Assim

acordar

Era um dia assim,

Mais um assim.

Era um dia qualquer,

Outro qualquer.

Eu não dormi,

Não sonhei,

Não descansei.

Não sei se voltei,

Não me lembro de nada,

Não sei quem eu sou.

Sinto paz,

Aquela paz.

Sinto dor,

Talvez seja amor,

Mas eu não me lembro.

Aquela sensação de que nada acontece,

Aquela impressão de que nada vai acontecer,

Aquela lembrança de que nada aconteceu.

Assim, qualquer paz, dor e amor.

Acho que tenho que levantar,

Mas não me lembro de ter deitado.

Talvez seja só… o fim. 

 

juhliana_lopes 30-05-2014

Serviço

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Estava eu jogado num bar, tomando mais uma dose daquela coisa amarga que descia quente pela garganta. Quem me visse naquela situação diria que eu estava largado à própria sorte, mais um traste entregue ao destino. A verdade é que eu só estava aquecendo, aquela que seria uma noite daquelas. Há muito não conseguia algum motivo pra sair e hoje, até então, estava tudo perfeito.

Mais algumas doses enquanto observava o lugar. Vi quando Jack sentou ao lado de um cara qualquer, daqueles que aparecem todo dia nos bares, mas nenhum com um motivo forte o bastante para terem suas mágoas reveladas. O rapaz aparentemente só estava degustando assim como eu, e Jack, também estava se aquecendo. Em outra situação eu já teria ido embora, mas hoje não. Nada melhor para fechar a noite que aquela melodia peculiar.

Acredito que qualquer outra pessoa teria uma reação meio estranha e possa adquirir até mesmo certa aversão, mas Jack consegue ser o ser mais normal que você encontra num bar, considerando tantas outras figuras que passam todos os dias por eles em busca de um escape.

Eu estava somente me aquecendo, e agora, no fim de mais uma canção espetacular, sai em busca da minha atração principal. Ainda pingava sobre a rua molhada, e não havia mais ninguém nas ruas. Ouvia apenas os meus passos que eram abafados pelos poucos carros que passavam apressados naquela madrugada.

Meu cigarro já estava apagado jogado em alguma calçada suja quando encontrei meu objetivo. Estava ali, parado, esperando alguém que não era eu muito provavelmente. O segui durante toda a semana e estranhei o fato dele ainda continuar indo para lá esperar. É claro que ela não iria aparecer, não sei como alguém pode ser tão idiota.

Solange, uma guria linda, que faz inveja para as outras e provoca sempre brigas entre os seres do sexo masculino por onde passa. Viu em Marcelo, o que ela nunca encontrava num homem: serenidade, carinho e romantismo. Logo enjoou. Era muito doce e então percebeu porque as mulheres gostavam de serem maltratadas de vez em quando, mas como ainda ganhava presentes, o enrolou por um tempo.

Veio então o ultimato, afinal, quem tanto tem a oferecer, espera no mínimo algum retorno. E então os encontros foram marcados, e todos os dias ele estava no mesmo lugar, esperando, aguardando, com a chama acesa da esperança viva em seu peito, pronta para se transformar num fogo ardente de paixão sob os lençóis da bela dama.

Desde então eu o venho seguindo, pois a bela dama nada mais é que uma ótima patroa e me prometeu alguns pagamentos dobrados por alguns serviços extras… Eu não espero que ela me recompense com “algo a mais”, até por que, vindo dela, pode ser muito perigoso.

Então ali está Marcelo numa rua escura a espera da sua musa, molhado dos pingos da chuva, mas sem o menor sinal de querer desistir de seu sonho. É uma pena, uma profunda pena, mas estou aqui para lhe dar um recado, e seria extremamente frustrante lhe deixar sem uma resposta.

“Auuuuuu, auuuuu”, cantei baixinho, lembrando-me dos versos de Jack D. Wolf. A chuva estava ameaçando cair pesada novamente, e logo eu teria que me apressar. Não gosto quando a rua fica molhada por não consigo ser silencioso da forma que gosto de ser. Ele me ouviu assim que apontei atrás dele e se virou depressa com um ar apaixonado que logo se transmutou para apavorado. Eu não estava tão mal assim, apenas usava um casaco sobre minha blusa cacharréu que escondia minha boca e meu queixo.

Antes que ele mexesse seus lábios para fazer qualquer pergunta ou mesmo gritar, descobri a minha boca e então notei seu rosto ficando tão pálido quanto à lua sob a neblina. Eu não sou o pior dos homens no quesito beleza, mas digamos que minha aparência seja singular. Ele não conseguia correr, estava claramente em choque, e então entreguei o bilhete em sua mão. Ele, claro, desconfiado até as orelhas, o abriu com muito cuidado e deixou escapar o que pareceu ser um suspiro de alívio ao reconhecer a letra do manuscrito. Antes que seu sorriso ficasse por mais alguns segundos, seu rosto assumiu novamente uma expressão confusa e sua respiração ficou mais acelerada.

