Desenho

O dia havia amanhecido, mas não havia o brilho do sol. Chovia forte, e o céu ainda estava escuro por contas das nuvens. Eu levantei, com o corpo cansado e um pouco de dor nos ombros. Fui até a cozinha e peguei um copo de água e voltei me arrastando pesadamente até o quarto. Abri um pouco a janela para que o ar pudesse circular e sentei na cama, acendendo um cigarro. Fazia muito tempo que eu não fumava, mas aquele era um momento especial. O céu se clareou de repente com um raio forte, e logo em seguida ouvi o estrondo de um trovão. Me virei para te olhar a tempo de ver você se mexendo preguiçosamente na cama, incomodada com o barulho. Não havia sido o suficiente para te acordar. Nada era naquele momento. Fiquei então um tempo observando a fumaça que subia do meu cigarro, até me dar conta de que no criado mudo havia um desenho.

Era tão estranho como as coisas haviam chegado naquele ponto. Há um ano eu era um mero farejador. Um caçador. Um animal. Um nada perante os homens que tinham posses. Diante deles, eu não passava de um objeto, de mais um empregado que deveria agradecer pela oportunidade de trabalho. Achavam que eu deveria me orgulhar por cumprir suas ordens de forma tão obediente. Não me orgulhava. Como animal, matei muitos. Alguns mereciam a morte, outros não, mas em momento nenhum eu deveria ter tido o direito de tirar suas vidas. Aos que mereciam, não era necessária intervenção, pois a estes a morte sempre os encontra, mais cedo ou mais tarde. Aos que morreram sem motivo, eu tenho apenas o meu lamento e os seus gritos de horror em minhas lembranças.

Eu já estava tão acostumado a viver pelo mato me rastejando que não olhava mais para o alto. Não olhava mais ao redor com a mesma sensibilidade de uma pessoa comum. Eu podia ter certeza de que já havia vendido a minha alma, e para mim não haviam mais chances, na verdade, ao lembrar de meu passado, muitas vezes ainda acredito nisso. Em todo caso, foi quando comecei mais uma de minhas caçadas que eu me rendi. Eu não era só um caçador, eu também era um alvo, e ao encarar os seus olhos, tão escuros e tão profundos, me vi desarmado, fraco e sem reação.

Você. Linda, com o cabelo no rosto, e os braços estendidos enquanto apontava o revólver para mim. Não havia nenhum sinal de medo. Suas mãos estavam firmes, e sua respiração era tão lenta quanto a de um monge. Concentração. Para minha sorte, seus olhos encontraram os meus, o que me garantiu um tempo maior para que eu pudesse admirá-la. A cicatriz no ombro está se fechando completamente, mas foi ela que me deu você. Ao me transformar em minha forma real, coisa que não fazia há tanto tempo, seus olhos se arregalaram, revelando um susto que ativou seus membros efetuando o disparo. Ao ver que o tiro não havia feito estrago, você hesitou. Era a minha deixa. Talvez naquele momento eu ainda estivesse no piloto automático, afinal quando avancei ainda tinha em mente o meu trabalho, mas tudo estava tão confuso.

Seus olhos me perturbavam de tal maneira que eu precisava tê-los mais perto de mim. Você estava no chão, meu corpo sobre o seu corpo. Seus braços presos pelos meus. Seus olhos em mim e uma respiração ofegante, mas não era medo. Não tinha cheiro de medo. Ao chegar perto de seu pescoço, pude sentir o seu perfume doce, aliado ao seu cheiro natural. Não era humana, mas também não era um monstro como eu. Era melhor. Seu coração acelerado se encontrava com o meu. Agora eu estava perdido e já sabia que não ganharia o pagamento daquele dia, pois ele era o que menos importava naquele momento.

Outro trovão cortou meus pensamentos e então ouvi um gemido. Era você na cama, se mexendo novamente me procurando. Estendi a mão para tocar seu braço fazendo um carinho. Logo seus olhos, levemente abertos me fitavam com a mesma ternura de sempre. Subitamente, você vira de costas e volta a dormir. O cigarro já estava no fim, então o abandonei no cinzeiro, peguei o desenho e me deitei na cama o observando. Tão delicada, tão doce. Mesmo em meio a crueldade do mundo, você ainda guardava o que havia de melhor. Mantinha a sete chaves, mas naquele dia eu arrebentei as fechaduras. Sua doçura não tinha nada a ver com fraqueza. A prova veio no mesmo dia, quando me pressionou pelo pescoço contra uma árvore. Poderia muito bem ser um brutamontes qualquer de um bar sujo, mas era você. A brutalidade não a assustava, mas o amor sim. Um amor estranho, de repente, com tal intensidade que era capaz de tornar monstros renegados em doces amantes.

Quando não estava de serviço, assumia sua forma real. Doce, terna e cruel. Sua visão sobre mim era doce. Seu desenho sobre mim era doce. Seus cuidados para comigo, antes e depois dos trabalhos eram ternos. Sua preocupação era terna. Quando eu fazia algo que não lhe agradava, ou quando algo dava errado no trabalho sua crueldade aflorava. E mesmo quando cruel era justa. A crueldade não era só maldade, mas também malícia e é com ela que você me tem em suas mãos.

À noite, quando nossos olhos se encontram me sinto completo, e sei que não sou só animal ou só homem. Quando nossa respiração sincroniza, sinto que você não é só humana, mas sei que não é só sobrenatural. Quando nos unimos, sei que não somos um só, somos nós. Pelos seus carinhos, sinto que você não toca somente a mim, mas também a minha alma. O desenho em minha mão, o desenho de um lobo, não se trata apenas de mim, mas de minha essência. E eu sei que você não é só minha mulher, mas o meu maior tesouro. Minha salvação.

juhliana_lopes 18-10-2017

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Medo do Sol Nascente

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Há momentos em que caímos em questionamentos. O sentido da vida, que roupa usarei hoje, rosa ou azul, quente ou frio, levantar ou dormir mais cinco minutos…. A verdade é que seguimos sempre através destes questionamentos, como se eles fossem parte essencial para nossa existência. Pior que isso, só as respostas. Quantos não passaram a vida inteira procurando respostas a esses questionamentos e quando as tiveram, nem se importaram. Se você perguntar para uma pessoa a resolução de um problema que ela chorava há alguns anos, hoje em dia ela nem se lembra mais. As respostas se tornam inúteis, uma vez que o ser humano se acostumou a questionar. A busca, a “aventura”, as pequenas descobertas são mais importantes que a resposta em si. Uma conquista só tem graça durante o seu desenvolvimento, pois uma vez conquistada, uma vez adquirida, o resultado, o glamour, o poder se tornam fáceis. Aquilo que se buscava, aquilo que era apenas um objeto de desejo, se tornou algo ao alcance da mão. Após a primeira vez, aquilo perde seu brilho.

Por isso as pessoas sempre estão buscando alguma coisa e pouco se importando para o que já possuem. Mais do que isso, elas aprenderam a valorizar apenas aquilo que não possuem. Louco, não é? Do alto deste prédio, eu observo o dia a dia de muitas pessoas. Como formigas focadas apenas em um objetivo, as pessoas seguem apressadas, tropeçando umas nas outras. Um ou outro fica para trás, normalmente aqueles que ainda procuram aproveitar os poucos momentos da vida, mas ainda assim, todos sabemos que isso não dura para sempre.

