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Apaixonada

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Terminou de esvaziar a última caixa. Enfim sua mudança estava completa. Não conseguia se lembrar que tinha tanta coisa e ficou surpresa por ver que apesar da quantidade, tudo coube perfeitamente em sua nova casa. Agora, era só se arrumar e ir para a sua nova faculdade.

Tomou um banho demorado, aproveitando a água quente que enchia o banheiro com vapor. Depois secou seus cabelos vermelhos e vestiu uma saia preta com bolinhas brancas, bem delicada e uma blusa simples branca. Depois pegou sua mochila preta e foi para a sua primeira aula. Estava animada, afinal teria novos colegas de classe e o curso já conhecia bem, então não teria nenhum mistério. Logo fez amizade com Ana e Clara, as gêmeas loiras que pareciam Barbies, mas eram super simpáticas. Andando pelo corredor para voltar a sala depois do intervalo, ela esbarrou com um rapaz apressado, que a abraçou para não deixar que ela caísse no chão. Seus olhos se encontraram e ele por aquele momento esqueceu de toda a pressa e de tirar a mão da cintura da moça.

– Desculpa moço… – Ela disse tímida, desviando o olhar.

– Eu… Eu que peço desculpas. – Ele respondeu sem graça, soltando-a. – Você… Você é aluna nova, não é? – Ele perguntou curioso.

– Sim. – Ela respondeu com um riso leve. – Meu nome é Caroline, mas pode me chamar de Carol.

– Que lindo nome… – Ele respondeu aéreo. – O meu é Abner, muito prazer!

Ela riu mais uma vez, abaixando o rosto de um jeito tímido e ele ficou mais encantado. Depois lembrou que estava com pressa, pediu desculpas e voltou a correr. As gêmeas não perderam tempo em passar a ficha do rapaz que era conhecido por chamar atenção pela sua beleza, mas como vivia concentrado nos estudos, nunca estava com ninguém. Carol não deu muita atenção, afinal seu foco também era os estudos.

No dia seguinte, Carol foi dar uma volta pela cidade, procurando um bom mercado. Encontrou e começou a escolher alguns itens até se perder na parte de doces. Com o carrinho cheio, “atropelou” um rapaz sem querer e teve a surpresa de ser o atrapalhado do dia anterior.

– Me desculpa… – Ela disse com um tom real de culpa – Foi sem querer…

– Tudo bem, não me machucou… – Ele disse em um tom amistoso, feliz por encontrá-la fora da faculdade. – Acho que estamos quites.

– É verdade…

Então ficaram um tempo se olhando sem dizer nada. Naquele momento, ela entregou seu coração sem nem perceber. Ficou encantada pelo rapaz, que realmente era belo. Além disso ele parecia ser inteligente devido ao seu jeito atrapalhado e ela adorava aquilo em um homem. Ele percebeu que ela poderia ser a mulher da sua vida, com seu jeito meigo e tímido, uma mulher para apresentar aos amigos, para passar ótimos fins de semana juntos e aquilo o assustou e então ele desistiu. Ele sorriu, lhe deu um beijo no rosto e voltou a andar, ela ficou ali, olhando ele de longe.

Por mais que não quisesse, Carol ficou pensando nele durante o dia todo. Abner também pensou em Carol e em como ele queria afastá-la de seu pensamento. Os dias se passaram e eles  quase não se encontraram, até a festa do pessoal do último semestre. Na festa, ela estava linda, com um vestido preto com um decote leve, e que marcava as curvas do seu corpo. Um batom vermelho e os cabelos pretos, ela dançava com as amigas despreocupada. Abner ficou nervoso e ansioso. Queria ir embora, mas não podia e a paisagem estava convidativa demais para que ele fosse a qualquer lugar.

