Desejo

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A brisa leve bagunça meus cabelos enquanto te espero.

Meus pensamentos voam lembrando de nossos momentos.

Seus olhos me intimando, que observam tudo,

Que me deixam sem graça sem dizer qualquer palavra.

Seus braços que me tomam para si, de forma tão acolhedora,

Seu toque suave que me faz arrepiar,

Suas mãos quentes que fazem minha pele ferver.

Enquanto te espero, consigo sentir o gosto do seu beijo,

E sou capaz de ouvir suas palavras sussurradas em meu ouvido.

Quando estou com você, me sinto tão bem,

É como se o tempo não precisasse passar.

Cada momento ruim parece sem importância,

E cada segundo parece muito, longe de você.

Me sinto nas nuvens ao seu lado,

Uma liberdade que há muito eu não podia sentir.

Eu poderia pedir para me conter, para me controlar,

Mas ao seu lado, eu não penso em limites.

Algo em você faz eu me sentir leve,

Pronta para arriscar, pronta para seguir.

Algo em você me faz querer coisas que eu nunca pensei.

O cheiro do seu perfume, a forma como você sorri,

Tudo faz sentido em você.

A brisa leve bagunça meus cabelos enquanto eu te espero,

E seu olhar perturba a minha mente,

Pois é você que eu desejo,

É só você que eu quero.

juhliana_lopes 27-02-2017

Apaixonada

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Terminou de esvaziar a última caixa. Enfim sua mudança estava completa. Não conseguia se lembrar que tinha tanta coisa e ficou surpresa por ver que apesar da quantidade, tudo coube perfeitamente em sua nova casa. Agora, era só se arrumar e ir para a sua nova faculdade.

Tomou um banho demorado, aproveitando a água quente que enchia o banheiro com vapor. Depois secou seus cabelos vermelhos e vestiu uma saia preta com bolinhas brancas, bem delicada e uma blusa simples branca. Depois pegou sua mochila preta e foi para a sua primeira aula. Estava animada, afinal teria novos colegas de classe e o curso já conhecia bem, então não teria nenhum mistério. Logo fez amizade com Ana e Clara, as gêmeas loiras que pareciam Barbies, mas eram super simpáticas. Andando pelo corredor para voltar a sala depois do intervalo, ela esbarrou com um rapaz apressado, que a abraçou para não deixar que ela caísse no chão. Seus olhos se encontraram e ele por aquele momento esqueceu de toda a pressa e de tirar a mão da cintura da moça.

– Desculpa moço… – Ela disse tímida, desviando o olhar.

– Eu… Eu que peço desculpas. – Ele respondeu sem graça, soltando-a. – Você… Você é aluna nova, não é? – Ele perguntou curioso.

– Sim. – Ela respondeu com um riso leve. – Meu nome é Caroline, mas pode me chamar de Carol.

– Que lindo nome… – Ele respondeu aéreo. – O meu é Abner, muito prazer!

Ela riu mais uma vez, abaixando o rosto de um jeito tímido e ele ficou mais encantado. Depois lembrou que estava com pressa, pediu desculpas e voltou a correr. As gêmeas não perderam tempo em passar a ficha do rapaz que era conhecido por chamar atenção pela sua beleza, mas como vivia concentrado nos estudos, nunca estava com ninguém. Carol não deu muita atenção, afinal seu foco também era os estudos.

No dia seguinte, Carol foi dar uma volta pela cidade, procurando um bom mercado. Encontrou e começou a escolher alguns itens até se perder na parte de doces. Com o carrinho cheio, “atropelou” um rapaz sem querer e teve a surpresa de ser o atrapalhado do dia anterior.

– Me desculpa… – Ela disse com um tom real de culpa – Foi sem querer…

– Tudo bem, não me machucou… – Ele disse em um tom amistoso, feliz por encontrá-la fora da faculdade. – Acho que estamos quites.

– É verdade…

Então ficaram um tempo se olhando sem dizer nada. Naquele momento, ela entregou seu coração sem nem perceber. Ficou encantada pelo rapaz, que realmente era belo. Além disso ele parecia ser inteligente devido ao seu jeito atrapalhado e ela adorava aquilo em um homem. Ele percebeu que ela poderia ser a mulher da sua vida, com seu jeito meigo e tímido, uma mulher para apresentar aos amigos, para passar ótimos fins de semana juntos e aquilo o assustou e então ele desistiu. Ele sorriu, lhe deu um beijo no rosto e voltou a andar, ela ficou ali, olhando ele de longe.

