Desejo

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A brisa leve bagunça meus cabelos enquanto te espero.

Meus pensamentos voam lembrando de nossos momentos.

Seus olhos me intimando, que observam tudo,

Que me deixam sem graça sem dizer qualquer palavra.

Seus braços que me tomam para si, de forma tão acolhedora,

Seu toque suave que me faz arrepiar,

Suas mãos quentes que fazem minha pele ferver.

Enquanto te espero, consigo sentir o gosto do seu beijo,

E sou capaz de ouvir suas palavras sussurradas em meu ouvido.

Quando estou com você, me sinto tão bem,

É como se o tempo não precisasse passar.

Cada momento ruim parece sem importância,

E cada segundo parece muito, longe de você.

Me sinto nas nuvens ao seu lado,

Uma liberdade que há muito eu não podia sentir.

Eu poderia pedir para me conter, para me controlar,

Mas ao seu lado, eu não penso em limites.

Algo em você faz eu me sentir leve,

Pronta para arriscar, pronta para seguir.

Algo em você me faz querer coisas que eu nunca pensei.

O cheiro do seu perfume, a forma como você sorri,

Tudo faz sentido em você.

A brisa leve bagunça meus cabelos enquanto eu te espero,

E seu olhar perturba a minha mente,

Pois é você que eu desejo,

É só você que eu quero.

juhliana_lopes 27-02-2017

Tentação

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Rick estava entediado. Fazia muito tempo que não aprontava nada e hoje, estava sentado num bar decidido a fazer algum que fizesse sua noite valer a pena. Olhou ao redor, havia muita gente. De repente se formasse uma briga, em poucos segundos o bar todo viria abaixo. Há muitas garrafas, sempre quebram garrafas e “sem querer” alguém poderia pegar uma delas e passar no pescoço de alguém. Ele então se deu conta de que estava fazendo uma cara de doido, com isso, soltou um riso baixo , tomou um gole de sua cerveja e ficou olhando a rua no lado de fora.

Havia algumas casas noturnas na mesma rua, então ela estava cheia de gente indo de um lado para o outro falando alto e bebendo, se preparando para virar a noite. Rick estava cheio dessas pessoas. Vazias, superficiais e completamente descartáveis era o que ele pensava, mas era óbvio que ele também era uma delas, afinal, se fosse o contrário ele não estaria em um bar e sim com a sua família que logicamente, não existe.

Rick se sentia um pouco inferior a outros homens, afinal ele mesmo nunca teve sorte com mulheres. Na verdade ele poderia ser considerado um pegador, pois nunca lhe faltava uma companhia para passar a noite, porém, pela manhã elas sempre iam embora. Rick era bom com mulheres, mas não com namoradas. Ele sentia uma ponta de inveja daqueles caras que iam pra casa numa sexta a noite animados, porque tinham uma mulher lhes esperando, e na manhã seguinte elas lhe preparariam um belo café da manhã. Rick sentia falta de uma companhia para a vida toda, mas como sempre foi um homem muito prático, quando se sentia assim, ele simplesmente saia de casa e ia beber. Dependendo da quantidade, isso lhe rendia pelo menos uma semana sem pensamentos desse tipo e claro, uma bela ressaca seguida de lembranças das confusões que arrumou.

Acabou se perdendo em pensamentos novamente. Com a quantidade de pessoas passando pela rua, seria muito fácil para ele roubar uma garrafa de alguma mesa, sair correndo e quebrá– la na primeira pessoa que encontrasse pela frente. Seria simples e no mínimo engraçado, para ele. Mais risos soltos e mais goles, até secar a caneca.

Rick era um cara pacífico. Extremamente alguns diriam. Resiliente, sempre pensando em atitudes melhores, em formas de resolver as questões sem conflito. Paciência era um de seus dons, e claro, ele nunca se estressava. Porém, era cheio de pensamentos insanos e era só beber que ele dava espaço para que eles se libertassem, ainda assim, durante as ressacas nunca se lembrava de nada grave a não ser alguma confusão isolada, sem vítimas que acabavam com ele chorando no chão pedindo perdão.

Ele queria mais do que isso. Já passava da casa dos 30 e sentia que não tinha feito de significativo. Queria mais e sabia que podia, ele só precisava do primeiro passo. E ele deu, porém foi um passo para fora do bar. Enquanto caminhava durante a noite, desviando de pessoas bêbadas e apressadas, acendeu seu cigarro. Não gostava de fumar, mas o fazia depois de adquirir um leve vício, motivado pelos fumantes do trabalho. Eles podiam sair sem pausas programadas para fumarem do lado de fora, e mesmo que fosse por cinco minutos, parecia muito interessante sair assim a hora que queria. Logo ele também era um fumante, porém ficava apenas com o cigarro na mão conversando com os outros. Devido os olhares dos monitores, ele teve que aprender a fumar para continuar com suas saídas. Só fumava no trabalho, ou quando se sentia entediado, exatamente como naquela noite.

