Delírio de Carnaval

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Dia cinza, algumas gotas caem levemente sobre minha pele e eu só lembro de que o Carnaval está chegando. A população vai pra rua por uns dias e esquecem de todos seus deveres e problemas. Foi em um Carnaval onde eu cruzei com aquele olhar, depois de muitas doses de alguma coisa alcoólica, não me recordo do que era, talvez eu não tenha vivido nada antes daquele olhar, não consigo me recordar como fui parar na rua, nem porque estava de fantasia, mas aquele olhar profundo lendo minha mente fez com que nada importasse.

Me lembro da rua estar cheia, pessoas se esbarrando, derrubando bebida uns nos outros, perfumando o ambiente com um cheiro quase insuportável de cachaça e urina. Eu já estava de saco cheio dos esbarrões e procurava um refúgio, porém, aquele olhar me fez perder o juízo. Mais do que ler a minha mente, era como se por um segundo, aqueles olhos tivessem invadido todo o meu passado, cada passo, cada história, cada erro, me julgando e condenando quando fosse necessário.

Me perdi dentro de mim, e então, com cinco minutos de pura insanidade, passei a procurar aqueles olhos novamente. Era mais forte que eu. Minha mente delirava, imaginando o que eu poderia fazer quando enfim chegasse ao meu objetivo. O toque da pele, seus lábios roçando nos meus, o arrepio. Meu corpo queimava ao imaginar aqueles olhos me encarando de perto, me deixando sem ar. Mais do que a intimidade, minha mente ansiava por descobrir todos os segredos daquele olhar.

Não me incomodava mais o cheiro da rua, os gritos aleatórios em meu ouvido, os abraços indesejados. Eu apenas abria espaço entre aquele mar de gente, para seguir aquele olhar, que ora me ignorava e ora invadia minh’alma e perturbava meu juízo novamente, brincando comigo como um felino com a sua presa.

Foi quando aqueles olhos se foram. Como uma criança perdida em um shopping, ainda perambulei pelas ruas e até me arrisquei em alguns becos, porém, nada encontrei. Senti como se houvesse um buraco em meu peito, um vazio que fazia doer o estômago. Podia ser a bebida que já estivesse fazendo efeito, mas também podia ser dor de amor, principalmente um amor que nem mesmo houve chance de talvez ser correspondido.

Então, novamente em um dia cinza e uma leve garoa daquelas fininhas que deixam a gente doente, quatro anos depois, em um carnaval, enquanto eu tentava desviar das ruas cheias com meu carro, aqueles olhos passaram na minha frente. Tive que frear bruscamente para lhe observar com cautela. Eram olhos assustados, claros e que me reconheceram no segundo seguinte. Segui seu caminho com meus olhos e estacionei na esquina seguinte. O jogo havia começado novamente e aquele olhar não havia ido longe. Com a rua um pouco mais vazia, pude sentir seu perfume forte, que me inebriava, fazendo-me me perder em delírio. Acendi um cigarro. Se aqueles olhos iam brincar com meu coração novamente, eu precisava me preparar, afinal desta vez eu não estava sob efeito de álcool.

Seus passos furtivos eram rápidos, e agora eu compreendia porque havia perdido seu rastro aquele dia. Mesmo depois de tanto tempo, ainda eram os mesmos olhos, o mesmo olhar inquisidor capaz de julgar todos os meus pecados. Passei novamente a deseja-los para mim. Ora pareciam estar ao alcance de um passo e ora se afastavam me observando de longe. Eu precisava daquele olhar todos os dias. Eu queria aqueles olhos direcionados para mim e somente a mim.

Finalmente, por um momento eu alcancei. Lhe toquei o braço enquanto atravessava a rua, procurando multidões para se esconder. Olhos verdes, travessos e levemente assustados. Olhos que tão de perto possuíam a minha alma sem qualquer esforço. Olhos que piscavam lentamente, fazendo meus batimentos entrarem num descompasso preocupante. Pude observar melhor seu rosto. Lábios delicados e perfeitamente desenhados como uma pintura. Lábios que se mexeram para dizer alguma coisa, porém minha mente estava completamente enfeitiçada por aqueles olhos que não me permitiram ouvir, até que eu senti a pancada.

