. Enquanto isso procurava em minha bolsa o celular para ligar para a polícia e avisar do meu sequestro, mas ele não estava lá. Ao me ver mexendo em minha bolsa, ele me perguntou se havia algo errado. Quando olhei para seu rosto, havia um sorriso sarcástico.

– Cadê o meu celular?

– Ora minha linda, você não vai precisar dele, afinal é uma falta de educação extrema mexer no celular durante o jantar. Agora deixe sua bolsa aqui. – Ele disse enquanto pegava minha bolsa. Ele a pendurou em um gancho perto da porta. – E venha por aqui. – Ele terminou, colocando a mão em minha cintura.

– Me largue! – Eu disse me esquivando dele. – Eu não aceitei o seu convite em momento algum. Eu vou embora imediatamente e você não pode me prender aqui. – Falei furiosa, seguindo em direção da porta. Ele não fez nada, a não ser ficar parado. Quando cheguei a porta, ela estava trancada. – Abre isso! – Eu gritei.

– Não dá amor. – Ele disse gentilmente. – Está trancada por fora, para que ninguém atrapalhe nosso jantar. Agora vamos logo, afinal, já que você está se sentindo tão indisposta assim, quanto mais rápido comermos, mais rápido você pode ir embora. – Ele abriu um sorriso, segurando minha mão e levando-me para a sala de jantar.

A casa era enorme. Uma verdadeira mansão. Talvez aquilo explicasse porque ele conseguiu responder um crime de tortura em liberdade. Era claro que ele queria jogar e tinha todas as regras ao seu favor.

Sentei a mesa, enorme, na lateral e ele sentou ao meu lado, na ponta da mesa. Então ele balançou um sininho que tinha ao seu lado e logo entraram algumas pessoas com bandejas. Serviram também um vinho. No prato, haviam alguns pedaços de carne, com um pouco de purê e umas folhas verdes. Algo bem gourmet. Ele, assim que foi servido, começou a comer, se deliciando de cada pedaço. Eu só conseguia lembrar dos comentários sobre canibalismo e sentir nojo daquela situação. Então, ele ao perceber que não havia tocado na comida, me perguntou com uma voz gentil se estava tudo bem.

– O que é isso? – Eu disse apontando para o prato.

– Ah, isso é Carre d´agnello con fegato grasso e salsa alla menta.

– O quê? – Eu perguntei.

– Ah sim, é fígado de ganso, no estilo fois gras, com ossos e caldo de carneiro, e com purê, folhas de hortelã e aspargo. Uma delícia, pode comer.

– Isso está com uma cara estranha…. Você não come carne humana? – Perguntei sem pensar.

Ele se engasgou. Tomou o vinho, respirou fundo e me olhou um pouco assustado.

– E porque eu comeria carne humana? Quem faz uma atrocidade dessas?

– Eu…. Seu episódio na cadeia. E antes disso houve a acusação de canibalismo….

– Essa acusação não passa de uma mentira deslavada. Sobre o episódio, eu só tive um leve surto psicológico que foi devidamente tratado. Eu passei muito mal naquele dia depois de ingerir aquilo. Mas…. Você achou mesmo que eu era um monstro desse tipo? Que ia te trazer aqui para fazer você comer carne humana?

Ele parecia profundamente ofendido. Como se só me trazer para um jantar contra a minha vontade não fosse motivo suficiente para eu lhe achar um monstro, eu ainda estava acrescentando a carga de canibalismo ao seu currículo. De qualquer forma, eu ainda não estava confiante nas palavras dele. Cheirei o vinho. Era vinho mesmo, então tomei um gole.

Ele percebendo que eu estava levemente mais relaxada, continuou comendo. Eu queria ir embora, estava me sentindo mal ao lado dele. Era loucura demais para um dia só e eu não podia simplesmente aceitar aquilo de bom grado, só para que ele me soltasse, afinal eu era uma policial.