De geração em geração, há sempre alguma coisa que está em alta e outra que é super desvalorizada, chegando ao ponto de ser objeto de vergonha. A ostentação do que está na moda, os holofotes, o Ser querido por alguém é o que faz você ser alguém na vida. Mas afinal, o que é ser alguém? É realmente preciso ser alguém na Vida, ou você pode passar por ela como um completo desconhecido e mesmo assim ser feliz?

Daqui de cima, mais do que as vidas tediosas, eu enxergo também os medos de cada um. Todos eles. E uma coisa eu posso afirmar, a maioria possui o mesmo grande Medo. Entre os mais comuns, há o medo de não ter tempo (que ironia… Ninguém tem), medo de escuro, mas não a falta de luz e sim a falta do conhecimento necessário para se alcançar a luz…. O medo de não ser capaz de enxergar os próprios caminhos. Mas, entre tantos medos que vivem travando as pessoas de conseguirem aquilo que querem, tornando assim tudo tão pacato, existe um que todos confundem, e um dia destes, enquanto eu estava entediada demais para observar as coisas de cima, e resolvi caminhar um pouco, acabei esclarecendo para um dos seres.

Era um dia nublado com temperatura amena, levemente frio. Eu caminhava descalça por ruas aleatórias, com minhas vestes esfarrapadas, já encardidas pelo tempo. É incrível como as pessoas ficam tão apressadas que se quer reparam quem anda a sua volta. Foi durante a caminhada próximo a uma ponte que eu notei, entre tantos passos apressados, um que parou subitamente. Era um rapaz alto e magro, com belas vestes sociais. Parecia muito angustiado, e tremia, enquanto olhava para o viaduto abaixo dele com certo delírio. Ele estava tão atordoado que não me viu chegando – ninguém vê. Então, enquanto o rapaz ainda namorava o asfalto abaixo dele, e vários carros passavam em alta velocidade, lhe fiz uma saudação, com um simples bom dia. Ele não ouviu, então repeti, porém sem toca-lo, apenas falando mais alto.

Como quem vê um fantasma, ele deu um pulo e eu pude sentir seu coração disparar. Um pouco ofegante, ele me olhou com calma dá cabeça aos pés e respondeu alguma coisa gaguejando, que eu não pude entender muito bem.

– Dia difícil? – Eu perguntei com um sorriso no rosto.

Um pouco mais calmo, mas ainda desconfiado, ele respondeu:

– Acho que sim…

– E olha que são só oito horas da manhã. – Respondi, mas desta vez sem encara-lo, olhando para o horizonte.

– Pois é… E você… Saiu de onde? – Ele me perguntou ainda desconfiado.

– Oh, eu? Não se preocupe comigo. Eu vivo vagando por aí, observando tudo. Nada demais.  – Eu respondi como se estivesse desinteressada.

Ele resolveu ignorar minha origem, ou mesmo o motivo para que eu estivesse ali. Com o olhar perdido para frente, ele fez o primeiro desabafo.

– As coisas andam tão difíceis. – Ele suspirou. – É horrível para mim passar por aqui todos os dias e perceber que eu não tenho coragem.

Olhei para ele, que estava olhando para os carros abaixo dele.

– Coragem é algo muito subjetivo, se você não souber do que realmente você tem medo. – Respondi calmamente.

– Filosofia de rua? – Ele perguntou em tom de riso.

– Quase isso. – Respondi, dando um sorriso de canto.

Então, depois de olhar para mim de cima abaixo e dar mais um suspiro, ele fez o segundo desabafo.

– Eu nem sei mais porque continuo aqui. Nada me prende sabe? Meu trabalho está a cada dia mais degradante, e o estresse é tão grande que já tem afetado minha vida pessoal. Aliás, vida pessoal é um elogio vindo da minha parte, pois não dá para chamar de Vida chegar em casa e deitar na cama com a roupa do corpo.

– Realmente. – Eu respondi enquanto observava os carros. Tão rápidos e tão vazios ao mesmo tempo. Sendo guiados por pessoas tão confusas e atordoadas como este rapaz ao meu lado.

Ele se calou. Senti sua boca seca, buscando um pouco de saliva para molhar os lábios. Antes que eu tentasse puxar algum assunto aleatório, ele desabafou pela última vez.

– Eu queria tanto acabar com tudo. Queria tanto me jogar daqui sem qualquer arrependimento, ou com todos eles, mas ainda assim me jogar sem pensar no que poderia acontecer depois…. Mas eu não consigo. Acho que eu tenho medo de morrer, essa que é a verdade. Sou tão fracassado que nem me matar eu consigo, e vou ser obrigado a ter essa vida de merda até a minha velhice, ou virar um morador de rua que nem você…. Sou realmente um medroso, uma vergonha.

A falta de umidade na boca de repente foi compensada com água nos olhos que rolaram pelo rosto. Eu podia sentir o toque quente da lágrima descendo pela bochecha esquerda, que rapidamente sumiu com um toque brusco de sua mão para apaga-la. Era mais do que óbvio que o medo dele não era e nunca ia ser da morte.

– Sabe… – Eu comecei – Você não tem medo da morte. São poucas as pessoas que tem.

Ele me olhou com os olhos marejados e uma expressão confusa.

– Você levanta todos os dias sem a menor vontade de levantar. Caminha até o trabalho, mesmo sem querer e quando chega lá, ainda consegue fazer um trabalho ótimo. Claro que isso não o satisfaz, porque você não admite para você mesmo que mesmo em meio a tantos momentos ruins, uma delas está de fato dando certo, e então, você reage desta forma.

Ele não se atreveu a dizer nada, parecia muito surpreso para isso.

– Olha…. – Continuei – Não é porque sua mãe te abandonou durante a infância que você deveria desistir de tudo entende? Claro que ela não foi correta com você, afinal, você era só uma criança, e é muito difícil entender qualquer coisa grave que aconteça durante essa fase. Todos temos pecados, e o dela foi querer viver. Você não pode ter medo de viver só porque ela te deixou para isso. Seu pai fez de tudo por você, e a sua avó também. A vida é mais do que os desejos pessoais, é a busca por novos objetivos quando os primeiros são frustrados.

Sua expressão mudou. Um misto de raiva e incredulidade. Além de claro, a típica não aceitação. Senti seu suor escorrer pela testa do lado direito, enquanto seus dedos se retraiam. Ele me olhou nos olhos com os punhos fechados e sem respirar direito, falou:

– Quem você acha que é para achar que sabe de alguma coisa sobre mim? Você não me conhece, como pode falar qualquer coisa sobre a minha infância ou sobre o meu trabalho? Você acha que só porque uma pessoa está angustiada ela está ferrada na vida igual você? Acha mesmo que todo mundo tem uma vida de merda igual a sua? Acha que só porque você veio parar na rua como uma mendiga, todo mundo tem uma história triste? – Ele falava alto e tremia um pouco.