Um atropelamento, nada demais. Uma perna quebrada? É talvez tenha algo a mais. Me lembro da gritaria, da multidão que se formou e de mim perdendo aqueles olhos na escuridão, enquanto eu desmaiava.

Hoje, durante a noite, enquanto caminhava pelo lugar onde vi aquele olhar pela última vez, pensei ter visto novamente, mas não passou de impressão. Quem sabe daqui a três anos, em um novo carnaval eu possa lhe encontrar novamente e sanar esse vazio que se formou em minha alma e em minha mente. Quem sabe eu possa descobrir enfim os segredos daquele demônio dos olhos verdes.

Aleks Durden e juhliana_lopes 07-02-2017

Fumaça

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Acordou pela manhã com aquele cheiro de fumaça característico que conhecia bem e com os lençóis da cama molhados. Além disso um ruído o perturbava. Atendeu o telefone ainda  sonolento e tudo o que conseguiu distinguir foram poucas palavras sobre não deixar cigarros acesos para não disparar os alarmes de incêndio do quarto. Sentou-se na cama e esfregou os olhos. Cobertor, forro de cama, colchão, tudo encharcado.

Abriu a janela e sentiu o vento frio bater em sua pele enquanto o brilho do sol da manhã lhe cegava lenta e sadicamente. Respirou fundo e olhou o estrago. Seria sempre a mesma coisa, e não se sentia tão incomodado com isso, desde que suas roupas permanecessem seguras, poderia continuar vivendo em hotéis como mochileiro playboy.

Foi ao banheiro e então procurou marcas no rosto. Nada, nem uma espinha. Até que esse tipo de tratamento surtia efeito como diziam. Olhou mais uma vez ao redor dos olhos. Nenhuma ruga. Talvez tudo o que disseram não fosse verdade, o que era ótimo considerando esta parte.

Abriu o chuveiro e deixou o vapor tomar conta do lugar. Respirou fundo e tentou lembrar de algo da noite passada antes de toda a tequila e a vodka cor de rosa. Entrou na água e era possível sentir a pele cozinhando de tão quente, mas até que não sentia dor. Na verdade, há muito tempo queimaduras havia deixado de ser um problema.

Após um longo tempo, enrolou-se na toalha e mais uma vez deu uma volta pelo quarto avaliando os prejuízos. Cigarros, disse para si mesmo rindo baixinho. Pegou então suas roupas numa pequena caixa de metal revestida por dentro que sempre levava consigo. Dobrando com jeitinho tudo cabia ali, mas seus sapatos sempre ficavam de fora. Guardou suas coisas e o resto de muitas delas e foi acertar sua conta.

Mais tarde, almoçando em uma lanchonete de esquina bem longe do hotel percebeu que não havia pego o número dela. No fim era até melhor, afinal sua pele era tão fria e seu rosto tão bonito, seria uma pena estragá-lo em um momento de êxtase. Em todo caso, não conseguia parar de pensar na forma como sua língua havia invadido sua boca de forma tão sutil convidando-o para algo mais. Não sabia se a encontraria de novo, mas se encontra-se, não perderia tempo. Seria um desperdício no fim das contas, mas ele dava conta de ocultar um corpo sozinho se fosse o caso.

Ainda perdido em pensamentos, foi surpreendido com um tapa nas costas e um aperto de mãos. Uma leve fumaça saiu dos seus ombros mas logo estava tudo tranquilo como sempre. O agressor em questão era um velho amigo que há muito tempo havia saído para conhecer mundo como ele, talvez por motivos pessoais ou até mesmo motivos bizarros como os dele.

– Anda sumido cara, o que anda fazendo de bom?

– Nada, só curtindo. E você?

– Curtindo também, daquele jeito. Fechei alguns negócios bons ontem. As vendas andam boas.

– Ainda com o negócio de ervas?

– Sim, mas expandi para o álcool também, o pessoal daqui adora uma balada.

