Olhos verdes

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Era um ambiente novo, bem equipado e com cheiro de tinta. Camas devidamente arrumadas, lençóis limpos e refeitórios organizados. Estava tudo pronto. Andaram por mais alguns corredores, com os passos ecoando entre os espaços vazios. Pararam então no pátio, onde o sol entrava pela janela, iluminando parte do ambiente.

– Acho que não dura uma semana. – disse um dos doutores.

– O que disse? – respondeu o outro com a cabeça baixa.

– Bem Andy, é só você ver. Limpinho demais, organizado demais, pra quando eles chegarem bagunçarem tudo. Devemos admitir, são piores que crianças nesse quesito.

– Regis, olha eu não acho que devemos pensar assim. Estamos aqui para ajudar não é mesmo? – respondeu Andrew colocando a mão no ombro de seu amigo.

– Sim, mas isso não impede deles fazerem bagunça. E cara, meu nome nem é Reginaldo para você ficar me chamando de Regis… – respondeu Regulus dando as costas para o amigo.

– Sei lá cara. Fica estranho te chamar de “Reg”, parece que to falando de música de reggae… – Respondeu Andrew rindo.

Ouviram então o barulho no portão. Os primeiros pacientes estavam chegando e eles ajudaram as enfermeiras a acomodá-los. Alguns estavam assustados e foi preciso sedá-los para que se acalmasse. Outros, ficaram quietos, observando todos os detalhes. Alguns puxaram conversa, perguntaram tudo sobre o local, e ficaram animados em caminhar pelo pátio e aproveitar o sol ameno da manhã.

Porém, havia um que estava quieto demais. Entrou no quarto, sentou no chão e ali ficou. As enfermeiras estranharam e chamaram o Dr. Regulus. Ele entrou, se abaixou próximo do paciente, falou algumas coisas e saiu, dizendo para elas que não precisavam se preocupar.

O dia então se passou. Regulus atendia outro paciente quando as enfermeiras procuraram o Dr. Andrew.

– Doutor, estamos preocupadas.

– O que aconteceu?

– É o paciente do quarto 225. Ele chegou, sentou no chão e esta lá até agora. Não quis comer, não quer falar. Já chamamos o Doutor Regulus, e ele disse que não precisava a gente se preocupar, mas ele está quieto demais…

– Entendo. Vou dar uma olhada.

E então Andrew seguiu as moças até o quarto do paciente.

O paciente, que aparentava ser alto, quase 1,90, sentado no chão com as pernas cruzadas como se estivesse em posição de lótus, não gesticulava, não se mexia e nem resmungava. Mal respirava. Não quis trocar de roupa. Seu cabelo escuro na altura do pescoço, ocultava parte do rosto já que estava com a cabeça levemente baixa. Andrew entrou, com um sonoro boa noite e aguardou. Quando ia dar um passo para se aproximar, ouviu o paciente dizer em um tom de voz rouco e grave.

– Quem é você?

Surpreso, pois ele continuava de costas para a porta, respondeu.

– Sou o novo doutor. Andrew é o meu nome, mas pode me chamar de Andy se quiser.

– Não há nada para você aqui Andy.

A voz dele era profunda e pesada. A resposta era curta e grossa, mas mesmo assim Andrew se aproximou e sentou-se no chão, de frente para o paciente. Ele não levantou a cabeça, mas mesmo assim o bom doutor insistiu em falar com ele.

– Você gostou do seu quarto novo? Devia ver a cama, é bem macia! E você vai ter roupas limpas também, vai ser bem melhor. Gostaria de experimentar?

Andrew viu então o rapaz levantar levemente a cabeça e abrir a boca para lhe dizer alguma coisa, mas ele parou e ficou lhe encarando. Animado, tentou puxar novamente um assunto, mas logo foi surpreendido pelo paciente. Em um movimento rápido, ele levou a sua mão até o pescoço, e o prensou com o braço contra a parede, o levantando para deixar seus olhos na sua altura. O doutor, desesperado com a força do paciente, gesticulou para que as enfermeiras buscassem ajuda, já que ele não conseguia gritar. Andrew então viu que o paciente tinha olhos verdes. Grandes olhos verdes raivosos, semicerrados. Sua força era extrema e aos poucos ele sentia que perderia a consciência.