Me levantei subitamente, e corri para onde minha bolsa estava na entrada. Ele veio atrás de mim, andando depressa. Quando ele se aproximou, apontei a arma para ele que levantou as mãos.

– Calma minha linda, não há a menor necessidade disso. – Ele dizia ainda com a voz gentil.

– Eu quero ir embora. AGORA! – Eu gritei. Aos poucos eu perdia a calma e a paciência também. Então um dos mordomos dele se aproximo com uma badeja tampada. Quando abriu a bandeja, haviam várias balas de revólver.

– Você…

– Minha linda, eu não podia arriscar…. – Ele disse, abaixando as mãos. – Eu fiquei tempo demais na cadeia para que meus empregados pudessem olhar tudo e saber tudo. Antes de você chegar, pedi para esvaziarem seu revólver, assim não teríamos problema quando você chegasse aqui. Vamos voltar para a mesa, sim?

– Você esvaziou meu revólver na delegacia? – Perguntei cautelosa.

Ele confirmou com a cabeça que sim, se aproximando. Então, em um minuto de coragem insana, mirei em sua cabeça e atirei. Ele caiu no chão sangrando com parte do rosto desfigurado. O plano dele estava muito bem montado, se não fosse pelo fato de eu ter dois revólveres e colocar na bolsa sempre o que eu andei com ele durante o dia e não o que está no armário. Os mordomos e outros empregados correram para se esconder em outros cômodos, porém a porta principal ainda continuava trancada. Quando mirei com a arma no trinco para abri-la, ouvi uma risada insana, que me gelou o corpo novamente. Quando me virei o horror tomou conta de mim, ele estava ali, de pé, ensanguentado, com o rosto deformado, porém, que pouco a pouco ia voltando ao normal.

Rindo, ele disse:

– Sabe o que é incrível? É que você realmente atirou. Você realmente é uma mulher incrível. Eu estava certo quando te escolhi. – Com um sorriso medonho, ele ia se aproximando, enquanto passava a mão em sua roupa.

– Vo….. Você…. Eu…. Eu te matei…. – Eu fiquei incrédula.

– Não amor, eu não posso morrer. – Ele disse, agora com o rosto quase todo recuperado.

Eu disparei novamente. Agora os tiros não tinham mira certa. Acertei o ombro, a barriga, a perna. Todos abriam furos profundos, fazendo o sangue correr, porém ele não parava e logo era possível ver que a pele havia fechado o ferimento. Ele então, tomou a arma da minha mão, jogando para a longe. Me deu um tapa no rosto que me fez cair no chão, próximo de seu sangue no chão.

– O que você é? O demônio? – Perguntei em desespero. Ele se abaixou para ficar perto do meu rosto. Me segurou e me deu um beijo intenso.

Depois, olhou em meus olhos da mesma forma intensa que me olhava na cadeira e disse em meu ouvido:

 – Não. Mas sou quase. – E então, abriu a boca e cravou seus dentes em meu pescoço.

Senti meu corpo desfalecer e eu perder todas as minhas forças. Achei que eu ia morrer, porém acordei algumas horas depois, em uma cama enorme e ele ao meu lado segurando minha mão. Havia um espelho no teto do quarto e enquanto minha visão turva começava a voltar ao normal, ele me disse, me olhando com seus grandes olhos azuis:

– E então meu amor, como se sente?

Eu não sabia dizer, mas sentia fraca, e quando olhei para cima com mais atenção percebi com um certo horror que não havia reflexo, nem dele e nem meu.

juhliana_lopes 30-12-2016

Olhar atrevido

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No começo foi meio sem querer.

Eu estava ocupado e então reparei no seu olhar.

Por alguns segundos me vi perdido naquele rosto,

E seus cabelos esvoaçantes me enfeitiçaram.

Então, o encanto se perdeu e eu voltei aos meus afazeres,

E quando terminei, não a vi mais.

Então, um outro dia, esbarrei com ela sem querer na rua.

Novamente me vi preso naquele olhar,

Pude reparar também em sua pele e suas mãos delicadas.

