Quem é o assassino? #4

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Boris estava realmente surpreso. Não imaginava que isso pudesse ser possível, mas tudo estava ali acontecendo diante dos seus olhos e ele não podia fazer nada. Leonardo estava animado com a novidade, e nem podia imaginar a frustração de Boris naquele momento. A notícia era para ser acompanhada de uma grande festa na empresa, mas após os últimos acontecimentos, não era adequado. O jantar “íntimo” dos três já foi o suficiente para a queda de muitos sonhos.

Leonardo iria viajar, se arriscar nas terras europeias, na tentativa de levantar uma nova empresa com o mesmo conceito que eles haviam aplicado por aqui. Boris não ficaria no seu lugar, Boris continuaria sendo o “vice”, porque Leonardo tinha uma maldita carta na manga.

Quando fizeram o contrato social de abertura da empresa, Leo pediu para Boris deixar uma pequena porcentagem para seu sobrinho que estava muito doente, para que os lucros pudessem custear seus tratamentos. Sensibilizado e com 1% da empresa, Boris aceitou, afinal, ele não poderia fazer muito com 1%. Mas e agora? Leonardo vai embora do país, as ações poderiam passar para ele e com isso, ele seria praticamente o único dono da empresa. Leonardo não tem filhos e nem mesmo esposa, não teria ninguém para passar a bola se não fosse aqueles 1%.

O sobrinho doente, ficou bom, cresceu e se formou. Sangue novo, pronto para administrar. Boris poderia intervir, dizer que ele não tinha experiência necessária para ficar à frente de um negócio do porte deles, mas toda sua argumentação nem começou depois que ficou sabendo que o brilhante sobrinho tinha sua própria empresa onde produzia e vendia artigos para presentes e tinha um público forte na internet.

Boris viu o advogado se aproximar e viu aquele 1%, se transformar em 52%, e os seus 48% continuarem ali, intocados. Depois das assinaturas, Boris resolveu parar de fingir sorrisos e pediu para se retirar, afinal o dia tinha sido longo e ele não estava muito bem. Antes de chegar ao carro no estacionamento, fez uma breve ligação.

– Oi, onde você está? Certo, esquece a noite de hoje ok? Sim. Não, eu não posso te ver hoje. Aconteceram algumas coisas, te conto tudo amanhã, hoje não é um bom momento. – Disse Boris finalizando a ligação, sem cerimônias.

Na mesa, o advogado também se despedia dos dois e seguia o seu caminho.

– Tio, eu gostaria de agradecer…

– Não é necessário Adam, eu já lhe disse.

– Eu sei, mas eu nunca teria nada disso sem você. Obrigado por acreditar nos meus projetos.

– Adam, você é um menino brilhante, sempre foi. Me agradeça fazendo com que a empresa cresça muito mais, ok? – Respondeu Leo bebendo vinho.

– Eu achei incrível que o seu amigo Boris tenha aceitado tudo tão tranquilamente. Ele é realmente um ótimo amigo como você tinha dito…

– Ou um ótimo amigo, ou um falso completo. Às vezes eu não sei como posso classificar…

– Por que diz isso tio?

– Bem Adam… – Leonardo tomou outro gole enquanto olhava ao redor. – Eu poderia ter passado a empresa para ele sem o menor problema. Você continuaria ganhando a sua parte e continuaria com seus projetos. Tudo seria lindo, mas encontrei algumas divergências nas documentações dos últimos meses. Alterações graves que me fizeram mudar de planos. Eu prefiro ter alguém sangue do meu sangue ou pelo menos quase isso no controle da empresa, do que alguém que consegue se dissimular tão bem.

– Eu entendo… devo me preocupar?

– Claro que não Adam. Você tem carta branca para fazer o que quiser e o que julgar necessário. Não se sinta intimidado por ele. Você vai ser a minha voz e consciência naquela empresa. Faça da melhor forma possível.

– Mais uma vez, muito obrigado pela confiança tio. – Respondeu Adam tomando um pouco de água. – Poderia me dar licença um instante? Preciso ir ao banheiro.

– Claro, fique à vontade!

Adam seguiu para o banheiro sentindo que suas orelhas estavam quentes. Uma sensação que ele tinha quando se sentia irritado ou desconfiado. Ao chegar na porta do banheiro, acabou trombando com um distinto cavalheiro, alto de terno e cabelos curtos que com o impacto, acabou derrubando uma carteira feminina no chão.

– Nossa, me desculpe senhor, não foi minha intenção…

– Não, tudo bem. – Respondeu Adam se abaixando. – Aqui está a sua… carteira.

– Ah claro. Da minha esposa na verdade. Muito obrigado. – Ele disse indo em direção as mesas.

Adam entrou e lavou o rosto. Sabia que iria enfrentar uma grande dificuldade com Boris, mas precisaria ser forte. Seu tio era uma pessoa boa, e não merecia passar por qualquer coisa ruim, e se Boris fosse dificultar as coisas, Adam estaria preparado para tomar as providências cabíveis. Retornou com seus pensamentos, mas preferiu não falar mais sobre aquilo para não chatear o seu tio.

Na mesa, o garçom se aproximou com a conta e Adam levou as mãos no bolso para pagar e se deu conta que não estava com a sua carteira.

– Tio, eu…

– Tudo bem Adam… – Leonardo respondeu rindo. – Todo mundo esquece a carteira as vezes. E que tio seria eu se não pagasse um último jantar para o sobrinho antes de viajar?

Seguiram então em direção ao carro, e Adam novamente bateu com as mãos nos bolsos.

– O que foi Adam? – Perguntou Leonardo percebendo o silêncio do sobrinho.

– Eu não esqueci a minha carteira tio. – Ele respondeu sem contato visual. – Eu acho que fui roubado no restaurante.

– Como assim? Do que você está falando?

– Eu trombei com um cara no banheiro, e depois disso minha carteira sumiu. Não sei se foi ele, por isso não falei nada. Talvez eu tenha esquecido em casa mesmo…

– Bem, de qualquer forma se foi roubo, agora não dá para se fazer muita coisa. Mas tente não se preocupar com isso, aproveite a noite! Você é jovem, daqui pode ir para uma balada, curtir a vida…

– Verdade tio. – Disse Adam com um sorriso de canto.

Após deixar seu tio em casa, seguiu em direção a sua que ficava do outro lado da cidade. No caminho viu uma moça no ponto de ônibus sozinha, e pensou em lhe dar carona. Desistiu, pois pelo horário ela pensaria que ele era um tarado querendo “atenção”. Seguiu o seu caminho com músicas aleatórias no rádio, até que viu alguém sinalizar na rua para ele parar.

– Por favor, poderia me ajudar o meu pneu furou e… – Disse o rapaz até parar de falar subitamente.

– Sem o terno eu quase não te reconheci. A gente podia fazer uma troca, minha carteira pelo macaco para você trocar o pneu do seu carro. O que acha?

O rapaz gaguejou. Tentou disfarçar fingindo que não o reconhecia, mas logo foi para o carro buscar algumas carteiras para que ele pudesse ver qual era a dele, depois que Adam saiu do carro com um pé de cabra na mão.

– Ah sim, obrigado, a minha é essa. – Disse Adam com um sorriso no rosto, indo em direção ao seu porta malas. – Aqui está o macaco. Tenha uma ótima noite. – Adam se despediu.

– Ah… muito obrigado e desculpa qualquer coisa. – Respondeu o rapaz sem graça, guardando as carteiras no bolso enquanto pegava o pneu reserva para fazer a troca e ir embora.

juhliana_lopes 05-05-2016

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