Andou pelo menos uns três quarteirões, até que conseguisse andar pela calçada sem desviar de ninguém. Andou mais até ficar completamente sozinho. Caminhando devagar, ouvindo o movimento da vida noturna sumir pouco a pouco atrás dele, foi surpreendido por um barulho vindo em sua direção. Com a cabeça baixa, viu sapatos de salto alto pretos, e conforme foi levantando o olhar, observou pelas pernas. Era uma moça linda, com um vestido preto. Ela tinha a pele branca que se destacava com as luzes da noite, e tinha o cabelo comprido, jogado de lado, que ocultava parte do seu rosto. Não olhou para ele, parecia muito concentrada olhando o celular enquanto caminhava depressa. Ela seguiu caminhando, indo em direção as casas noturnas e ele a teria ignorando sem problemas, como muitas que passaram por ele naquela noite, mas esta estava usando um perfume extremamente inebriante.

Ele simplesmente a seguiu. Se ia fazer alguma coisa hoje, seria levar aquela mulher para sua casa, nem que para isso ele precisasse brigar com alguém – no fundo, ele não sabia dizer se estava mais interessado na moça ou na possibilidade de uma briga.

Ela andava rápido e sem qualquer problema pra quem estava com a cara no celular. Desviava com destreza e ele trombava com um e outro para não perdê-la de vista. Até que ela subitamente virou e ele trombou com mais um rapaz para acompanhá-la. Era uma boate grande, e as luzes que piscavam sem parar, fariam terror a um epilético. Ele por sua vez, desviando de um e de outro, conseguiu chegar até a bela moça, que continuava com a cara no celular. Ela estava encostada num balcão, esperando um barman fazer a sua bebida. Ofegante, Rick se aproximou, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, ela disse sem tirar os olhos do celular:

– Que pique pra quem não está interessado.

Rick ficou confuso por um momento, e só conseguiu pedir pra ela repetir.

– Eu vi você lá atrás. Correu muito pra quem não vai conseguir nada. – Ela disse em um tom frio.

Recuperando o fôlego, Rick entendeu que ela já estava lhe dando um fora, porém, ao mesmo tempo continuava confuso: Como ela o viu se nem ao menos olhou pro lado? De qualquer forma, não iria sair por baixo, aquele perfume era bom demais para ele ignorar.

– Você podia ao menos esperar eu fazer a proposta para me dar um fora. – Ele respondeu com um sorriso no rosto.

– Então faça. – Ela disse em um tom sério, pela primeira vez levantando o rosto. Ela era mais linda do que ele imaginava. Atordoado com aquela beleza, ele só conseguiu dizer:

– Eu queria te convidar pra ir pra minha casa e não sair de lá nunca mais.

Ela fez um leve olhar de espanto, mas sorriu. Um ponto pra ele.

– Isso é algum tipo de sequestro? – Ela disse em um tom mais leve levantando uma sobrancelha.

– Eu… – Ele pensou um pouco só então percebendo o que tinha dito. – Espera, eu não quis dizer dessa forma… Caramba… – Ele tentou organizar seus pensamentos, um pouco sem graça. – Quero te convidar pra ir em minha casa, porque eu quero ter você pra mim, mas não só hoje, todos os dias, pra sempre. – Disse um pouco mais confiante.

Ela riu. Ele ainda estava um pouco confuso sobre isso ser bom ou ruim, mas pelo menos ela havia parado de olhar no celular.

– É pior do que eu pensei. Você está me pedindo em casamento? – Ela disse, rindo.

Ele relaxou e riu também e então arriscou pegar na mão da moça, que era um pouco fria.

– Se você entender desta forma, eu vou ficar imensamente feliz. Você é muito linda!

Ela abaixou levemente a cabeça com certa graça medieval e disse:

– Obrigada, mas acho que preciso saber das suas qualidades antes. – Ela respondeu fazendo cara de séria, porém abriu um sorriso logo em seguida.

Rick, um pouco mais confiante falou de seu trabalho e seus passatempos, além de claro, ocultar seus pensamentos insanos que naquele momento, não faziam mais sentindo algum. Como se lesse seus pensamentos, ela disse:

– Parece bom, mas acho que não posso ir com você. Nada me garante que você não seja um maníaco psicopata querendo me usar nos seus planos malignos.

Apesar da risada dela que veio em seguida, a frase lhe deu um pouco de impacto. Ele disfarçou, mas resolveu reverter o papo

– Bem, você pode ir ao meu trabalho e todo mundo vai confirmar que eu não sou um doido. – Ele riu. – Mas e você, quem me garante que você não é uma louca, querendo roubar meus órgãos, disfarçando para que eu fique interessado? – Ele disse com um tom de deboche.

Ela então se aproximou dele, com o rosto bem perto e as bocas quase se tocando. Então ela disse bem suavemente:

– Eu garanto que não sou…

Depois, ela voltou ao seu lugar e o ficou olhando fixamente. Era um olhar sedutor, penetrante, sem pudor. Rick se viu novamente enfeitiçado, por aqueles olhos, aquele perfume e aquela boca… Ah, aquela boca, tão perto da sua. Ela ainda o estava olhando quando ele pegou em sua mão e a guiou para fora. Ela não relutou, não perguntou, nem fez piada. Apenas o seguiu.

Eles seguiram em silêncio, andando e se afastando da movimentação, até que ela o puxa para um beco. Ele, surpreso tentou questionar, porém foi calado por um beijo. Um beijo intenso, daqueles que começam devagar e vão tomando conta, tirando o juízo de qualquer um. Ele nunca havia sido beijado assim.

