Os números psicóticos de 2014

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog. E eu, estou compartilhando com vocês estes números para que possam acompanhar nosso crescimento! ^^

Aqui está um resumo:

A sala de concertos em Sydney, Opera House tem lugar para 2.700 pessoas. Este blog foi visto por cerca de 10.000 vezes em Se fosse um show na Opera House, levaria cerca de 4 shows lotados para que muitas pessoas pudessem vê-lo.

Clique aqui para ver o relatório completo

A massagista

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Depois de uma pré avaliação, disseram que eu estava liberada pois tudo não passou de um susto, um pequeno lapso que podia ser facilmente controlado com calmantes. O diagnóstico estava errado, pois eu sinto que está errado. As pessoas podem manifestar distúrbios e até mesmo doenças mais graves de formas sutis inicialmente que, normalmente, são ignoradas ou cuidadas com pouco caso por se tratar de algo “pequeno” ou “só isso” que “logo passa”… Mas não passa.

A maioria das pessoas também convive bem com isso, escondendo seus medos e anseios em alguma coisa, seja trabalhando demais ou bebendo demais. O vício, seja ele no que for, entra como uma válvula de escape, mas ao mesmo tempo é seu maior veneno pois vai matando e sufocando a vítima aos poucos e então, ela surta de vez liberando aquele problema ou se mata sozinha quando a doença se expande.

No meu caso, ainda não tenho um vício propriamente dito, mas meu trabalho é o meu pior castigo. Como conviver com aquilo que você deveria evitar? É como um pedófilo que quer “se curar” na Disney, um alcoólatra trabalhando como provador de vinhos, ou qualquer coisa do gênero… Não presta entende? Uma hora vai dar merda, mas eu pelo menos sigo firme e forte, pelo menos por enquanto.

Não existe nada demais em trabalhar onde eu trabalho, afinal, eu ajudo as pessoas, elas vem cansadas, estressadas em sua maioria e buscam apenas relaxar. Pelo menos eu não tenho que usar roupas sensuais como é o desejo de alguns marmanjos que por aqui aparecem, mas ainda sim, não é isso que me incomoda.

Fazer massagens nos outros não é ruim. É um bom exercício pra mente. Você consegue atingir pontos específicos que mexem com os nervos das pessoas. Pontos nos braços que atingem o emocional da pessoa diretamente no pulmão ou no coração por exemplo. Pontos que mesmo que doam um pouco ao apertar, trazem um alívio enorme depois. Já cansei de contar as pessoas que chegam com os ombros duros como pedra saírem molinhos como travesseiros.

Já vi pessoas desesperadas encontrarem soluções geniais para seus problemas depois de um tempinho relaxando, e até pessoas que aparentemente estavam completamente “zens”, perceberem que na verdade o problema só estava oculto.

Como vê, não há nada demais na minha vida, no meu trabalho, e em tudo mais. Talvez seja um exagero meu me achar uma louca em potencial, talvez realmente tenha sido algo pequeno como o médico disse… Poderia, claro, por que não? Não, não pode, simplesmente porque eu tenho um gosto insaciável em apertar pescoços, segurá-los e só soltar quando o corpo estiver mole em minhas mãos. Não pode porque cada vez que eu vejo um pescoço vulnerável, indefeso, minha boca enche de água e minhas mãos coçam como um cão sarnento e meu sangue ferve me deixando em um ponto além do ponto de ebulição de uma jarra de água qualquer. O suor frio que corre em minhas costas a cada vez que alguém está sonado, curtindo seu momento relaxante me faz tremer e sangrar por dentro, e apenas respirar fundo e morder os lábios por fora.

 

Se eu já esganei alguém? Sim, mas não sei mais dizer quantos. A primeira vez foi pra me defender de um assalto e eu acho que o bandido nem morreu, só desmaiou mesmo, mas a segunda pessoa eu tenho certeza que se foi, afinal, eu ouvi e senti um estralo profundo em seu pescoço. O que eu fiz com o corpo? Bem, digamos que ele ficou escondido em algum lugar.

Nesse meio tempo ocorreram outras e nem todas eu tenho certeza se matei como o meu segundo, e desde então só acontecia quando eu resolvia sair sozinha para curtir baladas em outras cidades onde ninguém me conhecia. Se tornou algo bom de se fazer pois eu podia me sentir livre e ainda curtir meu estranho prazer em paz. Tudo ia bem e eu poderia ter levado isso pra frente por muito tempo se não fosse uma discussão na casa de um amigo meu.

