De verdade

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A verdade é que eu sinto muito. Assim como eu já senti tantas outras vezes. As lágrimas, são verdadeiras, e sempre vão existir muitas por aí. Elas parecem todas iguais, porém, cada uma carrega um peso específico, um peso de um motivo. O tempo, esse grande curador de feridas, que faz tantas pessoas ficarem frias e amargas, também ajuda a renovar a lenha que faz a brasa levantar em uma grande chama novamente. Por isso, não me surpreendo mais com minhas próprias mudanças.

Você não entende, e talvez nunca vai entender os motivos para o que está acontecendo agora, mas um dia quem sabe, você vai olhar para o céu e lembrar de tudo, de cada parte, cada momento, e então vai se pegar falando sozinho, dizendo: “É verdade”. Neste dia, eu estarei longe, e talvez você esteja acompanhado de outra pessoa, mas de qualquer forma, provavelmente lhe restará pouco tempo para se desculpar ou exigir as suas desculpas.

Uma coisa pode ser uma das verdades absolutas que a humanidade tanto procura: As luzes são iguais. Antes, elas eram distantes, e continuaram sendo. Porém as pessoas a trouxeram para mais perto com a eletricidade. Ainda são as mesmas luzes. Os mesmos pontos. As mesmas faíscas que incendeiam os olhos e fazem as pupilas de contraírem depressa, causando um leve desconforto. As mesmas luzes.

Algumas pessoas me perguntam por que eu tenho pensamentos tão distantes, tão frios. Perguntam se eu já conheci um amor de verdade. Me falam que o amor verdadeiro só se encontra uma vez na vida. Outra verdade simples é que os amores são intensos, e fazem você se sentir nas nuvens, mas não são únicos. O que faz as pessoas se iludirem ao ponto de dizer que só existe um amor para a vida toda, é a falta de tempo. Se eles tivessem duas vidas todas, três, quem sabe quatro, amariam mais vezes, sofreriam mais vezes, com a mesma intensidade.

Eu evito conversas profundas, afinal tive tempo suficiente para estudar e conhecer muitas coisas. Percebi ao longo desses últimos anos que as pessoas estão ficando mais rasas, então, meu assunto para com elas se mantém em seus níveis. Isso, não me afeta, mas com o acumulo de palavras e prosas, me faz conversar sozinha ao vento, muitas vezes.

Agora você se vai, nervoso e sem entender. Praguejando aos quatro ventos como a vida pode ser injusta. Acredite, eu já vi esse filme muitas vezes, e isso não diminui a sua dor, muito pelo contrário, ela é totalmente válida e seu de direito. Eu é que já entendo tudo e já vivi isso tantas vezes e viverei novamente, que não consigo mais esboçar qualquer reação para satisfazer o seu ego ferido.

Novamente, eu vou para aquela ponte, a mesma que eu tive a oportunidade de ver nascer e que depois de tantas gerações ela tem durado tanto, firme e forte. Quando ela se for, terei que arrumar outro lugar, que seja tão resistente ao tempo, assim como essa ponte. Assim como eu.

As pessoas se julgam conhecedoras do mundo, e do saber. Passam anos de suas vidas se dedicando, apontando o dedo para aquelas que estão despreocupadas. As que levam a vida “numa boa”, vivem cada dia como se não fosse haver um amanhã, apontando também os seus dedos, para os que “perdem tempo”. Um dia, em uma das poucas conversas profundas que eu tive, me perguntaram afinal, quais desses tipos, estavam certas. Ninguém está. Então você pode continuar fazendo da sua vida, o que bem entender, afinal, você só vai ter uma vida mesmo.

Eu não sei como aconteceu, eu só sei que um dia eu percebi que todos tinham uma coisa que eu não tinha. Eu juro que tentei encontrar mil formas para quebrar esta maldição, mas não há nada que possa fazer, para que isso mude. Então, continuei vivendo, uma vida de cada vez, viajando, curtindo, conhecendo, estudando, pesquisando, casando, separando, simplesmente tendo vidas, vidas eternas. Não me lembro mais como aconteceu. Já tentei explicar isso aos meus amantes, mas foram poucos que entenderam. A vida é diferente para quem não tem uma só vida. O mundo é o mesmo, com fases diferentes, como a lua, para quem é imortal.  Uma única vida, mísera e comum, é um grande artigo de inveja para quem um dia, sem porquê ou para que, perdeu o privilégio da morte.

Eu sinto muito. De verdade. Assim como já senti outras vezes. Todas, de verdade.

juhliana_lopes 10-08-2016

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