As mãos começaram a dançar, ainda sem interromper o beijo, que já estava acompanhado de respirações profundas. Ele explorava o corpo da bela dama, que mesmo com o vestido, demonstrava as curvas que ele queria se perder durante a noite toda. As mãos delas pareciam nervosas. Arranhavam seu peito, entravam pela camisa até chegar as suas costas, ele sentia suas unhas lhe rasgando pouco a pouco e mesmo com a leve dor, ele sentia um prazer indescritível.

Os amassos dos dois naquele beco escuros estavam ficando cada vez mais intensos e ele já se preparava para tirar a camisa. Ela se afastou um pouco, e enquanto Rick arrancava sua roupa, sentiu uma fisgada na costela. Diferente das unhas, essa entrou profunda e ele só pode sentir o frio da lâmina se aquecer com seu sangue quente. Olhando para ela sem entender o que estava acontecendo, gemeu abafado quando a faca saiu lhe deixando apenas um buraco.

A moça bonita, mais linda ainda a meia luz do beco, colocou a mão em seu ombro e começou a morder e lamber sua orelha. Por um momento ele se esqueceu da dor e começou a se entregar para ela novamente que passava a mão que antes estava no ombro, por todo o seu corpo com volúpia. Então, quando Rick sentiu ela mordendo seu lábio suavemente, sentiu uma nova fisgada, no seu estômago. Além da dor, desta vez ele começou a sentir que seus sentidos também estavam se perdendo, pouco a pouco conforme o sangue escorria. Desta vez, ele reagiu dizendo:

– Você é louca? – Ele tossiu e cuspiu sangue. – O que pensa que está fazendo?

– Eu? Nada demais, estou fazendo o meu trabalho. – Ela respondeu calmamente, enquanto limpava a faca com um lenço.

– Você não disse que não era uma maníaca? Que garantia que não era louca? – Rick gritou enquanto continuava a cuspir sangue e perdia a força nas pernas, sentando pouco a pouco no chão se apoiando na parede.

– Mas eu não sou uma maníaca. – Ela respondeu surpresa.

– Então o que é isso? – Rick gritou nervoso, cuspindo sangue.

– Isso, não é nada. – Ela disse se aproximando e se abaixando para olhar em seus olhos. – Eu não sou uma maníaca Rick… – Ela passou a mão em seus cabelos – Eu sou a morte. A sua morte Rick. Eu só vim fazer o meu trabalho. – Sua voz era pesada e seu tom era frio.

Rick não conseguiu dizer mais nada. Apenas a olhou apavorado e suspirou profundamente pela última vez, buscando o ar que de repente ele tinha perdido.

juhliana_lopes 04-02-2017

Fome

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Hoje vaguei pelas ruas vazias a sua procura. Pela noite adentro iluminada pela lua, segui por ruas e becos, desviando de gatos e sacos de lixo. Ocultando-me nas sombras, observei o movimento dos andarilhos noturnos. Não te encontrei e nem poderia. Um cheiro de cigarro me atraiu, me fazendo suspirar fundo. Não era seu e nem poderia, afinal, nem fumar você fuma. Caminhei mais um pouco, me equilibrando no meio fio com a brisa leve da noite bagunçando meus cabelos. Com mãos leves tirei as mechas de cabelo do rosto, sem parar com meus passos silenciosos. Parei então sob uma ponte, observando o vazio da avenida abaixo. Mais cedo, havia muitos carros que quase não se podia ver o asfalto, mas àquela hora, não havia ninguém.

Senti fome. A mesma fome que me fez sair à noite à sua procura. Continuei a caminhar até voltar para minha casa. Abri a janela de modo que o luar pudesse iluminar o ambiente com sua luz tênue e delicada. Sentei-me no chão e com o celular observei suas fotos. A linha leve do rosto, a curvatura dos ombros, e os seus olhos inebriantes.

Minha fome era maior, e meus instintos selvagens. E só você poderia saciá-la. Fui até a janela novamente, olhei a rua escura e ouvi um cachorro uivando. Libertei-me da forma mortal e voei pela noite, até a sua casa. Sua janela não estava totalmente fechada, então abri com cuidado para não te acordar e comecei a observar seu sono.

Sua respiração tranquila, sua feição de paz. Totalmente vulnerável, totalmente a mercê de qualquer um que pudesse estar ali naquele momento. Seus olhos fechados ocultavam a cor de mel, escura à noite e totalmente clara durante o dia. Um anjo, inocente e sozinho, dormindo calmamente.

Poderia te observar até o amanhecer, mas eu estava com fome. Poderia te poupar, mas minha vontade era maior. Tive todo o tempo do mundo para guardar suas lembranças, e o seu jeito, agora era a minha hora de me saciar.

Subi sobre você com cuidado, pois queria prolongar o momento. Com o rosto perto do seu, senti sua respiração em meu pescoço, e respirei fundo para que sentisse a minha também. Distrai-me e então quando olhei para o seu rosto, seus olhos me encaravam sem qualquer surpresa. Tentei sair e te atacar, mas seus braços já me envolviam e fui tomada por seus lábios em um beijo ardente. Você sabia que aquela seria a última noite, então procurou aproveitar da melhor forma.

Explorando seu corpo, sentia seus arrepios a cada toque, principalmente quando minhas unhas arranhavam levemente a sua pele. Você mordia meus ombros com delicadeza, e puxava meus cabelos pela nuca com um toque único e forte. Peguei então seu braço, e mordi seu pulso. Seu sangue começou a jorrar e me deliciei com aquele néctar dos deuses.