Eu só fui defender ele, mas no fim das contas acabei com o pescoço do cara que estava discutindo com ele nas mãos. Não morreu, mas ficou em coma por uns dias. Como o meu segredo que ninguém sabia nem que existia um segredo foi revelado, me levaram para um médico que diagnosticou apenas como um leve surto pós estresse, sem risco, pois eu era uma menina de boa família, boa educação e desde que eu me acalmasse, não aconteceria novamente.

Mas acontece. Todos os dias, pelo menos um pouquinho, sem danos é claro, de forma mais disfarçada possível entre um movimento e outro durante as massagens. Ninguém até hoje reclamou ou percebeu, ninguém pediu pra parar ou pra continuar, e então eu sigo nesse disfarce, mas só leves apertos não me satisfazem.

Com o tempo e com alguns parceiros descobri que também gosto deste tipo de “carinho”, as vezes, até mesmo pra me acalmar um pouco depois de um longo dia com vários pescoços , eu mesma me enforco, buscando quem sabe sanar um pouco desta loucura. Um dia quem sabe, quando eu não tiver mais nada a perder, eu me acabe no meu prazer, e destrua tudo com as minhas mãos, apertando, segurando, sentindo cada pulsação, cada alma se esvaindo, cada sonho se acabando… Quem sabe um dia, eu respire enquanto os outros não podem mais respirar…

/juhliana_lopes 28-12-2014

Leve sedução

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Sua respiração em meu ouvido me inebriava, me levando a um estado de êxtase jamais antes visto. Suas palavras confusas sussurradas em meio a busca de ar acelerada, que não puxava somente o ar mas a minha alma me fazia delirar mil vezes num loop insano.

Seu corpo colado no meu numa dança louca, fazendo sentidos que eu nem imaginei que tivesse serem ativados, me deixando em estado de alerta, com uma dose extra de adrenalina circulando pelas veias, atento a tudo, sobretudo aos seus olhares.

Suas mãos invadem meu corpo, e exploram cada pedaço do meu ser. Não é somente a pele que você toca, mas também o meu íntimo e meus medos. Com dedos leves você puxa meus sonhos e os mistura com as minhas angústias, me deixando num desespero sem controle.

Mas o que estou dizendo? Ela está ali, distraída conversando com suas amigas. Com seu cabelo sendo bagunçado pelo vento e o sol atrevido incomodando seus olhos. Minha menina, meu anjo, linda com suas roupas que dizem tanto sobre seu humor como o céu limpo diz sobre o dia. Tão delicada e meiga a maior parte do tempo, tão agressiva e selvagem em outros. Ela brinca comigo como um gato brinca com sua presa, enquanto decide se vai devorá-la ou descartá-la.

Passo o dia com você nos meus pensamentos, com você invadindo-me de dentro pra fora, expondo meus medos e desejos, me deixando em situações de risco e me fazendo tomar decisões rápidas ao longo da vida. Como uma sombra, sinto sua presença. Sei que está me esperando, sei que está me seguindo, sei que sabe o que eu penso e sobretudo sabes do que eu preciso.

Em casa, sei que és só minha. Meu tesouro, minha vida. Meu maior bem e minha maior armadilha. Não sei se ela é minha, mas com certeza sou dela. Aqui, no nosso conforto, os sonhos ganham vida, assim como os nossos monstros. Aqui não há pudor ou qualquer tipo de limite. Todos os segredos são revelados assim como todas as nossas fraquezas, ou pelo menos as minhas.

Seus olhos me hipnotizam e me levam até o seu apenas com sua doce voz sussurrada. Ah, como é bom ouvir seus sussurros. Como é bom me perder nesse veneno que é seu suor. Como é bom me entregar aos seus feitiços e condenar o que resta do meu ser a um castigo eterno, um castigo que pra mim é mais do que um privilégio. Pois se ficar ao seu lado for um castigo, me faça ser castigado pelo resto da minha vida miserável do que me privar de seus lábios por mais alguns minutos.