Por mais que não quisesse, Carol ficou pensando nele durante o dia todo. Abner também pensou em Carol e em como ele queria afastá-la de seu pensamento. Os dias se passaram e eles  quase não se encontraram, até a festa do pessoal do último semestre. Na festa, ela estava linda, com um vestido preto com um decote leve, e que marcava as curvas do seu corpo. Um batom vermelho e os cabelos pretos, ela dançava com as amigas despreocupada. Abner ficou nervoso e ansioso. Queria ir embora, mas não podia e a paisagem estava convidativa demais para que ele fosse a qualquer lugar.

Ela bebeu algumas taças de vinho, e ele se aproximou. Sem dizer qualquer palavra, eles dançaram juntos algumas músicas e a sintonia entre eles era perfeita. Depois, ele voltou para os seus amigos que lhe deram apoio. Já ela, com as amigas, faziam planos sobre como terminaria aquela noite. Até que ele viu a bela dama de cabelos dourados passando com um vestido azul marinho.

Se ele não estava se confundido, era a mesma moça com quem tinha dado o primeiro beijo na sua adolescência. Ele se aproximou dela sem qualquer timidez e começou uma animada conversa. Carol, fechou o sorriso quando viu os dois conversando, e sentiu seu coração despedaçar um pouquinho, mas tentou ignorar a sensação. Foi ao banheiro, lavou o rosto de disse a si mesma:  “Deixa de ser idiota. Você prometeu que não aconteceria de novo e agora está ai preocupada. Era pra você ser dona do jogo. Você é a dona do jogo.”. Depois disso, voltou ao salão dançando e chamando atenção de todos os homens, mas sentiu seu coração despedaçado novamente, quando viu Abner beijando a loira misteriosa.

Sem conseguir se conter, foi tirar satisfação na hora com o rapaz. Abalado, levou Carol até o lado de fora para conversar.

– Como você pôde? Que tipo de cafajeste é você? – Ela gritava chorando.

– Carol, eu não to entendendo. Eu nunca disse nada pra você, e você também não… Eu não podia imaginar que você tinha algum sentimento por mim… – Ele tentava se explicar confuso.

– Você é um cara podre sabia? Podre!

– Carol, a gente nunca teve nada, por que você está assim? – Ele disse com um tom de voz mais alto para ver se ela conseguia ouvir.

– Você roubou o meu coração, e eu nem percebi! – Ela disse indo pra cima dele pressionando o braço contra o seu pescoço, deixando-o contra a parede. – Alias, eu percebi, só não pensei que ia ser tão sério. Que cara sujo você é!

– Sai Carol! – Ele disse afastando-a. – Você é louca! – Ele disse perdendo a paciência.

Ela, então o derrubou com uma rasteira de quem sabe lutar. Com ele no chão, ela colocou a perna em seu pescoço, o imobilizando e enforcando-o. Logo ele ficou desacordado. Ela levantou, arrumou o vestido e pegou uma garrafa que estava jogada no chão. Com uma certa elegância, ela quebrou a garrafa em uma parede e com os cacos, fez cortes profundos no pescoço do rapaz, deixando o sangue correr.

– Ótimo… – Ela disse limpando as mãos no vestido. – Vou ter que me mudar de novo. Droga!

Andou alguns metros, saindo do beco que ficava atrás do local da festa até chegar na rua. Entrou no carro, arrumou o cabelo no espelho e falou sozinha enquanto ligava o rádio:

– Tomara que nenhum idiota faça eu me apaixonar por ele de novo.

juhliana_lopes 23-04-2016

Quase livre

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Depois de um enorme tempo de reclusão resolvi dar uma volta sozinha. Era bom respirar ar puro novamente e me sentir livre. A brisa leve que tocava meu corpo, o luar que me cobria na noite fria, o silêncio das ruas que era perturbado pelos sons dos grilos, tudo era perfeito.

Há muito tempo, eu estaria trancada, pedindo por socorro, sem ser ouvida, e me afundando cada vez mais nos meus quadris. Então, veio à libertação, e as portas foram arrombadas. Hoje, é tudo tão novo e tão bonito que o que passou não passou de um pesadelo insano.