Com um sorriso lindo e encantador, me pediu desculpas.

Eu só conseguia sorrir de volta, desejando-a para mim.

Então, sem motivo qualquer ela achou meu endereço,

Bateu a minha porta me oferecendo um presente.

Na mesma hora a convidei para entrar, esquecendo-me de todos os compromissos.

Ela era linda, mais linda que uma fada ou um anjo.

Delicada e educada, sentou-se em meu sofá e me observava com atenção.

Minha vontade era toma-la em meus braços,

Fazê-la mulher e me tornar seu homem,

Mas eu precisava me conter.

Quando ela foi embora, depois de uma agradável conversa,

Me dei conta de todos que deixei na mão,

E um por um, me desculpei, mas sem deixar de pensar na bela dama.

Hoje, acordei com seu sorriso.

No início pensei estar sonhando, mas então me dei conta

De que ela estava realmente em cima de mim.

Seminua e com um olhar travesso, tão perto do meu.

Eu deveria perguntar como ela entrou ali,

E porque estava fazendo aquilo,

Mas perdi a concentração com seus lábios tão perto dos meus.

Aqueles olhos grandes e atrevidos, e o sorriso sacana,

Aquele corpo alvo com curvas perfeitas,

Me convidavam para um dia delicioso, que aceitei de bom grado.

Ela era minha dona, minha amante, meu amor.

Eu era seu servo, seu rei, seu devoto.

No meu telefone, várias chamadas perdidas e mensagens urgentes.

Na minha cama, lençóis amassados e um sono tranquilo.

Desculpe-me mais uma vez meus amigos,

Mas a preguiça me seduziu mais uma vez.

 

juhliana_lopes 17-06-2016

Leve sedução

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Sua respiração em meu ouvido me inebriava, me levando a um estado de êxtase jamais antes visto. Suas palavras confusas sussurradas em meio a busca de ar acelerada, que não puxava somente o ar mas a minha alma me fazia delirar mil vezes num loop insano.

Seu corpo colado no meu numa dança louca, fazendo sentidos que eu nem imaginei que tivesse serem ativados, me deixando em estado de alerta, com uma dose extra de adrenalina circulando pelas veias, atento a tudo, sobretudo aos seus olhares.

Suas mãos invadem meu corpo, e exploram cada pedaço do meu ser. Não é somente a pele que você toca, mas também o meu íntimo e meus medos. Com dedos leves você puxa meus sonhos e os mistura com as minhas angústias, me deixando num desespero sem controle.

Mas o que estou dizendo? Ela está ali, distraída conversando com suas amigas. Com seu cabelo sendo bagunçado pelo vento e o sol atrevido incomodando seus olhos. Minha menina, meu anjo, linda com suas roupas que dizem tanto sobre seu humor como o céu limpo diz sobre o dia. Tão delicada e meiga a maior parte do tempo, tão agressiva e selvagem em outros. Ela brinca comigo como um gato brinca com sua presa, enquanto decide se vai devorá-la ou descartá-la.

Passo o dia com você nos meus pensamentos, com você invadindo-me de dentro pra fora, expondo meus medos e desejos, me deixando em situações de risco e me fazendo tomar decisões rápidas ao longo da vida. Como uma sombra, sinto sua presença. Sei que está me esperando, sei que está me seguindo, sei que sabe o que eu penso e sobretudo sabes do que eu preciso.

Em casa, sei que és só minha. Meu tesouro, minha vida. Meu maior bem e minha maior armadilha. Não sei se ela é minha, mas com certeza sou dela. Aqui, no nosso conforto, os sonhos ganham vida, assim como os nossos monstros. Aqui não há pudor ou qualquer tipo de limite. Todos os segredos são revelados assim como todas as nossas fraquezas, ou pelo menos as minhas.

