Bar

kerol3

Acordou no meio da noite, completamente suado. O calor estava intenso apesar da ausência do sol. Levantou com a cabeça doendo e deu uma volta no quarto; a janela aberta deixava uma leve brisa quente entrar o que deixava o ar ainda mais abafado. Procurou um cigarro, mas não havia nenhum. Pegou uma camisa, mas não a vestiu de imediato, saiu do quarto em direção à rua, procurando algo para acalmar seu vício.

Muitos bares investem em um bom atendimento e melhorias no ambiente para atrair muitos clientes e ganhar muito dinheiro. Outros apenas funcionam com poucos clientes, até mesmo em condições precárias, mas apesar das dificuldades nunca fecham. Mesmo. Nem mesmo na madrugada, pois o que mantém o negócio funcionando não é o lucro nem mesmo a quantidade de clientes e sim a fidelidade dos poucos que tem. Foi em direção a um bar desse tipo que ele seguiu.

Com a brisa um pouco mais forte da rua, logo seu corpo estava seco e então colocou a camisa. Sentia-se sujo e logo voltaria pra casa pra jogar uma água no corpo, mas não antes de conseguir um cigarro. Chegou enfim ao bar que estava aberto como sempre. O dono lhe deu um sorriso amarelo e lhe entregou o maço, oferecendo ainda um gole de alguma bebida. Ele recusou educadamente e seguiu seu caminho, agora com a sua fumaça amiga ao seu redor.

Quando ele estava há alguns metros de sua casa percebeu sua presença. Havia muito tempo que não se falavam, na verdade nem se lembrava do motivo da distância. Sabia apenas que não fez falta e continuava não fazendo. Ela estava distraída, com pressa, talvez também voltando para casa.

Ele desviou o olhar dela por um instante observando a lua brilhante sobre o horizonte. Ela brilhava forte em meio à noite quente, completamente cheia. Ao voltar o foco para ela, percebeu então uma movimentação estranha. Um homem havia se aproximado e tentado levar a bolsa dela. Em reação ela não largou, puxando de volta, fazendo com que ficasse cara a cara com o ladrão. Ele a ameaçou com uma faca, mas para sua surpresa ela foi pra cima do meliante. Ele, como quem não espera uma reação, ficou perdido e confuso e ela agora estava com a faca na mão, lhe dando uma chave de pescoço.

Ele, por instinto, se aproximou a fim de tentar ajudar, mas chegou a tempo somente de ouvir o ladrão implorar pela vida e ter seu pescoço sangrado. Ele ficou ali agonizando no chão, e ela, ofegante olhava o corpo se contorcer enquanto o sangue banhava o asfalto.

Quando ela levantou o olhar percebeu sua testemunha. Ele pensou que talvez ela fosse demonstrar medo ou lembrar-se de sua amizade, mas ali, estava somente um rosto sem expressão.

Depois de um breve momento de um silêncio vazio, ele seguiu seu caminho, pensando em como aquilo também não fazia diferença alguma em sua vida. Quando chegou a frente a sua casa, sentiu o ar fugir de seus pulmões e uma pontada nas costas. Ao se virar, sentiu o golpe em seu estômago e seu próprio sangue sair de seu corpo.

“Você é louca?” Foi à única coisa que conseguiu dizer antes de cair no chão. Ela se abaixou ao seu lado, acariciou seus cabelos e disse baixinho: “Eu só não quero mais testemunhas”.

juhliana_lopes 11-09-2014

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