Minha fome só aumentava, me fazendo ficar mais ansiosa e desesperada. Entreguei-me completamente a você e depois de te saciar, foi a minha vez de ficar satisfeita. Comecei pelos olhos, que me encaravam enxergando o mais fundo de minha alma vazia. Os mesmo olhos que já haviam visto tantas histórias. Os mesmo olhos que me encararam pela primeira vez, e não se perdeu dos meus nunca mais. Depois abri seu peito, separando as costelas para tirar seu coração. Seu corpo ainda quente fazia o sangue jorrar por toda parte e com cuidado, recolhia boa parte dele em minha taça. Aquele sangue mais doce que um vinho envelhecido, que agora a pouco fervia de prazer, saciava por fim a minha sede. Seu coração eu guardei com cuidado em uma caixa com seu nome, o mesmo coração que você outrora me prometera. Agora ele era meu, para todo o sempre. Suas vísceras, sua carne e sua pele, saciaram então, por completo a minha fome pelo seu ser. Enfim saciada, e com o nascer do sol era hora de retornar a forma mortal e começar uma nova caçada. Era preciso um novo voo para buscar um novo você, para buscar novos olhos cor de mel. Uma nova caçada, para saciar a fome que em breve voltará.

juhliana_lopes 24-03-2016

Mulher perfeita

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Depois de sair do banho, ela passou o seu perfume favorito. Pegou o celular e se deitou na cama, ainda de toalha. Ficou observando a foto dele mais uma vez, e era realmente um cavalheiro. Olhos de mel, lábios desenhados com uma barba levemente cerrada, revelando suas vaidades. Haviam se conhecido há um tempo pela internet, e se encontraram algumas vezes em eventos com amigos. Sempre muito educado, era também um comediante nato com suas piadas inteligentes. Não precisava fazer nenhum esforço para chamar atenção pois, só com a sua presença ele já era notado. Foi só há três meses que começaram a ficar mais próximos e então resolveram marcar um encontro, só os dois, para “se conhecer melhor”.

Ela estava animada, afinal ele era perfeito e a noite prometia. Levantou-se, e começou a se vestir. Escolheu um vestido azul para a noite, que além de uma cor forte, marcava bem o seu corpo, valorizando suas curvas. Depois, foi se maquiar, de olho no relógio para não se atrasar. Gostava de se admirar no espelho antes de um encontro, e fazia muito tempo que ela não tinha nenhum. Seus cabelos negros, presos estrategicamente para parecer bagunçados, de um jeito levemente sensual. A sombra degrade indo do preto ao lilás, deixando seus olhos em destaque, e um leve blush rosa para dar uma leve tonalizada em sua pele alva. Finalizou então com um batom vermelho, que ela esperava que não durasse a noite inteira.

Levou um leve susto com a buzina, mas desceu alegre por ele também ser extremamente pontual. Ele, estava perfumado e muito bem arrumado em trajes sociais, e abriu a porta para ela com delicadeza. Usava uma camisa social  cinza chumbo, com uma calça preta, que além de dar a impressão que ele era mais alto, o deixava extremamente sexy. Não quis deixar claro as suas intenções, e muito menos parecer desesperada olhando para ele toda hora, mas percebeu que ele também não conseguia ficar sem admirá-la por muito tempo.

Durante o jantar a troca de olhares ficou constante, mas aos poucos ela percebeu que sem os amigos, eles não tinham tanto assunto assim, em todo caso, ela sempre puxava outros assuntos animada, na esperança de não deixar a noite morrer. Ele também não estava disposto em deixar a desejar, e tentava impressioná-la com pedidos elaborados e muito vinho. Quando o jantar terminou, ele a convidou para ir em sua casa, e ela sem fazer nenhum charme, aceitou, afinal a noite não poderia terminar ali de maneira nenhuma. No carro novamente, ele olhava descaradamente com desejo para ela, e isso estava fazendo ela sentir calor, pois seu desejo também estava escancarado, só esperando um lugar adequado. No fim das contas, era muita expectativa e ela esperava que nada desse errado.

Na casa dele, ficou feliz em ter a certeza de que ele morava sozinho e a noite seria só deles. Acompanhado de mais vinho, ele a beijou suavemente pela primeira vez. O corpo dela estremeceu e se arrepiou, e logo os beijos foram ficando mais intensos e íntimos. As mãos dele começavam a explorar o corpo dela, e ela ia se entregando cada vez mais. Deitados no sofá, o corpo dela ia ficando pequeno para o tamanho dele, que a apertava forte em sua cintura, e entre os beijos, mordia levemente o seu pescoço. Ela começava a gemer baixinho e ficando mais a mercê. Ele a virou de bruços no sofá, deitando-se sobre ela e enquanto uma mão puxava seu cabelo, a outra acariciava a sua coxa. Ela mordia os lábios e ele mordia a sua nuca com os corpos colados, desejando cada vez mais se livrar das roupas.

De repente, ele parou e pediu para que ela esperasse um pouco, e correu para o quarto. Ela já estava muito excitada com a situação, mas esperou, afinal, é sempre bom ir devagar. Logo ele pediu para que ela entrasse no quarto também, e ela foi. Ele estava no banheiro e pediu para ela ficar a vontade no quarto. Ela viu pétalas de rosas no chão, e não quis comentar sobre um vidro de álcool comum deixado em cima do criado mudo. Ela sentou-se na cama e logo ele voltou com a camisa aberta. Tomou os pequenos pés em suas mãos e foi tirando as sandálias dela enquanto beijava seus pés. Ela agora se deitava na cama, gemendo um pouco mais alto, querendo arrancar logo as roupas de ansiedade.