Regulus entrou batendo com o pé na porta e gritando:

– Diego, solta ele agora!

Diego, o paciente, assustado com o barulho tirou o braço, fazendo o doutor cair no chão. Regulus se aproximou de Andrew que ainda estava consciente. Quando se virou novamente para Diego, recebeu um golpe no estômago, caindo em cima da cama. Enquanto isso, Diego se voltou novamente para Andrew, montando sobre ele com as mãos em seus ombros.

– Onde está ela? – Diego falou alto.

– Eu… Eu não sei… De quem você está falando? – respondeu Andrew assustado.

– Ela está no outro prédio Diego! Solta ele, eu já te disse! – respondeu Regulus, tentando dar uma chave de braço no paciente.

– Por que ele tem os olhos dela? Você disse que só eu tinha os olhos dela! – disse Diego, um pouco choroso, enquanto Regulus o puxava para a cama para sedá-lo.

– Andrew, sai daqui! – ordenou Regulus. – Ele não tem os olhos dela. Os olhos dele não são verdes como os dela e nem como os seus. Só você tem, me ouviu? – Regulus disse, agora com um tom mais doce, olhando para Diego, enquanto preparava o remédio.

– Eu quero ela aqui. Eu quero vê-la! – Diego, ainda com o tom grave, falava como uma criança mimada.

– Ela vai vir te ver ok? Mas não hoje e nem amanhã, mas eu prometo pra você que quando ela vir, você vai ser o primeiro a saber. Agora dorme… – Disse Regulus calmamente enquanto aplicava a injeção.

Enquanto isso, do lado de fora, Andrew esperava assustado, sem entender muita coisa. Regulus saiu, e o levou até o refeitório.

– Quem é esse cara? – perguntou Andrew enquanto tomava um copo de água.

– Um paciente antigo do outro prédio. Tivemos que tirar ele de lá.

– Quem é a moça dos olhos verdes que ele falou?

– Uma paciente. Da ala feminina, os dois ficavam próximos no eventos de família que fazíamos com os pacientes bonzinhos.  Ela adorava ele, e os dois estavam realmente progredindo. Até que um dia apareceu um outro paciente de olhos claros, mas os dele não eram verdes de verdade. Esse cara começou a perseguir a moça nas festas e Diego percebeu. Quando ele viu que o cara tinha olhos claros, associou que era verde e tentou arrancá-los, dizendo que somente ele poderia ter os olhos dela. Ali ainda conseguimos controlar a situação, mas então… – Regulus fez uma pausa fechando os olhos.

– O que aconteceu Regis?

– Bem, esse paciente novo, tentou prender a moça no quarto dele. Diego ouviu os gritos dela e ficou completamente insano. Ele salvou a moça, entregando ela sã e logicamente muito assustada para as enfermeiras. Já o rapaz…

– O que ele fez? Conta logo cara! – disse Andrew ansioso.

– Ele quebrou os braços do outro cara Andy. Mas não quebrou como qualquer um quebraria. O ortopedista que examinou disse que parecia que um caminhão havia passado por cima dos ossos dele. Tiveram que colocar uma placa de titânio para tentar consertar. Além disso, ele tentou arrancar os olhos do cara de novo e não conseguiu, mas deixou cicatrizes pelo rosto do paciente. Por isso que esse novo espaço foi agilizado. Para que ele pudesse ficar longe.

– Regis, eu… Eu podia ter morrido ali.

– Por isso eu falei pras enfermeiras pra ficar tranquilas que iria ficar tudo bem, só esqueci de avisar a você pra ficar longe dali.

– Agora eu já aprendi a lição.

– Espero que sim.

Andrew terminou a sua água e continuou a olhar os outros pacientes. Regulus verificou como Diego estava e conversou com as enfermeiras.

No fim da noite, Andrew passou pelos corredores para ver quais pacientes estavam dormindo. Passou então pelo quarto de Diego e olhou rapidamente pela janela da porta. Não havia ninguém. Pensou em chamar Regulus para olhar, mas talvez não houvesse tempo. Abriu a porta rapidamente para ver se não tinha sido apenas impressão mas não havia ninguém.