– O que eu sou para você? – Eu lhe disse praticamente sem expressão.

Ele, um pouco surpreso com a resposta respondeu um pouco confuso.

– Nada.

– Então porque se importou com o que eu falei?

Ele não respondeu. Como se estivesse repassando tudo o que foi dito, se deu conta da sua raiva sem motivo.

– Você se importa porque é verdade. Não é medo da morte que você tem. É medo da vida. O puro e mais simples medo de viver livremente, encarando os desafios do dia a dia e mais, superando-os. Você tem medo de progredir, medo de crescer. Não é medo de que tudo se acabe. É medo do sol que nasce e te desperta para um novo dia.

Senti então seus olhos arregalarem. Suas mãos começaram a tremer mais, e agora até as pernas começavam a ficar um pouco bambas. Algo me dizia que ele estava começando a me enxergar de verdade.

– Quem é você, algum tipo de anjo? Alguma entidade? Algum ser sobrenatural? – Ele perguntou nervoso.

– Eu pareço um anjo? Não…. Esse título é muito forte para alguém como eu.

– Então quem é você? – Ele perguntou novamente, mas antes que eu respondesse, emendou mais uma pergunta – O que é você? Você é a morte?

Olhei para ele com um leve ar de desprezo. Não importa quantos anos os seres humanos vivam, nunca irão me reconhecer.

– Não. Não sou a morte. Muito pelo contrário. – Eu disse, me aproximando dele. – Eu sou a Vida. É de mim que você tem medo, e é por mim que sua mãe lhe abandonou, e por meio de mim que você irá para casa um pouco mais…. Feliz. – E então lhe toquei no ombro.

Era como se ele tivesse sido soprado. O leve toque foi suficiente para que eu pudesse sentir todo o seu organismo reagindo de uma vez só. Todos os estímulos, o sangue correndo nas veias e o ar passando em seus pulmões. Foi tão rápido que ele ofegou puxando o ar de uma vez como quem acaba de emergir de um mergulho.  Com as pupilas dilatas, ele olhou em volta levemente desesperado e sorriu. Ele não me viu. Não poderia mais me ver. Aquele sorriso tímido, se tornou uma gargalhada, levemente insana. Então, ele subitamente se calou. Olhou em volta novamente, e seguiu caminhando pelas ruas, apressado, segurando o riso. Ele estava feliz, estava motivado e bobo. Permaneceria assim por alguns dias, mas poderia estender o efeito, dependendo das suas atitudes.

Eu fiquei ali, no mesmo lugar observando.

Assim como a Morte vaga por aí, observando as pessoas, apenas as tocando quando é a hora certa. Eu vago por aí, apenas observando e reservando meus toques para àqueles que não se permitem viver o que tem. Reservando meu sopro para aqueles que tem medo de mim.

 

juhliana_lopes 12-02-2017

Tentação

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Rick estava entediado. Fazia muito tempo que não aprontava nada e hoje, estava sentado num bar decidido a fazer algum que fizesse sua noite valer a pena. Olhou ao redor, havia muita gente. De repente se formasse uma briga, em poucos segundos o bar todo viria abaixo. Há muitas garrafas, sempre quebram garrafas e “sem querer” alguém poderia pegar uma delas e passar no pescoço de alguém. Ele então se deu conta de que estava fazendo uma cara de doido, com isso, soltou um riso baixo , tomou um gole de sua cerveja e ficou olhando a rua no lado de fora.

Havia algumas casas noturnas na mesma rua, então ela estava cheia de gente indo de um lado para o outro falando alto e bebendo, se preparando para virar a noite. Rick estava cheio dessas pessoas. Vazias, superficiais e completamente descartáveis era o que ele pensava, mas era óbvio que ele também era uma delas, afinal, se fosse o contrário ele não estaria em um bar e sim com a sua família que logicamente, não existe.

Rick se sentia um pouco inferior a outros homens, afinal ele mesmo nunca teve sorte com mulheres. Na verdade ele poderia ser considerado um pegador, pois nunca lhe faltava uma companhia para passar a noite, porém, pela manhã elas sempre iam embora. Rick era bom com mulheres, mas não com namoradas. Ele sentia uma ponta de inveja daqueles caras que iam pra casa numa sexta a noite animados, porque tinham uma mulher lhes esperando, e na manhã seguinte elas lhe preparariam um belo café da manhã. Rick sentia falta de uma companhia para a vida toda, mas como sempre foi um homem muito prático, quando se sentia assim, ele simplesmente saia de casa e ia beber. Dependendo da quantidade, isso lhe rendia pelo menos uma semana sem pensamentos desse tipo e claro, uma bela ressaca seguida de lembranças das confusões que arrumou.

Acabou se perdendo em pensamentos novamente. Com a quantidade de pessoas passando pela rua, seria muito fácil para ele roubar uma garrafa de alguma mesa, sair correndo e quebrá– la na primeira pessoa que encontrasse pela frente. Seria simples e no mínimo engraçado, para ele. Mais risos soltos e mais goles, até secar a caneca.

Rick era um cara pacífico. Extremamente alguns diriam. Resiliente, sempre pensando em atitudes melhores, em formas de resolver as questões sem conflito. Paciência era um de seus dons, e claro, ele nunca se estressava. Porém, era cheio de pensamentos insanos e era só beber que ele dava espaço para que eles se libertassem, ainda assim, durante as ressacas nunca se lembrava de nada grave a não ser alguma confusão isolada, sem vítimas que acabavam com ele chorando no chão pedindo perdão.

Ele queria mais do que isso. Já passava da casa dos 30 e sentia que não tinha feito de significativo. Queria mais e sabia que podia, ele só precisava do primeiro passo. E ele deu, porém foi um passo para fora do bar. Enquanto caminhava durante a noite, desviando de pessoas bêbadas e apressadas, acendeu seu cigarro. Não gostava de fumar, mas o fazia depois de adquirir um leve vício, motivado pelos fumantes do trabalho. Eles podiam sair sem pausas programadas para fumarem do lado de fora, e mesmo que fosse por cinco minutos, parecia muito interessante sair assim a hora que queria. Logo ele também era um fumante, porém ficava apenas com o cigarro na mão conversando com os outros. Devido os olhares dos monitores, ele teve que aprender a fumar para continuar com suas saídas. Só fumava no trabalho, ou quando se sentia entediado, exatamente como naquela noite.

Andou pelo menos uns três quarteirões, até que conseguisse andar pela calçada sem desviar de ninguém. Andou mais até ficar completamente sozinho. Caminhando devagar, ouvindo o movimento da vida noturna sumir pouco a pouco atrás dele, foi surpreendido por um barulho vindo em sua direção. Com a cabeça baixa, viu sapatos de salto alto pretos, e conforme foi levantando o olhar, observou pelas pernas. Era uma moça linda, com um vestido preto. Ela tinha a pele branca que se destacava com as luzes da noite, e tinha o cabelo comprido, jogado de lado, que ocultava parte do seu rosto. Não olhou para ele, parecia muito concentrada olhando o celular enquanto caminhava depressa. Ela seguiu caminhando, indo em direção as casas noturnas e ele a teria ignorando sem problemas, como muitas que passaram por ele naquela noite, mas esta estava usando um perfume extremamente inebriante.