Quando finalmente ele tirou o seu vestido, revelando uma lingerie roxa de renda, ela resolveu tomar conta da situação e o deitou na cama, se livrando da camisa dele, e abrindo seu cinto. Ele então se permitiu a um gemido abafado enquanto ela beijava a sua barriga, lambendo com movimentos circulares. Porém, antes que ela pudesse deixá-lo nu, ele pediu um momento novamente, e foi ao banheiro. Ela estranhou mas esperou, paciente.

Ele retornou então com uma corda e uma faca na mão, junto com um sorriso maníaco. Ela, levemente pálida de susto, deu um riso nervoso, perguntando o porquê daquilo. Ele riu com ela e colocou as coisas em seu colo, perguntando a ela o que poderia doer mais.

– Como assim Rafa? Você está louco?

– É sério Beck, me diz. Qual você acha que machuca mais? Por que ó, se você reparar, a faca abre uns cortes né? Então dói, mas a corda, colocando direitinho no pescoço, faz a pessoa sufocar, com isso ela acaba sofrendo mais pra morrer… Não quero te influenciar, mas escolhe um que você achar mais legal! – Rafael dizia animado colocando as mãos sobre as coxas dela.

– Rafa tira isso daqui! – Respondeu Rebeca tirando a corda e a faca de seu colo, jogando para o lado. – Eu vou embora! – Disse ela pegando suas roupas do chão.

Rafael a puxou então, jogando-a na cama, subindo sobre ela, beijado-lhe o pescoço. Ela queria resistir, afinal que palhaçada era aquela? Alguma tara sexual grotesca? Mas a verdade é que ela estava rendida pelos seus beijos.

Podia-se dizer que estava em verdadeiro transe mental com ele por cima, em contato com seu corpo quente, prestes a unir seus corpos, mas quando ele sussurrou em seu ouvido, ela ficou tão aterrorizada que esqueceu completamente de qualquer tesão que havia.

– Eu quero que você me mate. Quando eu gozar, assim que eu terminar, você vai pegar a faca e me degolar. Eu esperei muito tempo por isso, confio em você. Curta o momento, eu preparei tudo e ninguém vai desconfiar de você.

– Rafa, me solta, que conversa é essa? Me solta! Você é louco? Já perdi o clima, me larga! – Ela gritava tentando se livrar dele.

– Você não entende não é? Você é a mulher perfeita! E eu quero morrer, só você pode me matar!

– Rafa, me larga! – Ela tentava em vão se soltar.

Ele então tentou virá-la de costas para penetrá-la. Ela, percebendo sua intenção, lutou mais até conseguir acertar um chute nele. Enquanto ele reclamava de dor, ela se soltou pegou seu vestido e correu para a rua. Assustada e seminua, correu até um beco para então se vestir.

Controlou sua respiração, pois não sabia se ele havia ido atrás dela, e aquele era o bairro dele, devia conhecer tudo por ali, mesmo a noite. Ouviu então a batida de uma porta. Do beco era possível observar a frente de sua casa. Ele estava descalço e sem camisa, com um pano branco em uma das mãos. “O álcool” , ela pensou. Se escondeu mais na escuridão do beco, rezando para que ele não a achasse. Para sua sorte, ele foi correndo para o outro lado, procurando ela entre as outras casas. Ela permaneceu ali, imóvel e ficaria até o amanhecer se fosse preciso. “Droga!”, ela pensou. “Nem na minha casa eu posso me esconder, ele vai me procurar lá, ou pior, vai me esperar lá!”. Ouviu então ele ligar o carro que estava estacionado do lado de fora e sair em disparada para qualquer lugar. Então, depois de um tempo, ela saiu de seu esconderijo com cuidado.

Ligou para sua amiga que a buscou e jurou que contaria tudo quando tivesse certeza de que estava segura. Na antiga república da amiga, onde agora só ela dormia mesmo, começou a falar sobre Rafael.

– Ah, mas o Rafa tem uns gostos estranhos mesmo…

– Como assim Ruth? – perguntou Rebeca surpresa.

– Eu não sei Beck, só sei que uma colega que dividia quarto comigo saiu com ele uma vez. Faz um bom tempo isso. Ela tava toda animada achando que ia finalmente namorar alguém, mas ai depois que eles saíram umas três vezes, ela se afastou dele, disse que ele era maluco. Ainda tentei saber o que havia acontecido mas ela não falou, só disse que ele era doido e logo depois ela sumiu sem dar mais explicações. Esses dias fiquei sabendo que ela mudou de estado, mas me fez jurar que eu não contaria nada para ele. – Respondeu Ruth dando ombros.

Rebeca então ficou pensativa. Será que se ela contasse tudo para Ruth, colocaria ela em risco também. E se ele resolvesse matar as duas. Talvez devesse se mudar também, voltar a morar com os pais, ou quem sabe para uma cidade nova… Ou então contar tudo a polícia e assim não precisar se esconder…

– Beck, o que ele fez com você que te assustou tanto? – Ruth perguntou ao perceber a distração da amiga.

– Nada demais Ruth… Ele só é estranho mesmo… – respondeu Rebeca, disfarçando.