– Entendo. Tem que aproveitar mesmo, está certo.

– E você hein? Acho que vi uma fumaça suspeita ontem do décimo quinto andar… – disse o amigo dando um soco leve em seu braço.

– Era o décimo terceiro. Eu já nem esquento mais com isso,  acontece sempre… – pensou um pouco enquanto tomava um gole do seu chá – perdão pela piada infame, não foi intencional.

– Não tem problema, as vezes a gente esquece! Mas uma coisa que você poderia esquecer e não consegue é esse negócio de chá…

– É a única bebida que não fica ruim quando requentada.

– Sei como é, bem, vou indo antes que eu tenha uma “combustão”, digo, indigestão – o amigo se despediu rindo como se tivesse tido algo brilhante.

Terminou o seu chá e foi embora. Percebeu ao pagar a conta a surpresa da garçonete em quase queimar os dedos quando retirou a xícara e os talheres da mesa. Percebeu por um momento os olhares dela como se estivesse vendo o demônio, mas quando a encarou de volta, ela desviou o olha, sem graça.

Caminhando sob o sol forte da tarde, resolveu descansar um pouco embaixo de uma árvore. Enquanto se ajeitava procurando uma posição confortável sentiu um leve incomodo no nariz.  Não se contendo, espirrou e então aconteceu de novo. Não demorou para que as folhas mais baixas da  árvore ficasse pretas como carvão e as outras chamuscadas. A alça da sua mochila já era mas pelo menos suas roupas feitas com tecido especial daqueles que usam em roupas de bombeiros, não tinham dado uma perda total.

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Quando criança não se lembra de entrar em combustão constante, mas na adolescência era só se ver sob uma situação de pressão que sentia suas orelhas arderem. Na primeira vez o susto de ver tudo pegando fogo e correr de um lado para o outro como um idiota. Depois perceber que o fogo em si não queimava como deveria e por último mais uma vez foi ver que a garota do primeiro beijo estava com queimaduras graves na boca e no rosto e uma semana depois ainda estava internada com o rosto desfigurado sem saber explicar como aquilo tudo aconteceu.

Demorou mas aprendeu a controlar, mas ainda tem algumas crises surpresas quando dorme ou quando está entediado. Percebeu também que qualquer coisa que conduza calor vai conduzir quando ele o toca, mesmo sem querer, então problema de tomar bebidas frias pois elas chegam fervendo em sua boa, perdendo toda a graça.

Descobriu que com sua condição, ele era sozinho no mundo, porém havia um lar de esquisitices onde ele pode fazer algumas amizades. Isto incluía um caçador, um rato e o Cássio  que tinha uma inteligência enorme em criar coisas e receitas, e claro no cultivo de plantas.

Se ajeitou novamente e fechou os olhos lentamente, esperando que ninguém aparecesse ali de surpresa. Quem pudesse ver com atenção, era possível perceber uma leve fumaça saindo de suas narinas ao respirar e ver o mormaço saindo de seu corpo, mesmo na sombra, da mesma forma que se vê em uma telha ao sol do meio dia.

04-06-2015 /juhliana_lopes

Mais uma!

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Devia estar no quinto cigarro seguido. A fumaça tomava conta do lugar, mas ninguém se incomodava, na verdade, ali era o único lugar onde ainda se podia fumar com conforto. Assim como o cigarro, a cerveja já havia ultrapassado seus limites e já era possível sentir seu cheiro à distância. Como quem acorda de um sono bom, daqueles últimos da manhã, ele se levantou e saiu pela porta dos fundos onde havia uma pequena área. Precisava esticar as pernas antes que o sangue parasse de circular.

No horizonte o sol começava a se por, pintando o céu quase por completo em um tom de laranja forte, quase como a cor de madeira em brasa. A brisa soprava leve carregando a poeira para todos os lugares. Com a mão no bolso, terminando seu cigarro, não conseguia pensar em nada além do que fazia para passar o tempo.