Ele simplesmente a seguiu. Se ia fazer alguma coisa hoje, seria levar aquela mulher para sua casa, nem que para isso ele precisasse brigar com alguém – no fundo, ele não sabia dizer se estava mais interessado na moça ou na possibilidade de uma briga.

Ela andava rápido e sem qualquer problema pra quem estava com a cara no celular. Desviava com destreza e ele trombava com um e outro para não perdê-la de vista. Até que ela subitamente virou e ele trombou com mais um rapaz para acompanhá-la. Era uma boate grande, e as luzes que piscavam sem parar, fariam terror a um epilético. Ele por sua vez, desviando de um e de outro, conseguiu chegar até a bela moça, que continuava com a cara no celular. Ela estava encostada num balcão, esperando um barman fazer a sua bebida. Ofegante, Rick se aproximou, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, ela disse sem tirar os olhos do celular:

– Que pique pra quem não está interessado.

Rick ficou confuso por um momento, e só conseguiu pedir pra ela repetir.

– Eu vi você lá atrás. Correu muito pra quem não vai conseguir nada. – Ela disse em um tom frio.

Recuperando o fôlego, Rick entendeu que ela já estava lhe dando um fora, porém, ao mesmo tempo continuava confuso: Como ela o viu se nem ao menos olhou pro lado? De qualquer forma, não iria sair por baixo, aquele perfume era bom demais para ele ignorar.

– Você podia ao menos esperar eu fazer a proposta para me dar um fora. – Ele respondeu com um sorriso no rosto.

– Então faça. – Ela disse em um tom sério, pela primeira vez levantando o rosto. Ela era mais linda do que ele imaginava. Atordoado com aquela beleza, ele só conseguiu dizer:

– Eu queria te convidar pra ir pra minha casa e não sair de lá nunca mais.

Ela fez um leve olhar de espanto, mas sorriu. Um ponto pra ele.

– Isso é algum tipo de sequestro? – Ela disse em um tom mais leve levantando uma sobrancelha.

– Eu… – Ele pensou um pouco só então percebendo o que tinha dito. – Espera, eu não quis dizer dessa forma… Caramba… – Ele tentou organizar seus pensamentos, um pouco sem graça. – Quero te convidar pra ir em minha casa, porque eu quero ter você pra mim, mas não só hoje, todos os dias, pra sempre. – Disse um pouco mais confiante.

Ela riu. Ele ainda estava um pouco confuso sobre isso ser bom ou ruim, mas pelo menos ela havia parado de olhar no celular.

– É pior do que eu pensei. Você está me pedindo em casamento? – Ela disse, rindo.

Ele relaxou e riu também e então arriscou pegar na mão da moça, que era um pouco fria.

– Se você entender desta forma, eu vou ficar imensamente feliz. Você é muito linda!

Ela abaixou levemente a cabeça com certa graça medieval e disse:

– Obrigada, mas acho que preciso saber das suas qualidades antes. – Ela respondeu fazendo cara de séria, porém abriu um sorriso logo em seguida.

Rick, um pouco mais confiante falou de seu trabalho e seus passatempos, além de claro, ocultar seus pensamentos insanos que naquele momento, não faziam mais sentindo algum. Como se lesse seus pensamentos, ela disse:

– Parece bom, mas acho que não posso ir com você. Nada me garante que você não seja um maníaco psicopata querendo me usar nos seus planos malignos.

Apesar da risada dela que veio em seguida, a frase lhe deu um pouco de impacto. Ele disfarçou, mas resolveu reverter o papo

– Bem, você pode ir ao meu trabalho e todo mundo vai confirmar que eu não sou um doido. – Ele riu. – Mas e você, quem me garante que você não é uma louca, querendo roubar meus órgãos, disfarçando para que eu fique interessado? – Ele disse com um tom de deboche.

Ela então se aproximou dele, com o rosto bem perto e as bocas quase se tocando. Então ela disse bem suavemente:

– Eu garanto que não sou…

Depois, ela voltou ao seu lugar e o ficou olhando fixamente. Era um olhar sedutor, penetrante, sem pudor. Rick se viu novamente enfeitiçado, por aqueles olhos, aquele perfume e aquela boca… Ah, aquela boca, tão perto da sua. Ela ainda o estava olhando quando ele pegou em sua mão e a guiou para fora. Ela não relutou, não perguntou, nem fez piada. Apenas o seguiu.

Eles seguiram em silêncio, andando e se afastando da movimentação, até que ela o puxa para um beco. Ele, surpreso tentou questionar, porém foi calado por um beijo. Um beijo intenso, daqueles que começam devagar e vão tomando conta, tirando o juízo de qualquer um. Ele nunca havia sido beijado assim.

As mãos começaram a dançar, ainda sem interromper o beijo, que já estava acompanhado de respirações profundas. Ele explorava o corpo da bela dama, que mesmo com o vestido, demonstrava as curvas que ele queria se perder durante a noite toda. As mãos delas pareciam nervosas. Arranhavam seu peito, entravam pela camisa até chegar as suas costas, ele sentia suas unhas lhe rasgando pouco a pouco e mesmo com a leve dor, ele sentia um prazer indescritível.

Os amassos dos dois naquele beco escuros estavam ficando cada vez mais intensos e ele já se preparava para tirar a camisa. Ela se afastou um pouco, e enquanto Rick arrancava sua roupa, sentiu uma fisgada na costela. Diferente das unhas, essa entrou profunda e ele só pode sentir o frio da lâmina se aquecer com seu sangue quente. Olhando para ela sem entender o que estava acontecendo, gemeu abafado quando a faca saiu lhe deixando apenas um buraco.

A moça bonita, mais linda ainda a meia luz do beco, colocou a mão em seu ombro e começou a morder e lamber sua orelha. Por um momento ele se esqueceu da dor e começou a se entregar para ela novamente que passava a mão que antes estava no ombro, por todo o seu corpo com volúpia. Então, quando Rick sentiu ela mordendo seu lábio suavemente, sentiu uma nova fisgada, no seu estômago. Além da dor, desta vez ele começou a sentir que seus sentidos também estavam se perdendo, pouco a pouco conforme o sangue escorria. Desta vez, ele reagiu dizendo:

– Você é louca? – Ele tossiu e cuspiu sangue. – O que pensa que está fazendo?

– Eu? Nada demais, estou fazendo o meu trabalho. – Ela respondeu calmamente, enquanto limpava a faca com um lenço.

– Você não disse que não era uma maníaca? Que garantia que não era louca? – Rick gritou enquanto continuava a cuspir sangue e perdia a força nas pernas, sentando pouco a pouco no chão se apoiando na parede.

– Mas eu não sou uma maníaca. – Ela respondeu surpresa.

– Então o que é isso? – Rick gritou nervoso, cuspindo sangue.

– Isso, não é nada. – Ela disse se aproximando e se abaixando para olhar em seus olhos. – Eu não sou uma maníaca Rick… – Ela passou a mão em seus cabelos – Eu sou a morte. A sua morte Rick. Eu só vim fazer o meu trabalho. – Sua voz era pesada e seu tom era frio.

