A Branca de Neve

21904_493713690675045_595349158_nEra uma vez, uma moça muito bonita conhecida como Branca de Neve. Ela viva muito feliz em seu castelo que herdara de seus pais. Morava sozinha com suas damas de companhia e outros empregados. O castelo ficava num lugar distante, próximo a uma floresta sombria, por isso não havia reino, apenas o castelo.

Próximo dali, havia um reino, onde O Rei cuidava de tudo e de todos e era muito respeitado. Seu filho, o príncipe, adorava tudo que se relacionava a guerras e armamentos e tinha dois amigos de extrema confiança. A verdade é que o Rei estava preocupado com seu filho já que ele passava tempo demais com os amigos, e nem queria saber das moças do reino.

Houve um tempo em que Branca de Neve estava prometida ao Príncipe, porém, com a morte de seus pais, a Rainha não achou adequado ter uma princesa órfã como nora, então convenceu o Rei a desistir da promessa alegando que ela não teria como pagar o dote. Branca de Neve não sabia disso e continuava vivendo sua vida em seu castelo. O Príncipe também não sabia disso e também continuava vivendo sua vida.

Um dia, Branca de Neve ficou entediada. Já conhecia cada canto do castelo, cada esconderijo, sótão, calabouço, poço, entradas secretas e torres. Já havia pintado milhares de quadros, bordado milhares de tapeçarias, cozinhado vários pratos pra ela mesma comer, cuidado de várias espécies de plantas e animais. Nada mais parecia satisfazer a princesa. Então, resolveu sair do castelo para conhecer o mundo. Suas damas amigas a alertaram do perigo, porém ela nunca havia saído do castelo, e precisava ver o que tinha lá fora. No começo, suas damas a acompanharam, mas assim que viu a floresta, Branca de Neve correu como uma criança levada, sentindo o ar fresco, o vento nos cabelos, ouvindo o canto dos pássaros, sentindo o sol em sua pele. Logo estava longe demais de onde estavam as damas, e elas estavam indo para o caminho contrário procurando por Branca.

Depois de muito correr, Branca avistou uma macieira. O gosto de estar ao ar livre foi tão grande que ela nem notará o quando estava com fome. Pegou uma maça e começou a comer. Logo já tinham sido seis e estava a caminho da sétima. Só quando terminou a oitava Branca percebeu que logo atrás havia uma casinha, com um homenzinho varrendo a frente. Branca se aproximou meio sem graça, pois percebeu que a macieira poderia pertencer ao tal homezinho.

– Olá… – disse timidamente Branca de Neve.

– Ah, Oi. – respondeu o homenzinho.

– Desculpe, aquelas maças são suas? Eu estava com muita fome, peguei sem olhar.

– São daqui sim, mas não se importe, você não é a primeira.

– Meu nome é Branca, qual o seu nome?

– Desanimado.

– Oi?

– Desanimado. É como me chamam. Eles me perguntam também porque e imagino que você fará o mesmo. Peço que imagine então se não ficaria desanimada tendo que conviver com seis irmãos e o mais velho lhe mandar varrer o chão.

– Bem eu…

– Não responda. A maioria das pessoas não entendem mesmo. Oh, ali estão, vão sujar tudo de novo.

Branca se virou para ver o lugar que Desanimado estava apontando. Do meio da floresta estavam vindo mais seis homenzinhos, cada um com uma ferramenta na mão. Ao chegarem na casinha, deram um jeito de espalhar a pilha de folhas que Desanimado havia juntado.

– Eu não disse…

– De onde eles vieram? – perguntou Branca surpresa.

– Do nosso trabalho ué? Nós trabalhamos sabia? Só esse encostado ai que fica varrendo o chão. Nós trabalhamos o dia todo é verdade, é tão bom trabalhar… Acordar cedo, pegar no batente, voltar suado pra casa, mas com a sensação de dever cumprido. Chegar em casa, tomar um bom banho, comer uma bela refeição e dormir. Eu gosto de tudo isso sim, menos da parte de dormir. Eu nunca durmo sabe, gosto de fazer as coisas não tenho tempo de dormir… Eu gosto tanto de…

– Tudo bem Acordado, deixe a moça em paz ok. Vá tomar seu banho.

– Certo Responsável.

– Seu nome é Responsável? – perguntou Branca um pouco confusa.

– Sim. Aquele que não parava de falar é o Acordado, e o Desanimado eu acredito que você já conheça.

– Oh sim.

– Estes são o Ali, o Saudável, o Gentil e aquele que tá te olhando torto é o Arisco.

– Olá… – disse Branca, acenando timidamente.

– E você moça, quem é você? – disse Responsável.

– Me chama de Branca de Neve, eu vim aqui porque peguei algumas maças pois estava com muita fome e só depois eu vi que tinham dono.

– Eu disse a ela que não havia problema e… – dizia Desanimado até ser interrompido.

– Tudo bem. Realmente não tem problema, se quiser levar algumas para casa. – disse Responsável.

– Eu agradeço, mas não será preciso. Eu… – Branca de Neve se interrompeu pois o brilho do sol bateu em algo dentro da casa que refletiu em seus olhos. Ela entrou na casinha, sem permissão, quase como hipnotizada e viu um quadro e logo reconheceu as figuras na pintura. – São meus pais! – disse surpresa.