– Ah, merda! Onde ele foi parar? – Andrew falou baixinho, olhando embaixo da cama e no banheiro. – Onde será que ele está?

– Aqui. – respondeu Diego, dando uma chave de braço em Andrew e tampando seu nariz e boca com a outra mão. – Agora fica quietinho que eu prometo que não vai doer nada.

Regulus correu o mais rápido que pôde quando ouviu os gritos dos pacientes da ala leste. Apertou o passo quando ouviu os gritos de Andrew e parou subitamente quando ouviu a risada macabra de Diego.  De fato, os olhos dela eram somente dele.

juhliana_lopes 03-04-2016

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Paciente

10494863_732063346852960_6922425367116091794_nEle estava aflito. Ainda não sabia bem como havia se metido naquela confusão, mas sabia que não havia feito nada de errado. Aquilo estava consumindo suas ideias e então quando se deu conta, estava tão frágil que precisou ser internado. Aproveitou a estadia para descansar. Não era tão ruim quanto achava, pelo menos não naquela parte de “internos temporários”.

Quando a agonia não cabia mais no peito, resolveu ir até a sala que era temida por muitos para tentar desabafar.

– Eu tenho muitos sonhos sabe? A melhor parte de dormir é sonhar. Eu pareço e me vejo como uma criança porque tenho muitos sonhos bobos. Eu acho incrível, eu gosto muito. Esses dias mesmo, eu sonhei que havia uma bola num pedestal. Eu simplesmente chegava perto, ficava olhando, e depois com uma tapinha leve, fazia a bola bater na parede. Depois, quando ela parava no chão, eu ficava chutando de um lado para o outro brincando feliz. Hilário. Outro dia, sonhei que estava numa rua com outras crianças, e então, surgiam algumas trincheiras e tudo parecia ter sido transformado num campo de batalha. Nós havíamos nos transformado em soldados, e estávamos lutando por nossas vidas, porém as armas eram de água. Era como se a brincadeira tivesse ganhado mais realidade, mas ainda éramos crianças brincando com arminhas de água. Foi muito divertido, lembro que consegui render um amigo meu e jogar água molhando o rosto dele, e logo depois eu batia com a arma na cabeça dele bem fraquinho, imitando os caras dos filmes quando querem que o outro desmaie. – dizia ele um pouco sem graça.

– Você se sente bem com esses sonhos? – ela olhava em seus olhos quando perguntava, com um tom imparcial. Não estava ali para julgar, muito menos questionar, seu trabalho era apenas ouvir.

– Sim, muito, acho que nunca tive um pesadelo, nada nunca dá errado nesses sonhos, é muito bom, sobretudo brincar sem se preocupar…

– Você levanta durante a noite ou dorme direto? Já aconteceu algo de estranho?

– Não senhora. Tenho o sono pesado, então quando eu durmo, não levanto mais pra nada. A única coisa estranha que acontece é que eu nunca acordo do mesmo lado que eu fui dormir. Acho que me mexo muito a noite, mas nunca percebi nada… Acho que é algo normal, considerando que muitas pessoas… – ele dizia até que foi interrompido por homens grandes que entraram na sala como furacões já o agarrando pelos braços.

– PRENDAM ESSE ANIMAL! – dizia um homem baixinho meio gordo com óculos no meio do nariz.

– Mas o quê? – ele olhava em volta assustado, enquanto a doutora tentava apaziguar.

– Senhor, mantenha a calma, não vejo necessidade para tal ação, acredito que…

– Doutora, como não tem necessidade? Sabe de quais crimes esse seu “paciente” é acusado? – o homem baixinho falava apressado com o dedo apontado para o homem.

– Ei, me solta… – ele tentava se soltar, mais uma vez a doutora tentava falar em seu socorro.

– Senhor, o meu paciente…

– Ele é acusado de agredir uma pessoa na rua, sem motivo aparente, jogando a cabeça dela contra a parede e depois, assim que ela caiu no chão, chutar repetitivamente, deixando o rosto todo machucado. Ele também é acusado de perseguir pessoas na rua e depois de encarar assustadoramente um rapaz, derrubá-lo no chão, apontar uma arma em seu rosto e atirar, explodindo a cabeça do indivíduo. Isso sem falar em vários outros crimes! – dizia o homem ora arrumando os óculos, ora gesticulando como se o mundo fosse acabar.