Rick não conseguiu dizer mais nada. Apenas a olhou apavorado e suspirou profundamente pela última vez, buscando o ar que de repente ele tinha perdido.

juhliana_lopes 04-02-2017

Fácil demais

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Ele estava obcecado. Não sabia de onde ela vinha, nem para onde ia, mas era quase impossível ignorar a presença dela. Era alta, tinha uma bela postura e curvas leves. Devia ser modelo talvez. Roupas sociais, cabelo impecável. Executiva talvez. Bolsa ao lado do corpo e celular quase sempre na mão. Muito ocupada talvez. Uma vez, ele passou por ela e viu uma foto de criança no celular dela, que logo deu lugar para uma tela de aplicativo de mensagens. Deve ser mãe talvez.

Não importava, ele só queria saber o nome dela, se estava bem, alguma coisa. Qualquer coisa. Eles se encontravam sempre no ponto de ônibus, porém ela pegava uma linha e ele outra. A dela sempre vinha primeiro. Ele ficava feito um bobo olhando pela janela, e ela com os olhos na tela, nem lhe dava atenção.

Pensou em abordá-la, falar banalidades, mas poderia ser interpretado mal. Afinal ele só a encontrava tarde da noite quando estava voltando do trabalho. Pensou em mil maneiras de esbarrar com ela para ter uma desculpa de pelo menos tocá-la. Mas não. Melhor esquecer.

Todo homem precisa de uma motivação e com ele não seria diferente. Sua maior fraqueza era o álcool e em um dia qualquer ele, a convite de amigos, bebeu algumas doses que viraram muitas em um aniversário. Voltando para casa, estava alto, atordoado e ao vê-la, seu pensamento ganhou uma direção.

Talvez por coincidência, o ônibus dele veio primeiro naquele mesmo dia, e talvez por acaso ela pegou o mesmo ônibus que ele. Suas mãos suavam. Ele não sabia o que fazer. Sabia que o que ele queria era errado, mas sabia que não tinha condições de conduzir uma conversa normal. Já havia esperado muito e tantos outros faziam, qual seria o problema? Ela nunca seria dele por vias normais.

Percebeu então que ela não morava tão longe e que só pegava o outro ônibus porque ele passava primeiro mesmo, afinal os dois faziam a mesma parte do caminho. Ele, sentado no fundo no ônibus, estralando os dedos e balançando a perna direita, ainda pensava que estava louco e não devia agir assim. Mas ele se arrependeria muito mais se não fizesse nada e talvez demorasse um bom tempo para usar o álcool como desculpa.

Desceu atrás dela e foi seguindo cauteloso, se esgueirando pelas sombras. Mantendo uma distância segura, percebeu que logo ela estaria em casa e ele perderia sua chance. Era preciso um segundo de coragem insana. Um segundo de loucura absurda. Ele fechou os olhos e respirou fundo. Observou ela caminhando calmamente, com o celular na mão e então foi.

Se aproximou depressa e lhe deu uma chave de braço. Arrastou ela para o primeiro canto escuro que achou. Pressionou ela contra a parede e começou a beijar seu pescoço. Ela tentava em vão resistir. Ele a virou de frente para ele, e rasgou a sua blusa. Arrancando dois ou três botões. Com as mãos, ela tentava afastá-lo, mas ele a segurava com força. Mordia seu pescoço e seu colo, e revezava suas mãos entre segurar as mãos dela e apalpar seu corpo. Estava se dando bem afinal, ele pensou. Mas faltava algo. Ele apertava, mordia e lhe deixava marcas. Não ousava olhar no rosto dela, apenas para o seu corpo que era alvo e delicado. Mas ainda faltava algo.

Quando ele começou a passar a mão pelas suas coxas, ela parou de resistir e puxava o corpo dele contra o dela. Ela estava gostando? Olhou finalmente para o rosto dela que estava de olhos fechados e um sorriso de satisfação. Ela estava realmente gostando. Resolveu então lhe dar um beijo na boca que foi correspondido com luxúria. Ele foi ficando cada vez mais animado, e suando com o álcool que reagia em seu corpo, se forçava mais contra o corpo da moça, tentando rasgar as roupas que ainda restavam. A camisa dele já estava no chão amassada, quando o sangue espirrou nela.

Ele ficou um tempo parado, olhando para ela que agora encarava seus olhos profundamente. Olhos castanhos, mais escuros ainda com a noite. Ele não sentiu dor quando a lâmina entrou, mas sentiu a profundidade do corte quando a lâmina saiu. Antes que ele pudesse sair do estado de choque e se manifestar sobre o acontecido, ela enfiou a faca novamente, desta vez no estômago. Agora ele se sentia mais fraco e fica uma quantidade de sangue absurda sair de si mesmo. Ela, agora olhava para ele com um sorriso. O mesmo sorriso de satisfação de quando ele estava tomando seu corpo. Ele caiu no chão e começou a agonizar. Ela, pegou sua bolsa, tirou uma camisa e uma toalha. Limpo o sangue dele que havia sujado a sua barriga e se vestiu. Ele, se debatia no chão, ainda olhando para ela. Seus pensamentos confusos não permitiam que ele pudesse manter uma linha de raciocínio, ele só sabia que estava morrendo.

Ela usava um salto, que não era tão alto, afinal ela mesmo era um pouco mais alta que as outras mulheres. Ela usou esse mesmo salto para enfiar a ponta no ferimento que ela havia aberto no seu estômago. Pisando literalmente sobre ele, observava com asco, enquanto ele gemia de dor, sem poder reagir, fraco com a perda de sangue.

Tirando o pé de cima dele, ela caminhou até a rua, pegou um cigarro e começou a fumar, observando a rua vazia. Maldita rua vazia. Quando estava quase terminando, apagou o cigarro na testa dele, e com a faca, abriu um corte profundo na sua garganta, sem acertar a jugular. Como um açougueiro, ela só desceu com a faca no pescoço do pobre homem e deixou a faca lá, fincada. Ele não se mexeu mais. Ela pegou a camisa dele com cuidado para não se sujar, e cobriu o seu rosto. Se levantou com leveza e seguiu andando até um ponto de ônibus próximo de uma avenida. Sozinha, pegou outro cigarro e o celular enquanto observava os carros. “Fácil demais”, ela pensou.

juhliana_lopes 10-10-2016

Quem é o assassino? #6

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– Nunca vai esquecer o lance das carteiras, não é? – Isaque disse, quase como um pedido de desculpas.

– Não, mas foi por causa disso que te contratei, então não precisa se preocupar, aliás, não andou pegando carteiras daqui, não é? – Adam perguntou com um sorriso sarcástico.

– Não senhor. Só quando estão do lado de fora, como me recomendou. Agora se me der licença…

– Claro, pode ir. Muito obrigado pelas informações. Se quiser, pode ficar o resto do dia de folga, você merece. – Disse Adam, que precisava de um tempo sozinho para analisar tudo aquilo.

– Se você acha, muito obrigado. – Disse Isaque saindo da sala.