– Beck, você me prometeu que contaria tudo… O que aconteceu? – Intimou Ruth.

– Ruth… Eu não quero te envolver nisso. Não quero que você se machuque, então se alguém te perguntar você por favor, finja que não sabe de nada! Para o seu próprio bem! – respondeu por fim Rebeca chorando.

– O que ele fez com você Beck?

– Ele… Ele me pediu pra matar ele. Ele queria morrer Ruth! Disse que eu era a mulher perfeita para isso! E não é “matar de prazer”. Ele colocou uma faca e uma corda no meu colo! – Rebeca começo a soluçar. – Eu me recusei, lógico. Tentei ir embora, ele não queria deixar e ainda tentou me estuprar… Eu consegui fugir, mas ele saiu com um pano que devia ter álcool pra me desacordar caso conseguisse me achar. Eu estou com medo Ruth! Ele deve estar na frente da minha casa me esperando a uma hora dessas. Eu não sei o que fazer Ruth! – chorou por fim no colo dela.

– Beck, tenta dormir um pouco… – Disse Ruth acariciando os cabelos de Rebeca. – Você está muito impressionada com toda situação. Amanhã a gente pensa com calma o que pode fazer, tudo bem?

– Tudo bem… – respondeu Rebeca, por fim.

No dia seguinte, mais calma, as duas foram ao shopping para comprar algumas roupas para Rebeca. Ainda assustada, não conseguia parar de olhar para os lados com medo de que Rafael fosse aparecer. Ruth tentava fazê-la relaxar, mostrando mil roupas e sapatos diferentes. No meio do percurso, quando pararam para um sorvete, o grupo de amigos de sempre estava caminhando próximo e pararam para uma conversa.

O sangue de Rebeca gelou quando viu Rafael se aproximando, como todos os outros dias, naturalmente, como se nada tivesse acontecido. Tentou correr mas isso chamaria atenção dos outros. Ruth, percebendo a sua chegada, tomou conta da situação para que Rebeca não entrasse em pânico.

Ele, por sua vez, cumprimentou o pessoal e sentou-se longe das meninas. Elogiou o vestido de Rebeca com um sorriso levemente sarcástico, e perguntou se ela e os outros tinham algum programa para mais tarde. Ruth respondeu que Rebeca a ajudaria em um trabalho da faculdade, enquanto os outros iam descrevendo suas tarefas. Aproveitando uma distração dele, elas se afastaram com a desculpa de quem jogariam a casquinha do sorvete no lixo.

Já no carro, longe do shopping, Rebeca olhava para trás desesperada.

– Tem certeza que ele não viu a gente?

– Tenho Beck, fica calma!

Então Ruth freou de repente. A sua frente estava um carro fechando o caminho e do lado de fora, com um sorriso maníaco, estava ele, que se aproximou do carro de Ruth, lentamente. Rebeca estava em pânico e mal conseguia respirar. Ruth travou as portas do carro, mas com um pé de cabra, Rafael quebrou o vidro do lado do passageiro e a abriu por dentro. Rebeca só dizia “não” em sussurros, e agora ofegava, completamente pálida com cacos de vidro sobre o corpo. Ruth tentou intervir, mas ele a ameaçou com um pé de cabra. Arrastando Rebeca pelo braço que olhava desolada para Ruth, lutava para não ir. Ele, sem olhar para trás apenas disse:

– Você vai me matar! Eu quero morrer pelas suas mãos! Aceite isso, e será tudo mais fácil!

E fechou a porta do carro. Olhou uma última vez para Ruth e entrou também, saindo em disparada.

juhliana_lopes 11-01-2016

Pesadelo

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A verdade é que você venceu.

Por mais que eu queira não consigo esquecer.

Como um veneno você invade minhas veias,

Dança pelo meu corpo me consumindo,

Alterando os padrões,

E corrompendo meu coração.

Não durmo mais há dias,

Com medo de adoecer,

Mas nada disso adianta,

Pois você já tomou o controle de tudo,

Já comanda como vai ser o jogo,

E só me resta obedecer.

Seu cheiro me mostra,

Que mesmo longe,

Você brinca comigo,

Fazendo-me delirar em sonhos perdidos.

Maldito seja o dia,

Em que me escolheu como refeição,

Bendito seja o que te criou,

Para ser a minha perdição.

Seus braços se enrolam em meu corpo,

Como uma serpente ao abraçar sua vítima.

Se alimentando dos meus medos,

Aprisionando-me em solidão.

Suas palavras são teias,

Que me prendem em seus monólogos,

Frios e sombrios,

Levando-me para a sua escuridão.

Já não vivo mais em mim,

Pois não me pertenço mais.

Enfim entreguei o que eu tinha,

Entreguei o que restou.

Você me despiu em tudo e me expôs.

Tirou-me de mim e colocou outro ser.

Agora só pertenço a você,

Minha alma é seu alimento,

E o corpo agora frio,

Não lhe serve mais para nada.

Pois tudo que sou agora é seu

Minha súcubo, meu pesadelo.

/juhliana_lopes 09-12-2014

Provocação

img_179839523_1316273019_abigAntes de fechar a porta deu mais um daqueles sorrisos encantadores e saiu deixando seu perfume. Estava contratada, mas se quisesse nem precisava trabalhar, afinal, sempre conseguia o que queria. Sempre caprichando na cruzada de pernas, percebeu enfim que foi uma boa hora de investir naquela saia com dois dedos a menos, imperceptíveis com a postura correta, mas bastante revelador em uma posição mais ousada. Seu chefe também era um bobo. Casado, casamento com rotina, foi fácil mostrar a carne ao lobo faminto, seria uma questão de tempo até acontecer às primeiras reuniões à noite.