– São seus pais? Curioso. Até onde eu sei ninguém havia sobrevivido naquele incêndio… – disse Saudável que estava sentado em uma cadeira, com um pote na mão comendo vegetais.

– São meus pais, mas quem é esse outro casal?

– Iih, ela não conhece a história, melhor contar…  – disse Ali indo pros quartos.

– Bem Branca, acho que como filha você tem o direito de saber… – Começou Responsável.

– O que? – Disse Branca, sentando-se em uma cadeira para ouvir melhor.

– O outro casal, são reis de um reino próximo. Eles eram muito próximos, bem amigos, e depois que os filhos nasceram, prometeram um ao outro em casamento. Porém essa aproximação das famílias fez com que o Rei do outro reino, se apaixonasse pela sua mãe…

– Minha mãe? Quer dizer que meu pai na verdade…

– Não. Seu pai é seu pai. O rei se apaixonou depois que você nasceu, e sua mãe não se rendeu a cortesia dele. Porém, em mais um dos encontros propostos pelo Rei, na tentativa de chamar a atenção de sua mãe, foi descoberto pela Rainha, que ficou com tanta raiva e ciúmes que achou que era a sua mãe que estava atrás dele, com isso ela mandou incendiar a carruagem da sua família e fez parecer um acidente…

– Mas… Como vocês sabem de tudo isso?

– Bem… – disse Responsável molhando os lábios. – A Rainha nos procurou. Queria um encantamento, mas na época tínhamos parado com isso, então ela nos pediu para fazer este serviço…

– Eu não consigo acreditar… Mas o Rei? ele era apaixonado pela minha mãe, porque ele não me procurou pra saber como eu estava?

– Ele procurou mas pensávamos que ninguém tinha sobrevivido. O Rei ficou muito sentido com a perda, porém ele não lembra mais, porque a Rainha no dia seguinte ao do “acidente” veio aqui e exigiu um encantamento para ele esquecer da paixão.

– Maldita seja essa Rainha!  – disse Branca batendo na mesa. – Eu quero um encantamento!

– Olha Branca… Não é tão fácil assim…

– É sim! Vocês fizeram pra ela e podem fazer pra mim também! Vocês vão me fazer esse encantamento, vão me colocar no castelo dela e o resto eu me viro!

– E como você pretende pagar por tudo isso? – disse Ali com desdém.

– Fiquem com meu castelo atual, e tudo que há dentro.

– Feito!  – disse Arisco.

21904_493713690675045_595349158_n1Parecia incrível como de repente ela já tinha tudo planejado e como o desejo de vingança tomou conta de seu ser. O plano era tão insano quanto seu ódio. Foi tudo tão rápido e simples que até hoje não se tem certeza se isso foi a verdade já que ela fez questão de modificar a história.

Os anões, junto com Branca de Neve encantaram todas as maças, com a realidade que Branca de Neve havia desejado. Todos que comessem iam ver, e viver como se tudo tivesse acontecido daquela forma e jamais  saberiam como tinha sido. Inventaram um festival da maçã e saíram distribuindo para todos no reino. Inclusive o Rei que havia pego o príncipe em um momento meio íntimo com seus amigos, havia esquecido da bronca que ia dar ao Príncipe, assim como o castigo.

Branca de Neve fez questão de entrar no castelo e entregar a Rainha uma maçã. Ela aceitou pensando que a moça era uma camponesa, mas antes de dar a primeira mordida, Branca de Neve revelou todo o seu plano, contou sobre os anos de angústia longe dos seus pais e como um simples casamento poderia ter mudado a sua vida. A Rainha não comeu a maçã, mesmo assim viu seu fim. Branca de Neve apunhalou seu coração, e pediu que os anões levasse o corpo para bem longe.

A história? A jovem Branca de Neve teve seus pais friamente assassinados por ladrões. Foi vítima de uma bruxa má da floresta que a fez comer uma maça encantada que a fez dormir profundamente. O príncipe que andava pela floresta viu a moça desmaiada e a beijou, libertando-a do encanto. O príncipe casou-se com a jovem e o Rei se viu novamente alegre, já que sua Rainha havia sido morta acusada de adultério onde fora achada em uma situação muito constrangedora numa casa com sete homens nus. Os anões que ajudaram Branca de Neve também mudaram de nome, viraram: Feliz, Soneca, Mestre, Dunga, Atchim, Zangado e Dengoso. Agora eles moravam em um castelo, que o Festival da Maçã virou um evento anual, porém sem encantamento, e todos viveram felizes para sempre… Até o dia que a Branca de Neve surtou e com ajuda dos anões, matou a todos envenenados e sai por ai distribuindo doces e frutas paras as crianças, afim de capturá-las para o seu jantar.

 

/juhliana_lopes

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3 respostas em “A Branca de Neve

  1. Pingback: Reinventando Contos de Fada | Mais um Psicopata

    • Muito legal e divertido o conto. Adorei!! Só tem uma pequena falha…. Desculpe, é que também escrevo, e gostaria que se alguém visse uma falha em um dos meus textos, me falasse. No começo da história você diz que a rainha convenceu o rei que o filho não deveria casar-se com branca de neve, pois era orfã e não teria como pagar o dote, mas depois os anões falam que o rei não sabia que branca de neve estava viva.

      Mas gostei muuuito da história. Se quiser seguir meu blog, ou conhecer, http://www.vanessapollon.blogspot.com.br.
      Estou seguindo o seu 🙂

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