Anne estava sentada com Manoela quando viu Isaque passar apressado. Ela normalmente não perdia tempo reparando em pessoas aleatórias, mas percebeu que ele tinha algo diferente. De qualquer forma preferiu não se envolver e ficou perdida nos seus pensamentos. Tão perdida que não percebeu a pergunta de Manoela.

– O que você acha? – Manoela esperava a resposta ansiosa.

– Desculpa, eu não prestei atenção. – Anne se concentrou nela.

– Sobre o Liam, Anne. Você acha que eu tenho chance?

– Sinceramente? Eu não sei Manu. Ele é sempre tão seguro de si, não sei se ele ficaria frágil por estar gostando de alguém. – Anne respondeu um pouco desinteressada.

– Mas ele pode ter mudado. Ele pode estar diferente porque é verdadeiro. Ele é tão educado, e bonito, e parece ser tão gentil, inteligente… – dizia Manoela com cara de sonhadora.

– Bem, não custa tentar, não é? – Respondeu Anne se levantando. – Eu vou aproveitar que ainda tenho um tempo e vou ler um pouco. Você pode aproveitar e procurar o Liam.

Anne saiu da mesa onde estava sentada com Manoela, e foi para o seu armário pegar seu livro. Quando passou pelo corredor, ouviu Adam chamando. Ele não falava muito com os funcionários fora das reuniões, mas mesmo assim ela o seguiu até a sala dele e ficou mais desconfiada quando ele trancou a porta assim que ela passou.

– Algum problema? – Ela perguntou antes de se sentar.

– Ainda não. Fique à vontade. – Ele respondeu indicando a cadeira. – Você é uma das funcionárias mais antigas daqui. Uma das mais dedicadas também. Gostaria só de saber algumas coisas.

Ela se ajeitou na cadeira para ouvi-lo melhor. Não falou nada, apenas esperou que ele continuasse.

– Bem, o que você sabe sobre o Boris? – Adam parecia levemente nervoso, por mais que tentasse disfarçar isso.

– Boris é seu sócio. – Ela começou. – E foi o sócio do seu tio. Havia uma relação de confiança entre eles. Sei que ele é organizado com suas coisas e costuma ser bem exigente com tudo. Nunca fui próxima dele no meu cargo, então não sei dizer muito.

– Ele tem alguma amizade mais próxima aqui na empresa?

Anne percebeu então o que estava acontecendo. Foi cautelosa, afinal, sabia muito bem o que poderia acontecer depois.

– Nunca o vi com amigos. Talvez Liam, mas ele é amigo de todo mundo. Acho que a Lara também, mas não tenho certeza.

– Tudo bem. – Respondeu Adam pensativo. Não conseguiria arrancar nada dela realmente. Talvez fosse melhor investir em outro. – Está liberada, obrigado pela conversa. – Ele disse levantando e destrancando a porta. – Se possível…

– Manter essa conversa entre nós. – Ela o interrompeu. – Não se preocupe. Com licença. – Ela disse abaixando a cabeça e saindo da sala depressa. Infelizmente, depois de passar pelo corredor, que dava acesso a sala de Adam, encontrou Liam saindo da sala de Boris.

– Você está aí a muito tempo? – Liam perguntou com frieza.

– Acabei de chegar. – Anne respondeu com a voz pesada.

– Então eu não te vi. – Ele disse a encarando.

– Eu também não. – Ela respondeu seguindo o seu caminho.

Liam estava levemente preocupado. O que começou com a tortuosa “hora de amor” de todos os dias, acabou com Boris paranoico com seus documentos. De certa forma estava aliviado pois, pelo menos não teve que terminar o serviço. O contraponto é que agora Boris poderia descontar a raiva nele, e ele não estava com muita disposição. Para esquecer os problemas, aproveitou que a maioria das pessoas ainda estava no horário de almoço e chamou Lara, uma funcionária nova, loira e muito bonita para uma reunião particular em sua sala, mas antes que pudesse aproveitar, precisou conter os hormônios femininos em fúria, pois Manoela o flagrou aos beijos com a loira. Por sorte, conseguiu conter as duas antes de um escândalo e no fim, não ficou com nenhuma das duas, se trancando em sua sala.

O que Adam poderia estar tramando, era só o que Liam pensava. Ele também tentava achar formas e brechas para se aproximar dele, mas com aquele garoto novo trabalhando diretamente com ele, era muito mais difícil. Depois de pensar um pouco mais, arquitetou uma estratégia boba que poderia resolver parte dos seus problemas.

– Boris, meu senhor. – Liam entrou falando com uma voz mansa.

– O que você quer Liam… – Boris respondeu cansado.

– Isaque… com certeza foi o Isaque que pegou os documentos.

– Como assim Liam? – Boris perguntou surpreso.

– É só pensar. Ele é novo, quer ganhar pontos com o patrão. Ele deve ter visto uma oportunidade de chamar atenção e aproveitou.

– Aquele filho da…

– Precisamos dar um jeito nele… – Liam disse pensativo.

– Liam, você acha que poderia dar um susto nele? – Boris perguntou cauteloso.

– Que tipo de susto senhor? – Liam perguntou curioso.

– Bem, eu tenho uma arma. Você poderia surpreendê-lo sozinho e…

– Não senhor! Isso é muito perigoso! – Respondeu Liam, parecendo surpreso com a proposta, mas no fundo era exatamente esse tipo de reação que ele esperava de Boris.

– Eu entendo. – Boris respondeu frustrado. – Então, eu mesmo farei.

– Não senhor, não faça isso… – Liam disse em tom preocupado, segurando suas mãos. – Prometa para mim que não fará uma besteira!

– Tudo bem Liam… – respondeu Boris disfarçando. – Você tem razão. É arriscado. Vou pensar em outra coisa. – Boris tranquilizou Liam. A verdade é que ele não iria desistir, mas não envolveria ele nisso.

No dia seguinte, os funcionários foram surpreendidos pela morte de um funcionário. Na verdade, Lara, a moça nova foi encontrada morta no fim da escada. Tudo indicava que ela havia sido empurrada e como a escada é longa, não suportou as fraturas que ganhou com a queda, falecendo na mesma hora. A responsável logo foi encontrada no estoque, escondida e completamente alterada. Manoela parecia estar sob efeito de drogas e só conseguia repetir que Liam seria dela de qualquer jeito. Quando ele chegou depois, horrorizado com a notícia foi prestar depoimento. Um pouco mais tarde, retornando a empresa, viu Anne saindo do carro de Isaque, entrando com ele na empresa. Na hora, não deu tanta atenção, mas quando entrou na sala de Boris, encarando toda a sua raiva, percebeu que talvez devesse considerar mais uma pessoa que deveria entrar na lista de “desaparecidos”.

juhliana_lopes 23-05-2016

Quem é o assassino? #5

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Se passaram dois meses. Para alguns, os dias passaram voando, enquanto para outros o tempo se arrastou. Adam estava se saindo muito bem na sua administração, para o desespero de Boris. Nem mesmo os comentários ácidos e venenosos que Boris pediu para Liam espalhar estavam funcionando. De toda forma, Liam era o grande responsável por isso, pois viu ali uma oportunidade de ganhar a confiança do novo chefe, sem precisar descer mais ao nível onde ele estava com Boris.