– Isso é mentira, eu nunca fiz isso! – gritou desesperado, não havia feito àquelas coisas, e estava com medo dos brutamontes que apertavam seus braços com mãos firmes.

– Senhor, ele é sonâmbulo… – disse q doutora calmamente, mantendo o tom imparcial.

– Doutora, com todo respeito, você está brincando comigo? Acha mesmo que eu vou ser que nem você e cair nessa mentira dele?

– Não é mentira senhor. Ele dorme a noite e sonha. Os sonhos se mostram infantis pra ele, mas na verdade refletem as ações que ele realiza durante o sono. – ela tentava explicar.

– Não querendo lhe ofender Doutora…

– Mas já está ofendendo. Você está abusando da sua autoridade, primeiro porque não tem um mandado oficial, segundo porque ele é um paciente em tratamento, logo visto suas condições mentais, a justiça permite que ele cumpra a pena, depois de condenado aqui no hospital. Agora se puder soltar o meu paciente antes que eu chame os seguranças, eu agradeço. – Disse por fim num tom firme e autoritário. Era como uma professora dando uma ordem a um aluno, que não queria lhe dar ouvidos. De certo modo soava ameaçador e fez com que todos se calassem por alguns longos minutos.

– Você vai se arrepender disso… Vamos rapazes, vamos deixar que ele a mate, assim ela aprende a parar de proteger bandido! – Saindo da sala frustrado, com os guardas logo atrás como cães.

Mais sem graça do que quando entrou, não tinha mais coragem de encarar a doutora, mas sabia que precisava falar alguma coisa.

– Ah… Obrigado doutora.

– De nada, mas não tem porque me chamar de doutora. – ela disse num tom amistoso.

– Mas a senhora é a minha médica não é?

– Não. Sou uma interna como você. Eu estava tentando pegar alguns remédios escondidos quando você chegou aflito querendo conversar então eu parei pra te ouvir. Mas cuidado, eles podem voltar…

– Interna?! Por que você está internada aqui? – disse surpreso.

– O mesmo que você, a diferença que é que fazia isso quando estava bêbada, e como eu era uma viciada, isso acontecia com certa frequência…

– O mesmo que eu? Como assim? Quer dizer que eu matei mesmo aquelas pessoas? Eu não matei ninguém, eu… – mais uma vez confuso e sem entender porque estava sendo acusado daquilo sendo que nem havia feito nada, mas ao mesmo tempo com um sentimento de culpa como se por fim percebesse que talvez ele fosse realmente o culpado.

– Relaxa, você acostuma, no seu caso só precisam trancar o seu quarto e fica tudo bem… Olhe, eu mesma… – ela explicava até ser interrompida por outra voz feminina vindo da porta aberta.

– O que você está fazendo com meu jaleco?

– Bem, tenho que ir… – disse ela saindo em disparada.

A outra mulher, se, jaleco e com um crachá nas mãos, o cabelo preso em um coque, olhava abismada para ele e para o corredor por onde a moça havia sumido, falando alto.

– Ei mocinha, espere ai! O que ela aprontou afinal? Ei, o que há com você? Ela fez alguma coisa com você? – disse por fim, se aproximando dele.

– Não… Na verdade, eu só preciso dormir um pouco…

 

juhliana_lopes 27-06-2014

Sem efeito

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Era o terceiro caso só aquela semana. Era simplesmente estranho. Foi só voltar das férias que seu consultório estava um caos. Pra tornar tudo mais bizarro, aparentemente todos os seus pacientes estavam passando pela mesma virose.

Os sintomas eram sempre parecidos, dor no estômago, diarreia, vômitos… Por mais remédios que receitasse, só havia uma pequena calmaria, porém depois os sintomas voltavam com força.

