Dia de folga

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O dia se inicia com o sol brilhando forte em meu rosto, enquanto o despertador toca estridente em meu ouvido, e a TV programada pra ligar no mesmo horário, já me põe a par das tragédias do dia.

Levanto, tomo um banho rápido e me visto ao mesmo tempo em que faço a maquiagem. Confiro se não esqueci nada na bolsa pelo menos três vezes, enquanto com um pedaço de pão na boca, recolho minhas pastas. Termino de engolir o café que estava esfriando em minha xícara e pego minhas chaves.

Dirigindo, a cada pausa, aproveito para verificar se não há nenhuma notificação no celular e pular músicas de uma playlist infinita de um pendrive de 16 gigas. Depois de estacionar carregando bolsa, pastas, celular e agendas ao mesmo tempo, subo as escadas em passos acelerados, pulando alguns degraus sempre que possível. Passo por meus colegas com um bom dia apressado e sigo para minha mesa, despejando tudo que há em minhas mãos e organizando tudo minuciosamente.

Depois de uma rápida socialização com os colegas de trabalho, falando coisas aleatórias com o celular na mão, socializando ao mesmo tempo com colegas virtuais, é hora de começar a trabalhar.

O serviço é simples, elaborar relatórios, analisar gráficos, fazer novos relatórios e encaminhar alguns e-mails. Há tempo suficiente para fazer uma coisa de cada vez, mas é impossível escrever sem olhar os números ao mesmo tempo. Impossível ler sem fazer mil anotações necessárias e desnecessárias pra depois organizá-las enquanto escolho a melhor cor para apresentação do gráfico de resultados.

Então o trabalho acaba, e mal começou a hora do almoço. Apresento tudo e após uma excelente avaliação, espero ansiosamente pelas próximas tarefas. “Por hoje é só, pode tirar o dia de folga”.

As palavras pesavam em mim como se eu estivesse com uma bola de ferro amarrada no pescoço. Questiono se não há nada mesmo que eu possa fazer ou revisar e ele, me garante mais uma vez que eu posso descansar. Sinto um vazio aterrorizante e uma vontade louca de cair no chão e chorar como uma criança mimada que foi esquecida no mercado. De cabeça baixa, arrumo minhas coisas com uma lentidão estranha, como se pudesse estender o tempo para que houvesse de repente, uma mudança de ideia.

O pânico bate forte em meu peito ao chegar ao estacionamento. “Não há nada para fazer”, era a frase que martelava em minha mente.  O Nada, aquele momento estranho que todos desejam ter, pois assim, por consequência, terão a oportunidade de fazer tudo o que desejam… O Tudo, aquele momento igualmente estranho que eu não faço a mínima ideia do que seja por que nunca pensei em ter um tempo um “tudo” ou um “nada”, pois gosto de fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, pois elas sempre precisaram ser feitas atropeladas uma vez que não havia tempo para fazê-las separadas. Não havia tempo… Não havia… Tempo.

Agora, eu podia perceber um cheiro estranho no ar, uma sensação estranha em dirigir pela cidade durante a tarde, sem trânsito, sem barulho, em tumulto, sem pressa. Foi estranho chegar em casa e perceber como ela é vazia e como fica bonita com os raios de sol que atravessam os vidros coloridos, pintando o interior com tons de laranja e azul. Foi estranho tomar banho sentindo a água quente caindo devagar pelo corpo, o barulho da água do chuveiro, me trazendo sensações da infância, onde minha maior diversão era passar horas no banho sem preocupações.

Foi bizarro comer com tempo, sem precisar mastigar depressa, saboreando todos os gostos e temperos. Foi vazio e solitário deitar pra adormecer naturalmente e não desmaiar de cansaço como acontecia todos os dias.

Mais uma vez o dia amanheceu. Desta vez o sol não bateu forte no meu rosto e nem a TV deu o ar da graça com suas notícias chatas. Somente o celular despertou, e nada me impediu de colocar em modo soneca por mais 20 minutos.

juhliana_lopes 06-08-2015

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