Ela bebeu algumas taças de vinho, e ele se aproximou. Sem dizer qualquer palavra, eles dançaram juntos algumas músicas e a sintonia entre eles era perfeita. Depois, ele voltou para os seus amigos que lhe deram apoio. Já ela, com as amigas, faziam planos sobre como terminaria aquela noite. Até que ele viu a bela dama de cabelos dourados passando com um vestido azul marinho.

Se ele não estava se confundido, era a mesma moça com quem tinha dado o primeiro beijo na sua adolescência. Ele se aproximou dela sem qualquer timidez e começou uma animada conversa. Carol, fechou o sorriso quando viu os dois conversando, e sentiu seu coração despedaçar um pouquinho, mas tentou ignorar a sensação. Foi ao banheiro, lavou o rosto de disse a si mesma:  “Deixa de ser idiota. Você prometeu que não aconteceria de novo e agora está ai preocupada. Era pra você ser dona do jogo. Você é a dona do jogo.”. Depois disso, voltou ao salão dançando e chamando atenção de todos os homens, mas sentiu seu coração despedaçado novamente, quando viu Abner beijando a loira misteriosa.

Sem conseguir se conter, foi tirar satisfação na hora com o rapaz. Abalado, levou Carol até o lado de fora para conversar.

– Como você pôde? Que tipo de cafajeste é você? – Ela gritava chorando.

– Carol, eu não to entendendo. Eu nunca disse nada pra você, e você também não… Eu não podia imaginar que você tinha algum sentimento por mim… – Ele tentava se explicar confuso.

– Você é um cara podre sabia? Podre!

– Carol, a gente nunca teve nada, por que você está assim? – Ele disse com um tom de voz mais alto para ver se ela conseguia ouvir.

– Você roubou o meu coração, e eu nem percebi! – Ela disse indo pra cima dele pressionando o braço contra o seu pescoço, deixando-o contra a parede. – Alias, eu percebi, só não pensei que ia ser tão sério. Que cara sujo você é!

– Sai Carol! – Ele disse afastando-a. – Você é louca! – Ele disse perdendo a paciência.

Ela, então o derrubou com uma rasteira de quem sabe lutar. Com ele no chão, ela colocou a perna em seu pescoço, o imobilizando e enforcando-o. Logo ele ficou desacordado. Ela levantou, arrumou o vestido e pegou uma garrafa que estava jogada no chão. Com uma certa elegância, ela quebrou a garrafa em uma parede e com os cacos, fez cortes profundos no pescoço do rapaz, deixando o sangue correr.

– Ótimo… – Ela disse limpando as mãos no vestido. – Vou ter que me mudar de novo. Droga!

Andou alguns metros, saindo do beco que ficava atrás do local da festa até chegar na rua. Entrou no carro, arrumou o cabelo no espelho e falou sozinha enquanto ligava o rádio:

– Tomara que nenhum idiota faça eu me apaixonar por ele de novo.

juhliana_lopes 23-04-2016

Olhos verdes

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Era um ambiente novo, bem equipado e com cheiro de tinta. Camas devidamente arrumadas, lençóis limpos e refeitórios organizados. Estava tudo pronto. Andaram por mais alguns corredores, com os passos ecoando entre os espaços vazios. Pararam então no pátio, onde o sol entrava pela janela, iluminando parte do ambiente.

– Acho que não dura uma semana. – disse um dos doutores.

– O que disse? – respondeu o outro com a cabeça baixa.

– Bem Andy, é só você ver. Limpinho demais, organizado demais, pra quando eles chegarem bagunçarem tudo. Devemos admitir, são piores que crianças nesse quesito.

– Regis, olha eu não acho que devemos pensar assim. Estamos aqui para ajudar não é mesmo? – respondeu Andrew colocando a mão no ombro de seu amigo.

– Sim, mas isso não impede deles fazerem bagunça. E cara, meu nome nem é Reginaldo para você ficar me chamando de Regis… – respondeu Regulus dando as costas para o amigo.

– Sei lá cara. Fica estranho te chamar de “Reg”, parece que to falando de música de reggae… – Respondeu Andrew rindo.