Claro que eu não precisei ir longe para encontrar problemas. Na verdade eu notei que estava sendo seguida desde que passei em frente a minha antiga prisão, mas ignorei para ver se o estranho me ignoraria também. Quando parei em um ponto de ônibus, ele se aproximou, se posicionando ao meu lado, sem dizer uma só palavra. Dei sinal para o ônibus e ele entrou atrás de mim. Sentei-me no fundo, e ele ao meu lado.

Depois de passarmos de mais um ponto de ônibus ele enfim falou.

– Ele me mandou.

– Imaginei, não existe outra pessoa que poderia ter mandado você. A pergunta não é quem e sim por quê?

– Bem, ele queria saber se você estava bem. Preocupação…

O ser que estava ao meu lado tinha por volta dos 1,80 de altura ou até mais. Branco pálido, tatuado no rosto e careca, magro e com uma regata preta, chamava atenção de qualquer policial que ele encontrasse na rua. Toda pinta de skinhead, também fazia as pessoas do ônibus tremerem de medo só de olhar.

– Não faz o tipo dele.

– Talvez agora faça.

– O que ele quer?

– Nada. Na verdade, pediu pra eu te entregar isto.

Ele me deu então um pacote com alguns livros. Nem precisei ver os títulos para saber do que se tratava.

– Se ele vai começar a devolver as coisas, é melhor eu fazer uma lista…

– Talvez seja uma forma de pedir desculpas…

– Ou pisar em cima da ferida… Acredita mesmo em um lado bom?

– Talvez… – Ele abaixou a cabeça e não me encarou com os olhos. Na cabeça, era possível ver as marcas de algumas cicatrizes, provavelmente feita com facas, que ficavam mais aparentes com o cabelo raspado.

– Diga a ele que queime, não quero mais nada.

– Tudo bem.

– Algo mais?

– Pediu para que eu a acompanhasse até em casa?

– Eu não quero.

– Ele disse que diria isso. E eu vou mesmo assim.

– Ele disse isso também?

– Não. Ele disse que se você dissesse isso, eu poderia ir embora.

– E por que não vai?

– Estou sem vontade.

– Entendi. Bem, minha pergunta ainda não foi respondida. Por quê?

– Já disse, ele…

– Não. Por que você aceitou vir? Por que aceitou ser garoto de recados e burro de carga?

– Eu…

– Ele mandou você vir?

– Ele não manda em mim…

– Você veio. Então ele manda.

– Não…

– Agora sim.

– Ele não manda em mim.

– Manda. A partir de hoje ele manda.

– Não…

– Sim.

– ELE NÃO MANDA EM MIM, ENTENDEU? NUNCA VAI MANDAR! – o ser havia perdido a palidez e estava vermelho. Seu punho fechado estava sobre o banco do ônibus da frente e sua voz mais grave. Cheguei perto o bastante de seus lábios, sem esboçar nenhuma emoção ou reação e disse uma última vez.

– Manda.

Dava pra sentir sua respiração pesada, mas também não houve nenhuma reação de sua parte além de uma leve tremida na pálpebra direita.

Afastei-me e me levantei, pedindo licença para levantar. Dei o sinal e desci do ônibus, andando tranquilamente.

– Você vai mesmo me seguir?

– Estou te acompanhando.

– Obrigada, mas não precisa.

– Tudo bem, então, eu estou apenas indo pelo mesmo caminho que você.

Não respondi mais. Apressei meus passos e então fiquei a frente, seguindo o meu caminho.

Ao chegar ao meu portão, olhei para trás e ele não estava mais. Respirei aliviada de não ter que me despedir, porém, respirei cedo demais. Ao olhar para o lado, ele estava parado, como uma estátua e agora me olhava nos olhos.

– Agora eu entendo.

– Que bom. Ia ser horrível ter que lhe explicar tudo desde o início para ver se você iria…

Fui interrompida por um beijo. Algo estranho. Ele era frio como um cadáver, mas ao mesmo tempo seu beijo era intenso e aterrador que me deixava em brasa por dentro. Afastei-me de uma vez com minha mão sobre a boca.

– Entendo você, e…

– Não fale! – Eu o interrompi colocando a minha mão sobre a sua boca. – Não diga. Apenas vá embora e nunca volte, por favor. Eu não quero, não estou pronta, não vou suportar tudo de novo…

Seu olho direito agora tremia de tal forma que era possível vê-lo piscar sem controle, algumas vezes seguidas. Ele não disse nada. Apenas se virou e foi embora, mas não foi à última vez que nos encontramos…