Seus olhos me hipnotizam e me levam até o seu apenas com sua doce voz sussurrada. Ah, como é bom ouvir seus sussurros. Como é bom me perder nesse veneno que é seu suor. Como é bom me entregar aos seus feitiços e condenar o que resta do meu ser a um castigo eterno, um castigo que pra mim é mais do que um privilégio. Pois se ficar ao seu lado for um castigo, me faça ser castigado pelo resto da minha vida miserável do que me privar de seus lábios por mais alguns minutos.

 

juhliana_lopes 24-12-2014

Provocação

img_179839523_1316273019_abigAntes de fechar a porta deu mais um daqueles sorrisos encantadores e saiu deixando seu perfume. Estava contratada, mas se quisesse nem precisava trabalhar, afinal, sempre conseguia o que queria. Sempre caprichando na cruzada de pernas, percebeu enfim que foi uma boa hora de investir naquela saia com dois dedos a menos, imperceptíveis com a postura correta, mas bastante revelador em uma posição mais ousada. Seu chefe também era um bobo. Casado, casamento com rotina, foi fácil mostrar a carne ao lobo faminto, seria uma questão de tempo até acontecer às primeiras reuniões à noite.

Com seu charme, não havia chamado atenção apenas de seu superior. Os outros homens do setor também caíam de suspiros ao vê-la passar, e com um jeito tímido, porém extremamente sensual, ia partindo mais corações.

Mas o que um demônio poderia querer numa empresa tão simplória que cuidava da produção de jarras e taças de cristal? O que um ser como ela poderia querer em algo que já havia alcançado o ápice, e dali não poderia ir para nenhum lugar a não ser para baixo?

Mais do que dinheiro, ela procurava a força vital, os sonhos, aquilo que alimentava os homens e lhes dava forças para viver. Queria tudo até ficar sem nada. Começaria por um e aos poucos tomaria conta de todos.

Um mês depois, já era assunto entre as rodinhas masculinas. Sobre como a blusa se ajusta bem ao seu corpo, deixando escapar um decote generoso de vez em quando. Em como a saia que ajusta em suas coxas e vai subindo aos poucos conforme o seu rebolado enquanto caminha. E que mesmo com toda sensualidade, como nenhum homem tinha coragem de chegar nela e lhe falar todas as coisas insanas que tinham vontade, por causa daquele rostinho tímido e lindo de menina, que fazia parecer um anjo tão inocente que seria um pecado mortal se referir a ela com qualquer coisa maldosa.

Na sala do chefe, ele sempre dava um jeito de encostar ou se esfregar nela. Já estava até sentando no colo dele de vez em quando, com algum papinho mole no ouvido, mas nada de avançar demais, afinal, aquele olhar meigo que ao mesmo tempo o provocava não o deixava se concentrar.

Já ela, estava começando a ficar com fome, o clima já estava perfeito, mas tinha que ser cautelosa afinal, qualquer passo errado e o encanto iria se perder. Então se aproximou de Jaime. Homem bonito, viril, o cara da balada de fim de semana, porém excelente profissional. Quase um galã. Respeitava todas as mulheres no ambiente de trabalho como se fossem suas mães, mas ao ficar preso – sem entender como – no estoque com a nova secretária, e ela ficar lhe abraçando com medo de locais fechados, não se conteve e teve que se aproveitar da situação. Ela é claro, pareceu ofendida, mas quando ele teria uma oportunidade daquelas de novo? Prometeu a si mesmo manter discrição e ela também não parecia à vontade para lhe denunciar. Acabou ficando por isso mesmo.

Mesmo que ele quisesse, não poderia ter contado, afinal, no dia seguinte estava com uma forte gripe que lhe deixou de molho por uma semana. Sentia-se um pouco desmotivado também, o trabalho já não atendia suas expectativas, mas preferiu manter o foco em seu trabalho como sempre para ver se as coisas melhoravam.