Adam contratou Isaque, um rapaz alto de cabelos curtos e elegante que o ajudava a organizar sua agenda, além dos documentos importantes das duas empresas, e com isso, Boris não tinha mais tanto acesso como tinha no tempo de Leo. Isaque era discreto e educado, da mesma forma que Adam, que mantinha um bom relacionamento com os outros funcionários, evitando o assédio feminino por parte de algumas funcionárias. Por um momento Liam se sentiu enciumado, pois os olhos claros do rapaz estavam chamando mais atenção do que ele, mas não permitiu que isso o atrapalhasse. Após uma semana da chegada de Isaque, Manoela foi contratada e começou a trabalhar junto com Anne. As duas agora eram responsáveis pelo marketing e pela captação de novos clientes, e estavam indo muito bem em suas funções.

Apesar dos resultados positivos, Adam estava preocupado, pois alguns números ainda não batiam e por mais pequenos que fossem, podiam levar a uma diferença enorme mais tarde. Ele estava perdido em seus pensamentos quando Isaque entrou em sua sala sem bater.

– Senhor, desculpe entrar assim…

– O que foi Isaque? – Adam respondeu se inclinando para frente. Isaque sentou organizando os papéis em sua mão. Engoliu um pouco de saliva antes de falar, enquanto encarava o olhar frio de Adam. Ele era uma ótima pessoa, mas suas feições as vezes o assustavam. Ele era aquele tipo de cara que tinha um olhar perdido e uma expressão de quem vai matar um a qualquer momento se ficar chateado. Isaque antes achava que estava sempre fazendo algo errado, ou que ele lhe julgava pelo seu descuido no passado, mas depois percebeu que Adam nascera com aquela expressão e sempre a tinha, mesmo sem ser sua intenção.

– Encontrei algumas coisas, achei que talvez fosse interessante para você.

– Fale logo.

– Bem… – Ele respirou fundo. – Eu estava por acaso andando pelas salas enquanto o pessoal estava no horário de almoço, e quando eu digo por acaso é por acaso mesmo, pois eu estava deixando os convites para a nossa ação social naquele orfanato que nós patrocinamos, e vi algo interessante na sala de Boris.

– Uma carteira nova? – Respondeu Adam com um sorriso de canto.

– Não senhor… – respondeu Isaque um pouco envergonhado. – Vi esses papéis. Documentos muito parecidos com o que vimos hoje de manhã, mas com diferenças de valores…

– Deixe-me ver isso. – Adam pegou os papéis. Era os mesmos documentos com os quais ficou preocupado desde o começo da semana. Documentos que possuíam números que faziam muito mais sentido e deixavam algumas coisas evidentes. – Você tirou esses papéis de lá? É melhor colocar de volta, ele pode reparar.

– Ele não vai reparar, afinal, eu tirei algumas cópias e deixei lá, exatamente no mesmo lugar. Ninguém me viu sair, pode ficar tranquilo. – Respondeu Isaque confiante.

– Sei que ninguém te viu. Conheço suas habilidades.

– Nunca vai esquecer o lance das carteiras, não é? – Isaque disse, quase como um pedido de desculpas.

– Não, mas foi por causa disso que te contratei, então não precisa se preocupar, aliás, não andou pegando carteiras daqui, não é? – Adam perguntou com um sorriso sarcástico.

– Não senhor. Só quando estão do lado de fora, como me recomendou. Agora se me der licença…

– Claro, pode ir. Muito obrigado pelas informações. Se quiser, pode ficar o resto do dia de folga, você merece. – Disse Adam, que precisava de um tempo sozinho para analisar tudo aquilo.

– Se você acha, muito obrigado. – Disse Isaque saindo da sala.

Enquanto arrumada suas coisas para sair, Isaque pensou em aproveitar para passar novamente na sala de Boris, afinal ele realmente tinha uma carteira nova muito atraente, porém quando se aproximou percebeu que ele já estava na sala, mas, pôde ouvir algo a mais. Da mesma forma discreta que se aproximou, se afastou sem ser visto. Então, ele foi para o refeitório e quando passou por uma das mesas, ouviu as moças comentando: “Onde será que Liam está? Quem será a vadia de sorte que está com ele desta vez?”. Rindo, Isaque foi para a sua mesa pensando: “Vadia… Se elas soubessem…” E logo se pegou rindo sozinho.

No dia seguinte, Isaque encontrou um bilhete no seu armário. Com uma letra forçada para não ser reconhecia dizia apenas “Cuidado”. Amassou o papel com uma mão e guardou no seu bolso. Estava cedo e a maioria do pessoal ainda não havia chego, e depois daquele bilhete, ele percebeu que havia um silêncio perturbador no vestiário. Então fechou o armário e se virou devagar, levando um susto em seguida.

– Você é um cara muito esperto não é Isaque?

– A maioria das pessoas dizem que sim, mas na escola eu não tinha certeza. – Respondeu Isaque com frieza.

– Como consegue enganar o Adam? Ou é ele que manda você fazer essas coisas?

– Eu tenho que saber primeiro do que você está falando para poder responder a sua pergunta. – Isaque respondeu sem paciência.

– Não se faça de sonso! Onde estão os documentos?

– Quer dizer que a biba fica nervosinha? – Isaque provocou. Adorava a oportunidade de irritar as pessoas.

– Como você ousa? Eu vou dar um jeito de te tirar daqui e agora!

– Olha Boris… – Isaque o interrompeu pegando sua mão como se estivesse o cumprimentando e colando seu ombro no dele – As coisas nem sempre são fáceis e eu entendo sua frustração, mas não é assim que você vai conseguir me ameaçar. – Isaque o largou, lhe dando as costas.

– Ora seu verme! – Boris mexeu nos bolsos. – Espera… Estava aqui… Idiota, me devolve! – Boris gritou nervoso.

– Devolver o que? Isso? – Isaque disse sorrindo com balançando um revolver. – Você não vai precisar dele, mas eu vou guardar para você. – Ele respondeu em tom de deboche piscando. – Tenha um ótimo dia senhor.

Isaque saiu do prédio o mais rápido que pode. Pegou o carro e tratou de se livrar do revolver o mais rápido possível. Aproveitou também para jogar fora os cartões de Boris, mas aproveitou o dinheiro para rechear a sua própria carteira. A de Boris era uma ótima carteira, mas não daria motivo para que ele velho pudesse lhe prejudicar mais.

Quando voltou, encontrou Anne saindo de um beco próximo de um ponto de ônibus.

– Quer carona Anne? Estou indo para empresa.

– Ah sim, claro. Muito obrigada. – Ela respondeu com a voz levemente trêmula. Não parecia estar esperando ninguém conhecido naquela região.

– Você não mora do outro lado? – Isaque perguntou depois de lembrar que aquele era um lugar muito longe para ela estar.

– Sim. Vim visitar minha mãe. – Respondeu sem olhar para ele, distraída com a paisagem.