 

juhliana_lopes 24-12-2014

História de pescador

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Entre muitas das minhas aventuras no mar, nenhuma poderia ter sido tão trágica e ao mesmo tempo tão surpreendente como esta. Eu não era exatamente um marujo, apenas ajudava como ferreiro do rei, porém tinha alguns conhecimentos de navegação e por isso, o príncipe me convidava para auxiliar em suas buscas próximas por pequenas ilhas e quem sabe alguns tesouros perdidos por piratas.

Neste dia, saímos cedo, com 50 homens, para ajudar no convés, na cozinha e no timão. Ismael era o principal responsável pela navegação,  mas como era cego de um olho, as vezes me pedia auxílio. Além disso eu também auxiliava na artilharia e monitorava os arredores.

Tudo ia bem, sem maiores surpresas, ficamos três dias em alto mar e então resolvemos voltar, afinal os mantimentos estavam acabando. A noite era de lua clara, e a brisa soprava leve e fria trazendo um ar fresco agradável com a maré. Era uma noite tranquila, de muito rum e conversa fiada, todos dormiram bêbados, como crianças travessas.

Porém, pela manhã, fomos surpreendidos por uma tempestade, que nos afastou muito da costa e da área que estávamos acostumados a navegar. O mar em fúria, agitava a embarcação com uma força tão extrema que era difícil se equilibrar. Por mais que nos esforçássemos era difícil manter tudo em ordem e assim, batemos contra algumas pedras  e afundamos.

Alguns marujos conseguiram nadar, outros afundaram junto com os destroços. Eu, fiquei boiando a deriva sobre um pedaço do casco, mas o frio da manhã já congelava os meus ossos e o sol que apesar do brilho, ainda não irradiava calor, me deixava mais frágil ainda.

Aos poucos, fui perdendo os sentidos e quando percebi, começava a afundar lentamente em meio a imensidão. Então, senti um arrepio mesmo estando debaixo d’água e ouvi um som agradável como um canto. Então, a vi se aproximando, lentamente, esguia como um peixe curioso. Nadou ao meu redor enquanto eu afundava, se aproximava e se afastava, com os olhos curiosos e acesos. Então chegou próximo suficiente do meu rosto, e passou a mão pelos meus cabelos.

Ela era linda, com sua pele alva quase rosada, e abaixo da cintura havia algo que se assemelhava a uma cauda esverdeada. Seus cabelos negros dançavam conforme a corrente, cobrindo e revelando seus olhos escuros. Nunca havia visto olhos tão negros assim, afinal todas as moças do reino tinham olhos claros, assim como seus cabelos.

Não sei quanto tempo fiquei submerso, mas ao ver aquela linda criatura, não me lembrei mais de respirar ou de qualquer coisa. Estava completamente encantado, seduzido. Ela poderia me devorar e arrancar os meus membros que eu nem perceberia, tal era a sua beleza envolvente.

Então, suas mãos me tocaram no peito. O toque eletrificou o meu corpo me trazendo um êxtase nunca sentido, de tal forma que eu poderia morrer naquele momento, que eu morreria feliz. Mas não morri. Ela também não me devorou lentamente, pelo contrário, ergueu meu corpo até a superfície, onde o choque de pressão me fez voltar a razão e perceber que há muito eu não sabia o que era ar nos pulmões, me causando uma dor aguda no peito, que dificultava a minha respiração.

Ao olhar ao redor, ela estava ali, olhando de canto, me observando, esperando alguma reação. Ao ver minha dificuldade, me puxou pelo braço e foi me guiando, seguindo as ondas até chegar a uma praia rasa. Lá, pude me arrastar pela areia molhada e respirar com calma, para recobrar a consciência.

Não cheguei a dormir, mas quando me dei conta, voltei a água, na parte rasa para tentar encontrá-la. Poderia realmente ter sido um sonho, mas para o desespero da minha loucura, lá estava ela, debruçada sobre uma pedra lisa me observando.

Cheguei perto com cautela, ela ainda tinha os mesmo olhos acesos que me observavam como quem olha para a sua alma. Ficamos um tempo ali nos observando, e então, rompi o silêncio e perguntei, com uma voz rouca seguida de tosse, devido a quantidade de água que havia engolido.

– Por que não me devorou como costumam fazer com os homens do mar?

Ela me olhava com a mesma expressão, mas então piscou os olhos lentamente e com um movimento suave, colocou a mão para apoiar o rosto e respondeu:

– Porque não era a sua hora e porque eu não estou com fome.

