Quem é o assassino? #5

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Se passaram dois meses. Para alguns, os dias passaram voando, enquanto para outros o tempo se arrastou. Adam estava se saindo muito bem na sua administração, para o desespero de Boris. Nem mesmo os comentários ácidos e venenosos que Boris pediu para Liam espalhar estavam funcionando. De toda forma, Liam era o grande responsável por isso, pois viu ali uma oportunidade de ganhar a confiança do novo chefe, sem precisar descer mais ao nível onde ele estava com Boris.

Adam contratou Isaque, um rapaz alto de cabelos curtos e elegante que o ajudava a organizar sua agenda, além dos documentos importantes das duas empresas, e com isso, Boris não tinha mais tanto acesso como tinha no tempo de Leo. Isaque era discreto e educado, da mesma forma que Adam, que mantinha um bom relacionamento com os outros funcionários, evitando o assédio feminino por parte de algumas funcionárias. Por um momento Liam se sentiu enciumado, pois os olhos claros do rapaz estavam chamando mais atenção do que ele, mas não permitiu que isso o atrapalhasse. Após uma semana da chegada de Isaque, Manoela foi contratada e começou a trabalhar junto com Anne. As duas agora eram responsáveis pelo marketing e pela captação de novos clientes, e estavam indo muito bem em suas funções.

Apesar dos resultados positivos, Adam estava preocupado, pois alguns números ainda não batiam e por mais pequenos que fossem, podiam levar a uma diferença enorme mais tarde. Ele estava perdido em seus pensamentos quando Isaque entrou em sua sala sem bater.

– Senhor, desculpe entrar assim…

– O que foi Isaque? – Adam respondeu se inclinando para frente. Isaque sentou organizando os papéis em sua mão. Engoliu um pouco de saliva antes de falar, enquanto encarava o olhar frio de Adam. Ele era uma ótima pessoa, mas suas feições as vezes o assustavam. Ele era aquele tipo de cara que tinha um olhar perdido e uma expressão de quem vai matar um a qualquer momento se ficar chateado. Isaque antes achava que estava sempre fazendo algo errado, ou que ele lhe julgava pelo seu descuido no passado, mas depois percebeu que Adam nascera com aquela expressão e sempre a tinha, mesmo sem ser sua intenção.

– Encontrei algumas coisas, achei que talvez fosse interessante para você.

– Fale logo.

– Bem… – Ele respirou fundo. – Eu estava por acaso andando pelas salas enquanto o pessoal estava no horário de almoço, e quando eu digo por acaso é por acaso mesmo, pois eu estava deixando os convites para a nossa ação social naquele orfanato que nós patrocinamos, e vi algo interessante na sala de Boris.

– Uma carteira nova? – Respondeu Adam com um sorriso de canto.

– Não senhor… – respondeu Isaque um pouco envergonhado. – Vi esses papéis. Documentos muito parecidos com o que vimos hoje de manhã, mas com diferenças de valores…

– Deixe-me ver isso. – Adam pegou os papéis. Era os mesmos documentos com os quais ficou preocupado desde o começo da semana. Documentos que possuíam números que faziam muito mais sentido e deixavam algumas coisas evidentes. – Você tirou esses papéis de lá? É melhor colocar de volta, ele pode reparar.

– Ele não vai reparar, afinal, eu tirei algumas cópias e deixei lá, exatamente no mesmo lugar. Ninguém me viu sair, pode ficar tranquilo. – Respondeu Isaque confiante.

– Sei que ninguém te viu. Conheço suas habilidades.

– Nunca vai esquecer o lance das carteiras, não é? – Isaque disse, quase como um pedido de desculpas.

– Não, mas foi por causa disso que te contratei, então não precisa se preocupar, aliás, não andou pegando carteiras daqui, não é? – Adam perguntou com um sorriso sarcástico.

– Não senhor. Só quando estão do lado de fora, como me recomendou. Agora se me der licença…

– Claro, pode ir. Muito obrigado pelas informações. Se quiser, pode ficar o resto do dia de folga, você merece. – Disse Adam, que precisava de um tempo sozinho para analisar tudo aquilo.

– Se você acha, muito obrigado. – Disse Isaque saindo da sala.

Enquanto arrumada suas coisas para sair, Isaque pensou em aproveitar para passar novamente na sala de Boris, afinal ele realmente tinha uma carteira nova muito atraente, porém quando se aproximou percebeu que ele já estava na sala, mas, pôde ouvir algo a mais. Da mesma forma discreta que se aproximou, se afastou sem ser visto. Então, ele foi para o refeitório e quando passou por uma das mesas, ouviu as moças comentando: “Onde será que Liam está? Quem será a vadia de sorte que está com ele desta vez?”. Rindo, Isaque foi para a sua mesa pensando: “Vadia… Se elas soubessem…” E logo se pegou rindo sozinho.

No dia seguinte, Isaque encontrou um bilhete no seu armário. Com uma letra forçada para não ser reconhecia dizia apenas “Cuidado”. Amassou o papel com uma mão e guardou no seu bolso. Estava cedo e a maioria do pessoal ainda não havia chego, e depois daquele bilhete, ele percebeu que havia um silêncio perturbador no vestiário. Então fechou o armário e se virou devagar, levando um susto em seguida.

– Você é um cara muito esperto não é Isaque?

– A maioria das pessoas dizem que sim, mas na escola eu não tinha certeza. – Respondeu Isaque com frieza.

– Como consegue enganar o Adam? Ou é ele que manda você fazer essas coisas?

– Eu tenho que saber primeiro do que você está falando para poder responder a sua pergunta. – Isaque respondeu sem paciência.

– Não se faça de sonso! Onde estão os documentos?

– Quer dizer que a biba fica nervosinha? – Isaque provocou. Adorava a oportunidade de irritar as pessoas.

– Como você ousa? Eu vou dar um jeito de te tirar daqui e agora!

– Olha Boris… – Isaque o interrompeu pegando sua mão como se estivesse o cumprimentando e colando seu ombro no dele – As coisas nem sempre são fáceis e eu entendo sua frustração, mas não é assim que você vai conseguir me ameaçar. – Isaque o largou, lhe dando as costas.

– Ora seu verme! – Boris mexeu nos bolsos. – Espera… Estava aqui… Idiota, me devolve! – Boris gritou nervoso.

– Devolver o que? Isso? – Isaque disse sorrindo com balançando um revolver. – Você não vai precisar dele, mas eu vou guardar para você. – Ele respondeu em tom de deboche piscando. – Tenha um ótimo dia senhor.

Isaque saiu do prédio o mais rápido que pode. Pegou o carro e tratou de se livrar do revolver o mais rápido possível. Aproveitou também para jogar fora os cartões de Boris, mas aproveitou o dinheiro para rechear a sua própria carteira. A de Boris era uma ótima carteira, mas não daria motivo para que ele velho pudesse lhe prejudicar mais.

Quando voltou, encontrou Anne saindo de um beco próximo de um ponto de ônibus.

– Quer carona Anne? Estou indo para empresa.

– Ah sim, claro. Muito obrigada. – Ela respondeu com a voz levemente trêmula. Não parecia estar esperando ninguém conhecido naquela região.

– Você não mora do outro lado? – Isaque perguntou depois de lembrar que aquele era um lugar muito longe para ela estar.

– Sim. Vim visitar minha mãe. – Respondeu sem olhar para ele, distraída com a paisagem.

Chegando na empresa, cada um foi para seus afazeres. Naquele dia Adam não foi trabalhar, e a notícia da morte de mais um funcionário deixou todos surpresos.

juhliana_lopes 23-05-2016

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