E pensar que há alguns dias ele estava numa praia com a família curtindo tranquilamente. Passou anos extremamente ocupado com seus afazeres, contado com a ajuda apenas do seu melhor amigo para atender os pacientes e finalmente conseguiu um descanso. Foi notável seu amigo se oferecer para ficar cuidando de seus pacientes para que ele pudesse descansar. Agora seu amigo merecia a folga e ele iria trabalhar dia e noite para descobrir o que estava causando aquela contaminação geral.

Por mais que perguntasse, todos negavam ter comido algo diferente ou estragado. Um ou outro assumia que tinha comido algo na rua, porém, não parecia ser apenas uma intoxicação alimentar. Ainda que fosse, como aquilo afetaria todos de uma vez?

Resolveu então procurar alguns pontos em comum, lugares onde as pessoas mais frequentavam que pudesse ser igual ao de outras pessoas assim e talvez com isso definir um mapa de lugares “estragados”.

Estava exausto, não conseguiu parar um só minuto em seu primeiro dia depois da folga. Lembrou de quando estava se formando com seu melhor amigo. Das promessas, expectativas. Claro que no começo não foi aquilo tudo que ele esperava, mas ainda sim, conseguiu ser melhor do que ele poderia ter imaginado. Mesmo quando tudo parecia que ia dar errado, ele e seu amigo conseguiam dar um jeito.

Sentou sem postura e colocou as mãos sobre a cabeça respirando fundo olhando para o alto. As férias tinham sido perfeitas. Desde que comprou o espaço e montou o consultório, não havia tido mais tempo pros filhos e nem pra mulher. As férias, vieram em boa hora e serviram para compensar de certa forma todo o tempo perdido. Conseguiu conhecer seus filhos novamente, saber do que eles gostavam e apoiá-los.

Conseguiu reconquistar a sua mulher também, o amor dos dois que antes estava frio, agora voltou a queimar em paixão como sempre foi. Tudo estava perfeito. Ou deveria estar. O cansaço estava vencendo e então resolveu tomar alguns dos seus comprimidos pessoais para relaxar e foi para casa.

Mais uma árdua semana trabalhando para tentar descobrir o que estava acontecendo com seus pacientes, porém, agora ele também começava a ficar doente. Contagioso? Como se não conseguia descobrir nem a causa. Se medicava e medicava os outros. Assim como todos, tinha dias que parecia que ia melhorar, enquanto outros estava ruim de novo.

Quando o mês acabou, mesmo tão doente como seus pacientes, continuava atendendo e ficou feliz por saber que seu amigo voltaria das férias dele e poderia lhe ajudar.

Mais um dia se passou, e agora trabalhando juntos, eles tentavam descobrir a cura, porém ao fim de mais um dia, quando o nobre doutor sentou para descansar e tomou um de seus remédios, percebeu o olhar sério de seu amigo.

– O que foi?

– Desde quando você tá tomando isso?

– Desde que voltei, eu sempre tomei eles pra relaxar, são fracos lembra?

– Sei…

– Para, não vai querer dizer agora que eu to viciado…

– Não é isso, é que eu não queria atingir você…

– Como assim me atingir?

Foi realmente um susto. A frieza com que ele falava, parecia que tudo era tão simples e fácil, e ao perceber e analisar, foi realmente e agora ele também estava combinado.

Enquanto estava fora, seu amigo se encheu dos pacientes sempre bondosos e adoráveis, e então, alterou todas as composições de seus remédios, fazendo placebos com doses pequenas, abaixo da dose letal de ricina, e misturando os comprimidos modificados aos comprimidos normais de seus pacientes. Passou dias apenas alterando todos os remédios e os distribuindo. Porém esqueceu que um deles era o que seu amigo tomava.

Agora ele estava condenado assim como todos os outros paciente e seu amigo, não parecia nem um pouco preocupado.

– Seu monstro, como você pôde!

– Pelo menos você aprendeu a tomar remédios direito. E eles também.

Antes que ele pudesse sair pela porta para denunciá-lo, sentiu seu estômago sendo perfurado e depois vários outros golpes de faca até ficar desacordado.

Hoje, os pacientes continuam doentes. Outros morreram e a mulher ainda procura seu marido desaparecido, seu amado doutor, enquanto outros pacientes continuam recebendo os remédios sem efeito.

 

juhliana_lopes 22-01-2014