Com seu charme, não havia chamado atenção apenas de seu superior. Os outros homens do setor também caíam de suspiros ao vê-la passar, e com um jeito tímido, porém extremamente sensual, ia partindo mais corações.

Mas o que um demônio poderia querer numa empresa tão simplória que cuidava da produção de jarras e taças de cristal? O que um ser como ela poderia querer em algo que já havia alcançado o ápice, e dali não poderia ir para nenhum lugar a não ser para baixo?

Mais do que dinheiro, ela procurava a força vital, os sonhos, aquilo que alimentava os homens e lhes dava forças para viver. Queria tudo até ficar sem nada. Começaria por um e aos poucos tomaria conta de todos.

Um mês depois, já era assunto entre as rodinhas masculinas. Sobre como a blusa se ajusta bem ao seu corpo, deixando escapar um decote generoso de vez em quando. Em como a saia que ajusta em suas coxas e vai subindo aos poucos conforme o seu rebolado enquanto caminha. E que mesmo com toda sensualidade, como nenhum homem tinha coragem de chegar nela e lhe falar todas as coisas insanas que tinham vontade, por causa daquele rostinho tímido e lindo de menina, que fazia parecer um anjo tão inocente que seria um pecado mortal se referir a ela com qualquer coisa maldosa.

Na sala do chefe, ele sempre dava um jeito de encostar ou se esfregar nela. Já estava até sentando no colo dele de vez em quando, com algum papinho mole no ouvido, mas nada de avançar demais, afinal, aquele olhar meigo que ao mesmo tempo o provocava não o deixava se concentrar.

Já ela, estava começando a ficar com fome, o clima já estava perfeito, mas tinha que ser cautelosa afinal, qualquer passo errado e o encanto iria se perder. Então se aproximou de Jaime. Homem bonito, viril, o cara da balada de fim de semana, porém excelente profissional. Quase um galã. Respeitava todas as mulheres no ambiente de trabalho como se fossem suas mães, mas ao ficar preso – sem entender como – no estoque com a nova secretária, e ela ficar lhe abraçando com medo de locais fechados, não se conteve e teve que se aproveitar da situação. Ela é claro, pareceu ofendida, mas quando ele teria uma oportunidade daquelas de novo? Prometeu a si mesmo manter discrição e ela também não parecia à vontade para lhe denunciar. Acabou ficando por isso mesmo.

Mesmo que ele quisesse, não poderia ter contado, afinal, no dia seguinte estava com uma forte gripe que lhe deixou de molho por uma semana. Sentia-se um pouco desmotivado também, o trabalho já não atendia suas expectativas, mas preferiu manter o foco em seu trabalho como sempre para ver se as coisas melhoravam.

Adriano foi o mais sortudo. Ficar três horas com ela preso no elevador por causa da falta de luz foi o melhor momento de sua vida. Nunca pensou que uma pessoa tão tímida poderia ser um furacão com aquele. Sobretudo como foi rápida em colocar a roupa de volta quando o elevador voltou a funcionar. Realmente, segundo ele, daria uma obra prima se alguém pintasse um quadro sobre o assunto. Assim como Jaime, não conseguiu contar a ninguém, e nesse caso nem foi uma gripe, mas uma fatalidade que lhe tirou do seu rumo. Atropelado quando estava indo ao trabalho no outro dia, encontrava-se em coma no hospital.

Anderson seria o próximo. Estava contente porque ela respondeu seu bilhete durante a festa da empresa. Estaria esperando por ele na sacada do andar de cima. Subiu as escadas assobiando e lá estava ela, linda, com um vestido branco que marcava a cintura e deixava as costas nuas. Ficaram ali conversando por um bom tempo, e enfim, um beijo apaixonado se seguiu. Em seguida, como dois adolescentes já estavam se enroscando, com medo de serem pegos.

Depois do êxtase, ele parou para admirar a lua e ela seguiu para a escada.

– Ei, não vai me esperar linda?

– Talvez… Acho que você não vai mais querer nada comigo não é? – Ela parecia abatida, triste, com lágrimas juntando aos olhos.

– E porque não iria querer? Eu adorei nossa primeira noite, escondido, com perigo sempre dá mais prazer…

– Mas eu não acabei sendo fácil demais?

– Claro que não. Você acha que eu não vou querer mais nada com você porque já fiz o que a maioria dos homens quer fazer? Eu não sou como eles… Eu quero ficar com você, namorar, quero ter você pra mim! – Ele dizia segurando suas mãos. Secou suas lágrimas e lhe deu mais um beijo, e então juntos desceram as escadas.

Aproveitaram o resto da festa e então foram embora. Para não ficar chato na frente da turma, ele subiu mais uma vez, pois ela já estava lá esperando para uma despedida.

– E quando vamos assumir? – agora ela falava num tom manhoso.

– Quando você quiser meu amor!

– Amanhã então, quando você chegar!

– Tudo bem! Até amanhã meu amor! – Ele disse lhe beijando a última vez.