Pensou ter ouvido alguma confusão no bar e voltou para ter um pouco de diversão, mas não passava de alguns moleques tentando roubar alguma fruta. Nada que valesse a pena. Jogou seu corpo pesado sobre a cadeira e ao pegar mais um cigarro e quem sabe variar a cerveja com um copo de uísque.

Então ela chegou. Bem vestida e perfumada, com a pele alva e o cabelo ruivo. Era longo, mas estava preso com um rabo de cavalo, de modo que uma franja leve caía aos olhos. Olhos cor de mel, contrariando as expectativas de verde ou azul, mas que davam um toque tão especial que a deixava ainda mais bela. O vestido vermelho solto na cintura dava destaque ao batom de seus lábios num tom carmim, e a bolsa preta que carregava a mão, dava um leve toque de rebeldia em relação à moda.

Não deu atenção aos demais do bar, entrou, foi para o balcão, trocou duas palavras rápidas e saiu apressada. Não deve ter dado mais que alguns minutos, mas para ele, foram os melhores de sua vida.

A noite agora caía sobre todo o ambiente lá fora, e dentro as luzes fracas de lampião ardiam com o querosene. Mais cigarros e bebidas e agora um ou dois petiscos para enganar o estômago. Saiu novamente, desta vez na porta da frente. Apesar de ser uma noite aparentemente fria, não sentia a necessidade de se agasalhar, e mesmo com o vento frio cortando o rosto, não queria voltar para dentro, mas voltou, quando o cigarro mais uma vez acabou e ele se viu forçado a buscar outro.

Um homem baixo limpava o balcão com um pano surrado e encardido. Ele vestia uma camisa branca, social, e um avental tão encardido quanto o pano cobria sua roupa. A testa calva aparente brilhava sobre a luz fraca que iluminava o local, e ao passar o pano com movimentos marcados, cantarolava baixinho uma canção aleatória.

– Quem era ela? – perguntou de cabeça baixa ao rapaz do balcão.

– Quem? – ele respondeu, também sem levantar a cabeça continuando seu trabalho.

– A ruiva.

– Ela? Não era ninguém. Ela foi para baixo.

– Uma pena. – ele respondeu voltando a sentar em sua mesa.

Estava no paraíso, é verdade. Ganhou o privilégio de estar no céu, porém, do que isso adiantava se os escolhidos haviam sido tão poucos. Tinha tudo que queria, mas não podia saciar sua curiosidade de saber como era o outro lado. Como era “lá em baixo”.

– Mais uma! – levantou o caneco em direção do balcão.

Não se lembrava de ter passado tanto tempo pensando, mas agora já estava amanhecendo. Ao pegar mais um cigarro, tinha certeza que já devia estar no décimo ou décimo quinto, mas quando pegou, ainda era o primeiro do maço. O tempo parecia andar depressa mesmo passando lentamente para ele com a falta do que fazer.

– Mais um dia, afinal… – suspirou pesadamente enquanto acendia seu cigarro. – Mais um dia perfeito… Um brinde ao paraíso! – Disse por fim levantando a caneca ao ar, mas ninguém respondeu o brinde ou se quer olhou para ele, como todos os dias, até a eternidade.

 

juhliana_lopes 23-07-2014

Espelho

Já passava da 00h quando Hugo pediu um tempo. Sabia que já havia bebido o seu limite e sabia o que poderia acontecer se ultrapassasse. Os outros continuaram o jogo, sempre zombando dele por ter pedido pra sair. Ele não se importou, sabia dos seus limites e queria manter o controle sobre si mesmo.  Além dele, Edgar também não participava do jogo, ele na verdade estava só a base de água já que teria que levar todos para casa ao amanhecer. Edgar permanecia calado e apenas ria de algumas besteiras que o grupo falava.

Quando o garçom trouxe mais uma rodada, Hugo sentiu sua visão embaçar e pensou até que fosse desmaiar. Foi ao banheiro lavar o rosto, pensou que talvez fosse a pressão. Assim que chegou o cheiro forte de urina misturada com cigarros irritou suas narinas. Enquanto juntava água com as mãos, ouviu alguns gemidos vindo de algum canto. Jogou a água no rosto e pigarreou, logo saiu um casal, que assim como ele, não fizeram questão de trocas de olhares.