Ouviram então o barulho no portão. Os primeiros pacientes estavam chegando e eles ajudaram as enfermeiras a acomodá-los. Alguns estavam assustados e foi preciso sedá-los para que se acalmasse. Outros, ficaram quietos, observando todos os detalhes. Alguns puxaram conversa, perguntaram tudo sobre o local, e ficaram animados em caminhar pelo pátio e aproveitar o sol ameno da manhã.

Porém, havia um que estava quieto demais. Entrou no quarto, sentou no chão e ali ficou. As enfermeiras estranharam e chamaram o Dr. Regulus. Ele entrou, se abaixou próximo do paciente, falou algumas coisas e saiu, dizendo para elas que não precisavam se preocupar.

O dia então se passou. Regulus atendia outro paciente quando as enfermeiras procuraram o Dr. Andrew.

– Doutor, estamos preocupadas.

– O que aconteceu?

– É o paciente do quarto 225. Ele chegou, sentou no chão e esta lá até agora. Não quis comer, não quer falar. Já chamamos o Doutor Regulus, e ele disse que não precisava a gente se preocupar, mas ele está quieto demais…

– Entendo. Vou dar uma olhada.

E então Andrew seguiu as moças até o quarto do paciente.

O paciente, que aparentava ser alto, quase 1,90, sentado no chão com as pernas cruzadas como se estivesse em posição de lótus, não gesticulava, não se mexia e nem resmungava. Mal respirava. Não quis trocar de roupa. Seu cabelo escuro na altura do pescoço, ocultava parte do rosto já que estava com a cabeça levemente baixa. Andrew entrou, com um sonoro boa noite e aguardou. Quando ia dar um passo para se aproximar, ouviu o paciente dizer em um tom de voz rouco e grave.

– Quem é você?

Surpreso, pois ele continuava de costas para a porta, respondeu.

– Sou o novo doutor. Andrew é o meu nome, mas pode me chamar de Andy se quiser.

– Não há nada para você aqui Andy.

A voz dele era profunda e pesada. A resposta era curta e grossa, mas mesmo assim Andrew se aproximou e sentou-se no chão, de frente para o paciente. Ele não levantou a cabeça, mas mesmo assim o bom doutor insistiu em falar com ele.

– Você gostou do seu quarto novo? Devia ver a cama, é bem macia! E você vai ter roupas limpas também, vai ser bem melhor. Gostaria de experimentar?

Andrew viu então o rapaz levantar levemente a cabeça e abrir a boca para lhe dizer alguma coisa, mas ele parou e ficou lhe encarando. Animado, tentou puxar novamente um assunto, mas logo foi surpreendido pelo paciente. Em um movimento rápido, ele levou a sua mão até o pescoço, e o prensou com o braço contra a parede, o levantando para deixar seus olhos na sua altura. O doutor, desesperado com a força do paciente, gesticulou para que as enfermeiras buscassem ajuda, já que ele não conseguia gritar. Andrew então viu que o paciente tinha olhos verdes. Grandes olhos verdes raivosos, semicerrados. Sua força era extrema e aos poucos ele sentia que perderia a consciência.

Regulus entrou batendo com o pé na porta e gritando:

– Diego, solta ele agora!

Diego, o paciente, assustado com o barulho tirou o braço, fazendo o doutor cair no chão. Regulus se aproximou de Andrew que ainda estava consciente. Quando se virou novamente para Diego, recebeu um golpe no estômago, caindo em cima da cama. Enquanto isso, Diego se voltou novamente para Andrew, montando sobre ele com as mãos em seus ombros.

– Onde está ela? – Diego falou alto.

– Eu… Eu não sei… De quem você está falando? – respondeu Andrew assustado.

– Ela está no outro prédio Diego! Solta ele, eu já te disse! – respondeu Regulus, tentando dar uma chave de braço no paciente.

– Por que ele tem os olhos dela? Você disse que só eu tinha os olhos dela! – disse Diego, um pouco choroso, enquanto Regulus o puxava para a cama para sedá-lo.