Chegando na empresa, cada um foi para seus afazeres. Naquele dia Adam não foi trabalhar, e a notícia da morte de mais um funcionário deixou todos surpresos.

juhliana_lopes 23-05-2016

Quem é o assassino? #3

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A empresa amanheceu em luto. Todos ficaram chocado e extremamente sentidos, e claro curiosos com todo o desenrolar da história. Ninguém imaginava que Clara, uma funcionária antiga, teve um caso com Valéria, uma funcionária também antiga que havia sido demitida há 6 meses. Depois da morte de Meg, que havia sido contratada para ficar no lugar de Valéria, Clara não aguentou de saudades e foi encontrada enforcada no estoque. Há quem suspeite que ela tenha contribuído para a morte de Meg, já que Valéria desapareceu depois de sua demissão.

Durante o velório, realizado na empresa, Liam tomou a palavra.

– É realmente uma perda enorme, para a empresa, para a família e para nós, os amigos. Eu me considero um amigo, pois acompanhei todo o progresso de Clara aqui na empresa e muitas vezes, eu mesmo pedi conselhos para ela, pois sempre de forma assertiva, ela conseguia levar a suas funções a excelência, e com sua delicadeza, trazia isso também as pessoas próximas, que lhe queriam bem. – Ele então fez uma pausa, com a voz levemente mais rouca, como quem está emocionado. – Mesmo sabendo das condições de sua morte, espero e peço que Deus seja misericordioso com sua alma, para que ela tenha o descanso desejado.

Então, todos aplaudiram e Liam se recolheu junto as outras pessoas para a despedida final.

– Anne, gostaria de agradecer… – Liam se aproximou falando baixo.

– Esse não é o melhor momento. – Respondeu Anne sem fazer contato visual.

– Eu sei, mas você não teria mais daquele líquido? Acho que vou precisar de mais.

– Liam, já disse, esse não é o melhor momento. – Respondeu Anne, pausadamente, olhando nos olhos dele.

– Tudo bem, depois conversamos.

Liam se afastou de Anne e ficou próximo da mãe de Clara. Ela estava arrasada e não entendia como sua filha havia chego naquela situação, e pior, como havia se envolvido em tanta coisa sem que ninguém percebesse. Os sócios e chefes da empresa também ficaram tristes com toda situação, por isso permitiram um dia de folga e o velório no prédio. Boris, percebendo que Liam estava abalado, se aproximou lhe dando um abraço.

– Calma Liam, vai ficar tudo bem… – Disse Boris baixinho em seu ouvido.

– Eu sei… – Liam respondeu com jeito choroso. – Mas ela era minha amiga… vai ser tão difícil…

– Não se preocupe… – Boris soltou Liam, mas manteve o tom de voz baixo. – Passa lá em casa mais tarde que eu te ajudo a ficar mais calmo…

– Muito obrigado senhor… – respondeu Liam com um leve sorriso de canto.

Durante o enterro, um rapaz chegou atrasado e abraçou Leonardo, o sócio majoritário. Este mesmo rapaz abraçou Boris, mas fora isso, não fez contato com mais ninguém. Liam observou de longe, e percebeu que ninguém sabia quem era o rapaz. Decidiu então continuar observando e conversar com Boris mais tarde para ter mais informações sobre aquele cara.

A noite caiu e todos foram embora, com o peso daquele momento nas costas. Anne caminhava em uma rua escura e pensou ter ouvido um estalo como se algo tivesse sido pisado. Ela não deu muita atenção e continuou caminhando. Começou a se lembrar de Meg, e de como ela estaria apavorada naquele momento, e quando percebeu, estava rindo sozinha. Então, após mais alguns passos, voltou a ouvir o som. Desta vez parou, olhou as horas para disfarçar e voltou a caminhar calmamente. Não foram mais que dez passos para que Anne se virasse subitamente. Liam, atrás dela, com uma barra de ferro na mão, tentou disfarçar, mas era notável a sua expressão de fracasso em uma emboscada.

– Eu só vou perguntar uma vez. – Disse Anne séria. – Para quê?

Liam gaguejou algo sobre ela saber demais e estar no seu caminho, mas ficou nervoso e contido. Nunca havia se sentido assim. Sempre tão cheio de si com a influência que tinha sobre as mulheres, conquistando-as com sua aparência e fala macia, agora estava amedrontado e se sentia levemente frágil.

– Você também está no meu caminho Liam. – Ela respondeu desinteressada. – Atrás de mim na verdade. Com uma barra de ferro na mão, tentando fazer alguma idiotice. Se é isso que você quer… – Ela disse abrindo a bolsa – Toma, e me deixa em paz. – Disse jogando um frasco na direção dele que pegou no ar.

– Isso é…

– O liquido que você pediu. Em um tipo de garrafa que não pega oleosidade, logo não fica com marca de digitais. Quer mais alguma coisa ou vai tentar mais alguma estupidez? – Anne agora falava com um tom de voz pesado, sem paciência.

– Bem eu… você quer sair hoje?

– Liam… Vai a merda!

Anne virou as costas e voltou a andar, com passos rápidos. Liam guardou o vidro no bolso, largou a barra de ferro no chão e correu atrás dela que mais uma vez parou subitamente se virando para ele.

– Liam, me deixa em paz.

– Anne, qual é? Você é como eu… tem um objetivo e faz de tudo por ele. Somos alma gêmeas! Eu nunca fiquei correndo atrás de ninguém, e nunca me senti assim… Por favor, um jantar pelo menos…

– Primeiro – interrompeu Anne – que psicopata de araque você é que se “apaixona” pela primeira assassina que encontra, o que eu acho pouco provável que seja isso, afinal o que você quer mesmo é me tirar do seu caminho, mas Liam, eu não sou a Clara. Segundo, meu único objetivo nesse momento é ir para casa. Terceiro, eu não vou cair nessa de jantar para você ficar testando as suas coisas em mim e não seja idiota de mentir, dizendo que não é isso, porque é isso sim. Afinal somos “iguais”, com a leve diferença que eu chamo menos atenção que você. Além disso, até onde eu bem me lembro, acredito que o Boris tenha marcado algo com você hoje à noite, mas provavelmente ele não vai se importar com o atraso, pois o Leonardo deve ter feito ele ir no jantar junto com o sobrinho dele. E não Liam, eu não quero e não vou sair com você.

– Sobrinho? Então aquele cara…

– É Liam, só você não sabia disso? Ah é, você só se finge de gay. As meninas não pararam de comentar sobre os olhos dele. Enfim, se vira com suas estratégias aí.

Anne então voltou a caminhar, enquanto Liam ficou paralisado. Olhou para trás e pensou em voltar para pegar a barra de ferro, até ouvir Anne novamente um pouco mais longe.

– E se você está pensando em pegar a barra de ferro para me acertar, vai ter que admitir que você é um merdinha sem foco e todo o seu plano até agora foi inútil, pois você permitiu que seu objetivo mudasse, como um bandido qualquer.

Liam respirou fundo. Viu Anne sumir na escuridão, deixando a brisa da noite bagunçar seus cabelos. Havia uma nova informação que ele tinha que administrar. Ela tinha razão, ele não podia perder tempo com ela. Colocou as mãos no bolso e andou na direção contrária, sumindo também na escuridão.

juhliana_lopes 05-05-2016