Agora estava sozinho, olhando para o espelho, realmente houve um certo exagero nas bebidas, seus rosto começava a inchar. Jogou água no rosto mais uma vez e molhou os cabelos.

Você devia tomar mais uma dose… Só mais uma…

– E você devia me deixar em paz.

Você sabe que deve, e além de dever, é algo que você quer… Eu sei…

– E você sabe que devia calar a boca?

Não precisa resistir… Aquele cara, o Edgar, ele vai te levar pra casa depois…

– Já disse que não. Eu não to afim de passar vergonha hoje…

E com tantas mulheres bonitas você acha que vai passar vergonha? É mais fácil de prenderem por atentado ao pudor…

– Para, não vai acontecer de novo…

E na cadeia, os presos vão ficar com medo de você… Sempre tão…

– JÁ DISSE, CHEGA!

– Hugo, tá tudo bem cara?

– Ah, Edgar, to bem sim, acho que bebi demais, só isso…

– Ok. Vou lá ficar de olho naquele povo, o garçom tá cansando de ir na nossa mesa já…

– Coitado… Logo mais eu vou.

Ele é gay? Acho que ele curte você…

– Para, o Edgar já foi casado…

O que não impede dele ser gay

– E qual o seu interesse que ele seja gay ou não?

Isso é você que tem que me responder, afinal pra você qualquer um serve…

– Foi só uma vez e não fui eu, foi você!

Isso, continua colocando a culpa dos seus desejos insanos em mim…

– Eu só posso estar ficando louco!

andyEstá, louquinho para beber mais uma dose e me libertar, libertar seu verdadeiro eu!

– Eu não vou beber mais. Não hoje.

Olhe bem pra mim, e agora olhe pra você… Descolado, careta. Popular, Alone. Você gosta deste tipo de atenção, você gosta deste tipo de força…

– Me larga, aliás, larga a minha imagem!

Ouça bem o que vamos fazer hoje, você vai até aquela mesa, vai beber mais uma única dose, e vai dançar com uma mulher loira de vestido verde. Vai colar o seu corpo no dela, e sussurrar aquelas coisas no ouvido dela. Depois, pegue-a pelo braço, e a leve lá pra fora. Pegue-a com força, e quando terminar, a jogue no chão e entre. Pegue a morena de vestido vermelho, e faça a mesma coisa. Pegue quantas você puder, mas nunca jamais encoste um dedo naquela moça de vestido preto…

– Isso é insa… Por que não?

Você não vê? Ela é pior que você! Uma psicopata disfarçada entre as pessoas… Engana todo mundo, talvez até ela mesma, mas eu consigo ver tudo esqueceu! Agora vai lá, garanhão, vá quebrar alguns corações com um pouco da sua selvageria…

– Sai da minha mente, por favor…

Você pode terminar o dia pegando aquela sua amiga, aquela que está jogando, do jeito que ela está altinha, nem vai ligar… Veja é isso, você vai deitar ela na mesa no meio do jogo e…

– SAI DA MINHA CABEÇA!

Hugo deu um murro no espelho que o rachou quase por completo. Sua mão sangrava, e sua respiração estava ofegante.

– Hugo, está tudo bem? Com quem você estava gritando? – disse Edgar que ouviu o grito pois estava próximo do banheiro.

– Nada, era só… – disse ele olhando para o espelho. – Só estava pensando alto, falando comigo mesmo…

– Você está ficando viciado em bebidas? Quer parar, é isso?

– Estou viciado sim amigo, mas é com preocupações. Vamos voltar pro jogo…

Ao saírem, tudo estava normal, a festa continuava e a mesa estava cada vez mais bêbada.

– Hugo, sabe alguma coisa sobre aquela moça de preto?

– Moça de preto… Não, não sei mas parece ser interessante, por que você não tenta?

– Vou lá. E você juízo com a bebida, não vai cair nas graças do povo.

– Pode deixar… Eu sei como vai terminar a noite…

 

/juhliana_lopes 10-06-2013