Ao descer as escadas, só teve tempo de ouvir um barulho forte e desviar quando algo veio rolando atrás dele. O desespero tomou conta quando percebeu que quem estava lá embaixo no fim da escadaria ela sua musa. Olhou para cima assustado e viu uma figura tirando os óculos e segurando no corrimão. Desceu correndo para verificar o estado de sua amada.

– Largue-a!

– Do que você está falando Walter? – Ele gritou quando seu colega de trabalho lhe puxava para longe da bela dama.

– Você não vê? Ela ia te empurrar! Ela é um demônio!

– Você é imbecil? Está ficando louco? – Anderson se soltou e correu mais uma vez para sua amada, mas quando chegou perto, sentiu um arrepio profundo que fez a nuca eriçar.

Ela estava torta por causa da queda, mas tinha um sorriso maligno no rosto. Seus olhos que eram de um verde delicado, agora estavam vermelhos e as unhas pareciam ter dobrado de tamanho como garras.

– Walter seu maldito, porque tinha que estragar tudo? – Ela se levantou mesmo torta falando com uma voz forte que nada lembrava a mocinha delicada como criança.

– Volte para o inferno! Não precisamos de súcubos aqui!

– Eu vou te matar! – Disse ela partindo para cima dele como uma besta feroz. Anderson mal podia acreditar em seus olhos. Parecia uma fera selvagem atrás de uma caça, mas antes que conseguisse se aproximar demais, Walter sacou um revólver e a derrubou.

– O que você fez? O que está acontecendo afinal? – Disse Anderson tremendo.

– Vamos embora daqui, ela não morreu, e quando acordar vai vir com uma fúria ainda maior!

– E como você sabia que ela era… Aquilo? – Disse Anderson ofegante enquanto corria.

– Porque eu também não sou humano…

 

juhliana_lopes 23-07-2014

 

Pré-Morte: A agonia final

parte3Parecia realmente que tudo estava normal. Minha mãe ao meu lado, segurando minhas mãos e falando palavras doces em meu ouvido. Os médicos examinando e com um sorriso calmo como se dissesse: “Está tudo bem.” Tudo ia muito bem…

– Como eu sou bonzinho, eu vou deixar você ver a sua agonia durante há primeira hora. Apenas seu corpo irá sentir e você vai poder assistir a tudo. Depois da primeira hora, você vai voltar pro seu corpo e sentir tudo que merece antes do seu descanso.

– Angel…

Angel estava linda como sempre. Realmente grávida, e ela havia ganhado alguns presentes para o bebê. Entre eles uma toalhinha com meu nome bordado e depois dele um “júnior”.

Como pude ser tão idiota, como pude não ver a verdade. Agora era tarde, ou talvez não.

– Há alguma forma para que eu sobreviva? Eu gostaria muito de voltar e concertar tudo.

– Sempre me pedem isso. Mas nunca aceitam o preço. Para que você viva sua namorada e seu filho têm que ficar no seu lugar e sentir a agonia que você sentiria. Topa?

Aquilo me deixou claramente sem chão. Não havia jeito. Apenas respondi com a cabeça que não. Quando ouvi o choro de minha mãe, notei que a agonia havia começado. A máquina registrava um grande aumento dos batimentos cardíacos, mais rápido que qualquer ser poderia suportar. No mesmo momento os batimentos ficaram fracos, quase parando, e novamente foram as alturas. A expressão de dor em meu rosto era explícita e eu começava a me contorcer. Vi quando Angel e minha mãe saíram do quarto a pedido dos médicos. A porta se abriu, mas ninguém saiu. Pelo vidro, elas não estavam mais no quarto.

Senti todo o peso dos meus atos.  A certeza de que não haveria uma segunda chance, tudo tão claro quanto o dia. O tempo passou tão rápido que só deu tempo de ouvir:

– Adeus Vágner. Seu filho será um grande homem.

Senti minha cabeça pesando. Quando abri os olhos senti toda a dor e agonia de meu corpo, os médicos ao meu redor tentando me ajudar. O ar não chegava aos meus pulmões, e quanto mais eu tentava respirar, mais o ar me faltava. Meu corpo tremia e tinha fortes convulsões, a dor era imensa. Era como se alguém estivesse rasgando cada músculo do meu corpo e quebrando cada osso com um martelo em várias partes. Sentia minha carne se abrindo como se toda a pele fosse se desprender do meu corpo. Meus olhos queriam pular para fora, minha língua parecia um demônio incontrolável. Senti agulhadas em meu corpo, provavelmente sedativos. Sentia o líquido percorrendo minhas veias, mas nada aliviaria aquela tempestade. As convulsões iam ficando mais fortes e agora sentia os médicos me amarrarem para que eu não caísse da cama. Senti minha cabeça inchar. Meu cérebro parecia que ia explodir, meus ouvidos podiam estourar a qualquer momento, e tudo parecia não ter fim. Eu realmente queria morrer para que aquilo se acabasse, mas sabia que ainda tinha muito por vir. Levantei um pouco a cabeça no meio ao tormento e vi a toalha bordada novamente. Pelo menos algo valeria a pena. No fundo eu tinha esperança que meu filho fosse realmente uma boa pessoa, para que não passasse nem metade do que eu estava passando agora. Choques percorriam meu corpo, e sentia meus pulmões atrofiando assim como o coração.

14 horas de agonia, até o momento do suspiro final. Enfim meu corpo estava em paz.

 

/juhliana_lopes 14-01-2013