A guerra (prefácio)

Homem de chapéuHá certas coisas que não devemos questionar. Principalmente aquilo que não entendemos, ou não queremos entender. Mas como se teoricamente são estas coisas que devemos mais questionar? Como se são estas as coisas que devemos virar do avesso até saber de onde vem como veio e pra quê veio? Como simplesmente deixar pra lá algo que nos desperta curiosidade de tal forma por justamente não compreendermos?

Pois eu digo que são essas coisas que nos levam a um buraco tão fundo que se as pessoas tivesse a oportunidade de verem antes de terem a opção de “querer saber” de algo, deixariam para lá qualquer possibilidade disso.

Não generalizo. É claro que devemos buscar conhecimento sobre a maior parte das coisas que conseguirmos, mas existem coisas que a mente humana ainda não esta preparada para compreender. Existe um mundo… Um “submundo” por assim dizer, que muitas pessoas chamam de “só imaginação” ou “não existe”. Há nomes alternativos como “coisa da sua cabeça” ou “ideias de jericos”, mas a verdade é que esse mundo existe, e muitos não querem entender porque não conseguem compreender, vendo assim é melhor que não questionem mesmo, afinal, não se trata de um lugar agradável.

Se você vê um homem, com roupas rasgadas na rua, sua mente já o associa com um mendigo. Se esse homem estiver com um objeto estranho na mão, sua mente já o associa com um mendigo com um lixo qualquer na mão. Se você vê, esse mesmo homem de roupas rasgadas, com um objeto estranho na mão, fazendo movimentos estranhos de forma que o objeto acaba se movendo estranhamente como se tivesse, sua mente o associa como um mendigo louco com um lixo qualquer na mão, afinal sua mente não irá processar a ideia do objeto ter vida e sim do mendigo estar fazendo qualquer coisa de louco com as mãos para ganhar atenção.

Como eu entrei aqui, neste lugar onde mendigos como esse homem que citei agora podem ser magos poderosos, alguns já sabem, mas não é disso que vou falar agora, e sim do que é esse mundo. Um lugar “mágico” como diriam alguns que de campos verdes e unicórnios saltitantes só alguns cartazes colados nas paredes sujas e pegajosas dos becos. Mágico sim, pois não se vê um mercado de duendes a toa por ai, e muito menos seres que “não existem” desfilando com suas mercadorias para vender e trocar. Uma magia “suja” como diriam alguns, mas não “magia negra”, como vocês poderiam julgar. Claro que não temos uma cidade só para gente, fazendo com que muitas criaturas fiquem escondidas entre os civis, se passando por “gente”, ou vivendo “bem” no subterrâneo.

O uso de tantas aspas se deve ao fato que nada é fácil para nós. Vivemos em meio à sujeira do mundo, ao lodo e ao lixo. Vivemos a beira de brigas e assaltos, dormindo nas ruas para que possamos correr caso algo aconteça. Claro, não somos todos pobres, há aqueles que têm suas casas e uma boa vida financeira, mas quando se vive à beira da morte, é melhor virar nômade e viver mais uns dias.

Foi-se o tempo onde recebíamos alguma pompa e clamor. Não que eu seja tão velho a ponto de vir dessa época, mas sei de tempos de glória, onde havia castelos e roupas limpas para magos q hoje vivem como mendigos. Onde havia cavaleiros e guerreiros com suas espadas pesadas e narizes quebrados escondidos por elmos lustrosos. Foi se o tempo onde tudo isso também era considerado um mero mimo burguês e chegamos ao tempo – eles chegaram, eu entrei agora – onde a vida é como ela é. Suja como os becos, pegajosa como as paredes úmidas ondem crescem os lodos e perigosa como a noite sem luar.

Já faz tempo desde minha última “aventura”, conheci muita gente desde então, e posso dizer, não é fácil administrar tantos amigos. Nesse ramo, é melhor não é nenhum ou pelo menos cinco para nos livrar de enrascadas.

A verdade é que enquanto nossa preocupação eram somente os Corvos, tudo ainda estava no controle, pois ainda tínhamos um pouco de honra, tanto do nosso lado como do deles, mas agora, com novas e antigas famílias surgindo e ressurgindo, temos que nos preocupar em nos proteger e proteger o mundo “real” onde as pessoas vivem confortavelmente sem acreditar em nós.

Esse registro, escrito as pressas e sem sentido para alguns, se deve a uma guerra eminente que está prestes a acontecer. Os clãs estão crescendo e uma força poderosa foi descoberta, porém ninguém sabe de onde vai vir e muitas coisas ainda estão a caminho. Apesar do meu “clã” não ser unido – se é que da pra chamar de clã – prevejo a hora que teremos que nos unir e ficar de igual para conseguirmos nos tornar uma força tão potente quanto às outras…

E por que eu me preocupo? Por que o mundo mágico se preocupa? Pois uma guerra entre nós acabaria com o mundo como “vocês conhecem”, e como não vão compreender, vai acabar acontecendo alguma bobagem…

E quem eu sou? Um caçador…

 

juhliana_lopes 04-06-2014

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2 respostas em “A guerra (prefácio)

  1. Oi,

    Gostei muito do seu texto, muitos elementos interessantes e instigantes… Cumpre bem a função de um prefácio que é atiçar o leitor para o texto que ainda esta por vir. Você jogou elementos interessantes, não sei se você conhece o Grant Morrison, mas foi em “The Invisibles” que eu pensei enquanto estava lendo seu texto. Acho que ainda falta um pouco de lapidação, mas é uma história de muito potencial.

    Eu sei que ninguem gosta da patrulha da gramática, mas posso ser bem chata agora? Tem uns errinhos ao longo do texto:

    “que se as pessoas tivesse a oportunidade de verem antes de terem”, acho que tivesse deveria estar no plural, pois concorda com pessoas.

    “Um lugar “mágico” como diriam alguns que de campos verdes” acho que “como diriam alguns” deveria estar entre vírgulas

    “Nesse ramo, é melhor não é nenhum ou pelo menos cinco para nos livrar de enrascadas.”, acho que devia ser “é melhor nao ter nenhum”.

    “A verdade é que enquanto nossa preocupação eram somente os Corvos” – acho que o eram deveraia estar no singular pois concorda com “nossa preocupaçao”

    ” teremos que nos unir e ficar de igual para conseguirmos”, não é um erro, mas a expressão “ficar de igual” nao fez nenhum sentido para mim; talvez fosse interessante buscar outra forma de expressar essa ideia.

    É que sei lá, o texto é bacana e bem escrito e por isso mesmo os erros acabam chamando mais atenção… Desculpa qualquer coisas, rs.

    • Obrigada, é sempre bom ter opiniões sobre o nosso trabalho para melhorar sempre!
      Esse prefácio na verdade faz parte de um livro q eu to montando a partir de um projeto (o sete pecados) que eu ia postar q acabei nem publicando.
      Existem outros textos do mesmo universo que mostram um pouco mais de alguns personagens secundários, no caso os Corvos citados acima, você pode conferir no “Escolhida”, “Nova Aquisição” e “A legião”.

      Mais uma vez, obrigada ^^

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