Ficamos ainda por um tempo parados, mas o sol já começava a esquentar e ela começava a recolher água com as mãos para molhar as partes que não estavam mergulhadas. Tirei então dos meus bolsos um saquinho que estranhamente ainda permanecia no meu bolso. Retirei um anel e estendi para entregar-lhe. Ela, se recolheu desconfiada, porém curiosa.

– Tome, pegue. É um sinal. Se nos encontrarmos de novo, não permitirei que ninguém lhe faça mal. Estou em débito com você.

Ela pegou o anel, e o colocou no dedo. Em seguida, juntou um pouco de água com as mãos, colocou na boca e depois retirou algo que parecia uma gosma transparente mas que brilhava sobre o sol em cores azul e verde misturadas. Então, espalhou aquela gosma fria sobre o meu pescoço e se afastou. Logo aquilo secou. Ela me explicou então que aquilo também era uma marca, para que qualquer sereia que visse, não me agredisse ou viesse me fazer de refeição. Uma marca que só poderia ser visto por elas, e que me garantiria proteção.

Agradeci o presente e ela também agradeceu o anel balançando a cabeça. Então, voltou para a água, lentamente como um peixe quando é devolvido para  água, se acostumando novamente com a umidade. Antes que ela pudesse ir embora, lhe perguntei sem muito entusiasmo:

– Posso contar isso a outras pessoas?

– Contar o que, que você foi atacado por uma sereia que na verdade salvou sua vida? Quem acreditaria nisso?

Pensei um pouco e realmente, ninguém acreditaria. Não havia sequela alguma e nenhum sinal de luta, o máximo que diriam era se tratava de um louco do mar.

– Se quiser contar, conte. Mas não vai passar de uma história de pescador. – Ela disse por fim com uma voz suave como a brisa, que bagunçava os meus cabelos. Então ela se virou num bote e sumiu pelo mar. Depois de um tempo consegui voltar ao reino, pois tive a sorte de parar em uma ilha próxima com moradores que pescavam na região.

Ao voltar ao reino, todos ficaram surpresos pois eu já havia sido dado como desaparecido há dias. Os únicos que sobreviveram foram o príncipe, Ismael o navegador e alguns marujos da cozinha que também se agarraram a destroços e conseguiram seguir até a praia mais próxima. Eu, inicialmente usei a mesma história, mas depois lhes contei sobre a sereia. Eles não me depositaram muita fé, porém afirmaram que sereias foram vistas comendo marujos e se deliciando com seu sangue naquela manhã.

Não sei qual foi a minha sorte, mas a noite ainda ouço seus cantos em meus sonhos, e sinto seus olhos negros me observando, desejando-me por completo, assim como eu desejei tê-los para mim.

 

/juhliana_lopes 16-12-2014

Pesadelo

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A verdade é que você venceu.

Por mais que eu queira não consigo esquecer.

Como um veneno você invade minhas veias,

Dança pelo meu corpo me consumindo,

Alterando os padrões,

E corrompendo meu coração.

Não durmo mais há dias,

Com medo de adoecer,

Mas nada disso adianta,

Pois você já tomou o controle de tudo,

Já comanda como vai ser o jogo,

E só me resta obedecer.

Seu cheiro me mostra,

Que mesmo longe,

Você brinca comigo,

Fazendo-me delirar em sonhos perdidos.

Maldito seja o dia,

Em que me escolheu como refeição,

Bendito seja o que te criou,

Para ser a minha perdição.

Seus braços se enrolam em meu corpo,

Como uma serpente ao abraçar sua vítima.

Se alimentando dos meus medos,

Aprisionando-me em solidão.

Suas palavras são teias,

Que me prendem em seus monólogos,

Frios e sombrios,

Levando-me para a sua escuridão.

Já não vivo mais em mim,

Pois não me pertenço mais.

Enfim entreguei o que eu tinha,

Entreguei o que restou.

Você me despiu em tudo e me expôs.

Tirou-me de mim e colocou outro ser.

Agora só pertenço a você,

Minha alma é seu alimento,

E o corpo agora frio,

Não lhe serve mais para nada.

Pois tudo que sou agora é seu

Minha súcubo, meu pesadelo.

/juhliana_lopes 09-12-2014