– Andrew, sai daqui! – ordenou Regulus. – Ele não tem os olhos dela. Os olhos dele não são verdes como os dela e nem como os seus. Só você tem, me ouviu? – Regulus disse, agora com um tom mais doce, olhando para Diego, enquanto preparava o remédio.

– Eu quero ela aqui. Eu quero vê-la! – Diego, ainda com o tom grave, falava como uma criança mimada.

– Ela vai vir te ver ok? Mas não hoje e nem amanhã, mas eu prometo pra você que quando ela vir, você vai ser o primeiro a saber. Agora dorme… – Disse Regulus calmamente enquanto aplicava a injeção.

Enquanto isso, do lado de fora, Andrew esperava assustado, sem entender muita coisa. Regulus saiu, e o levou até o refeitório.

– Quem é esse cara? – perguntou Andrew enquanto tomava um copo de água.

– Um paciente antigo do outro prédio. Tivemos que tirar ele de lá.

– Quem é a moça dos olhos verdes que ele falou?

– Uma paciente. Da ala feminina, os dois ficavam próximos no eventos de família que fazíamos com os pacientes bonzinhos.  Ela adorava ele, e os dois estavam realmente progredindo. Até que um dia apareceu um outro paciente de olhos claros, mas os dele não eram verdes de verdade. Esse cara começou a perseguir a moça nas festas e Diego percebeu. Quando ele viu que o cara tinha olhos claros, associou que era verde e tentou arrancá-los, dizendo que somente ele poderia ter os olhos dela. Ali ainda conseguimos controlar a situação, mas então… – Regulus fez uma pausa fechando os olhos.

– O que aconteceu Regis?

– Bem, esse paciente novo, tentou prender a moça no quarto dele. Diego ouviu os gritos dela e ficou completamente insano. Ele salvou a moça, entregando ela sã e logicamente muito assustada para as enfermeiras. Já o rapaz…

– O que ele fez? Conta logo cara! – disse Andrew ansioso.

– Ele quebrou os braços do outro cara Andy. Mas não quebrou como qualquer um quebraria. O ortopedista que examinou disse que parecia que um caminhão havia passado por cima dos ossos dele. Tiveram que colocar uma placa de titânio para tentar consertar. Além disso, ele tentou arrancar os olhos do cara de novo e não conseguiu, mas deixou cicatrizes pelo rosto do paciente. Por isso que esse novo espaço foi agilizado. Para que ele pudesse ficar longe.

– Regis, eu… Eu podia ter morrido ali.

– Por isso eu falei pras enfermeiras pra ficar tranquilas que iria ficar tudo bem, só esqueci de avisar a você pra ficar longe dali.

– Agora eu já aprendi a lição.

– Espero que sim.

Andrew terminou a sua água e continuou a olhar os outros pacientes. Regulus verificou como Diego estava e conversou com as enfermeiras.

No fim da noite, Andrew passou pelos corredores para ver quais pacientes estavam dormindo. Passou então pelo quarto de Diego e olhou rapidamente pela janela da porta. Não havia ninguém. Pensou em chamar Regulus para olhar, mas talvez não houvesse tempo. Abriu a porta rapidamente para ver se não tinha sido apenas impressão mas não havia ninguém.

– Ah, merda! Onde ele foi parar? – Andrew falou baixinho, olhando embaixo da cama e no banheiro. – Onde será que ele está?

– Aqui. – respondeu Diego, dando uma chave de braço em Andrew e tampando seu nariz e boca com a outra mão. – Agora fica quietinho que eu prometo que não vai doer nada.

Regulus correu o mais rápido que pôde quando ouviu os gritos dos pacientes da ala leste. Apertou o passo quando ouviu os gritos de Andrew e parou subitamente quando ouviu a risada macabra de Diego.  De fato, os olhos dela eram somente dele.

juhliana_lopes 03-04-2016