Adriano foi o mais sortudo. Ficar três horas com ela preso no elevador por causa da falta de luz foi o melhor momento de sua vida. Nunca pensou que uma pessoa tão tímida poderia ser um furacão com aquele. Sobretudo como foi rápida em colocar a roupa de volta quando o elevador voltou a funcionar. Realmente, segundo ele, daria uma obra prima se alguém pintasse um quadro sobre o assunto. Assim como Jaime, não conseguiu contar a ninguém, e nesse caso nem foi uma gripe, mas uma fatalidade que lhe tirou do seu rumo. Atropelado quando estava indo ao trabalho no outro dia, encontrava-se em coma no hospital.

Anderson seria o próximo. Estava contente porque ela respondeu seu bilhete durante a festa da empresa. Estaria esperando por ele na sacada do andar de cima. Subiu as escadas assobiando e lá estava ela, linda, com um vestido branco que marcava a cintura e deixava as costas nuas. Ficaram ali conversando por um bom tempo, e enfim, um beijo apaixonado se seguiu. Em seguida, como dois adolescentes já estavam se enroscando, com medo de serem pegos.

Depois do êxtase, ele parou para admirar a lua e ela seguiu para a escada.

– Ei, não vai me esperar linda?

– Talvez… Acho que você não vai mais querer nada comigo não é? – Ela parecia abatida, triste, com lágrimas juntando aos olhos.

– E porque não iria querer? Eu adorei nossa primeira noite, escondido, com perigo sempre dá mais prazer…

– Mas eu não acabei sendo fácil demais?

– Claro que não. Você acha que eu não vou querer mais nada com você porque já fiz o que a maioria dos homens quer fazer? Eu não sou como eles… Eu quero ficar com você, namorar, quero ter você pra mim! – Ele dizia segurando suas mãos. Secou suas lágrimas e lhe deu mais um beijo, e então juntos desceram as escadas.

Aproveitaram o resto da festa e então foram embora. Para não ficar chato na frente da turma, ele subiu mais uma vez, pois ela já estava lá esperando para uma despedida.

– E quando vamos assumir? – agora ela falava num tom manhoso.

– Quando você quiser meu amor!

– Amanhã então, quando você chegar!

– Tudo bem! Até amanhã meu amor! – Ele disse lhe beijando a última vez.

Ao descer as escadas, só teve tempo de ouvir um barulho forte e desviar quando algo veio rolando atrás dele. O desespero tomou conta quando percebeu que quem estava lá embaixo no fim da escadaria ela sua musa. Olhou para cima assustado e viu uma figura tirando os óculos e segurando no corrimão. Desceu correndo para verificar o estado de sua amada.

– Largue-a!

– Do que você está falando Walter? – Ele gritou quando seu colega de trabalho lhe puxava para longe da bela dama.

– Você não vê? Ela ia te empurrar! Ela é um demônio!

– Você é imbecil? Está ficando louco? – Anderson se soltou e correu mais uma vez para sua amada, mas quando chegou perto, sentiu um arrepio profundo que fez a nuca eriçar.

Ela estava torta por causa da queda, mas tinha um sorriso maligno no rosto. Seus olhos que eram de um verde delicado, agora estavam vermelhos e as unhas pareciam ter dobrado de tamanho como garras.

– Walter seu maldito, porque tinha que estragar tudo? – Ela se levantou mesmo torta falando com uma voz forte que nada lembrava a mocinha delicada como criança.

– Volte para o inferno! Não precisamos de súcubos aqui!

– Eu vou te matar! – Disse ela partindo para cima dele como uma besta feroz. Anderson mal podia acreditar em seus olhos. Parecia uma fera selvagem atrás de uma caça, mas antes que conseguisse se aproximar demais, Walter sacou um revólver e a derrubou.

– O que você fez? O que está acontecendo afinal? – Disse Anderson tremendo.

– Vamos embora daqui, ela não morreu, e quando acordar vai vir com uma fúria ainda maior!

– E como você sabia que ela era… Aquilo? – Disse Anderson ofegante enquanto corria.

– Porque eu também não sou humano…

 

juhliana_lopes 23-07-2014