Quando olhou pra mim novamente, sentiu apenas minha mão pesar sobre seu rosto. Muito curioso como alguém despreparado cai rápido no chão. Talvez eu ainda estivesse meio alto por causa das tequilas, talvez não devesse ter exagerado, afinal, tenho a leve impressão que meu golpe deveria ter tirado um dente, mas ele apenas caiu de cara no chão como qualquer coisa podre. Tentou se levantar desajeitado, mas lhe dei um chute certeiro no estômago.

Ouvi uma espécie de choro baixo e algum sussurro sobre o porquê e um pedido de misericórdia. O puxei pela gola da camisa, o coloquei em pé e cheguei bem próximo de seu rosto. “Não existe misericórdia, não existiu para mim quando fizeram isso com meu rosto”, disse com minha voz rouca e pesada, mais uma voz de bêbado do que ameaçadora…

Ele ainda tentou dizer qualquer coisa começando com “ela…”, mas a faca entrou em seu pescoço tão fácil como seu sangue saía quando começou a jorrar. Limpei minhas mãos como pude, guardei meu instrumento e voltei calmamente para o bar.

Para minha sorte, Jack ainda estava tocando a saideira, e tratei logo de me jogar em outra cadeira qualquer para terminar de ver o show. O bar estava quase vazio agora e com menos vozes, era muito melhor apreciar a apresentação.

Tudo perfeito, boa música, bebida, serviço feito… Amanhã irei ganhar o prometido, e talvez seja morto no mesmo dia, mas não importava, pois hoje, já tinha valido a pena. Despedi-me de Jack com um aceno e voltei para casa. Mais um cigarro e a lua a me acompanhar. Passei a mão, coçando as cicatrizes “horríveis” de meu rosto. Agora não havia necessidade de esconder, afinal, os seres que andam a noite não costumam se importar com a aparência dos outros.

“Misericórdia…” me peguei rindo e repetindo aquela palavra tão idiota que todas às vezes eram proferidas como se aquilo pudesse salvar alguém… Não me salvou e não salvaria ninguém vindo de mim. Não das mãos de alguém que um dia foi conhecido como o grande Glokta… Uma pena não ser o verdadeiro…

 

juhliana_lopes 28-05-2014

REFERÊNCIA: Não conhece o Jack D. Wolf? Clique aqui e saiba um pouco mais…

Sonho

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Acordou atordoado. Seu coração quase pulava pra fora da boca e respirar era o ato mais doloroso que conseguia fazer. Colocou as mãos sobre a cama e sentiu os lençóis finos e delicados contornarem suas mãos. Ainda como se só o toque não bastasse, olhou em volta e viu seu quarto amplo e com decoração escolhida a dedo no lugar.

Começou a se levantar devagar, agora mais calmo e mais ciente. Um sonho. Um pesadelo. Nada mais. Lavou o rosto com a água levemente gelada de sua torneira de temperaturas, e usou uma toalha macia para secar. Descalço, caminhou pelo quarto até chegar à janela, e ao abrir, viu o sol que brilhava forte em seu rosto e os pássaros alegres, que anunciavam um novo dia. Na verdade, já não era tão cedo, mas por ali, pelo menos pras pessoas como ele, o dia ainda estava começando.

Vestiu-se com suas roupas sociais, afinal, era preciso esquecer suas lamúrias da madrugada e trabalhar. Sentou-se a mesa para tomar o seu café e comer qualquer coisa rápida como de costume. Não entendia bem porque, mesmo comendo apenas uma fatia de pão ou até mesmo só uma torrada, a cozinheira deixava a mesa cheia de guloseimas, desde bolos até mousses e frutas que pareciam que haviam sido escolhidas no mesmo dia.

Pegou sua pasta e saiu apressado, pois sabia que mesmo de carro, não escapava de correr o risco de se atrasar, ainda mais considerando o trânsito atual. Colocou suas músicas favoritas, e respirou o “puro” ar do seu sistema de ar-condicionado no carro, afinal, não se dava ao luxo de andar de janela aberta, pois além do ar carregado de fumaça, havia também o risco de roubos naquela área.

Chegou à empresa a tempo, e tratou logo de fazer o que mais gostava. Ou pelo menos fazia um esforço para fingir que gostava para se sentir melhor.  Afinal, o serviço não era ruim, mas ainda não era ali que ele queria estar. Para sua sorte, caiu nas graças do chefe, e sempre que ele chamava, deixava seu trabalho de lado para participar das reuniões que poucos tinham acesso.

Na hora do almoço, saiu com alguns amigos para o restaurante de sempre. Fazia muito tempo que não se preocupava com a conta, afinal, um dos amigos presentes era o próprio chefe e hoje não seria diferente. Antes de voltar ao trabalho, sentiu uma leve dor de cabeça, uma pontada de repente, mas não poderia ser nada demais, apenas o calor; mesmo assim, seu chefe, amigo, o deixou ficar em casa o resto do dia para ficar bem recuperado, com a promessa de que pediria a alguém que estivesse com o serviço adiantado para fazer um pouco do dele.

Foi para casa tranquilamente e ao chegar, se deitou para descansar. Teve a impressão de sonhar novamente com aquele lugar… Sujo, nojento, pior que a sarjeta. Sentiu o cheiro forte de algo podre, e um som ensurdecedor. Novamente com o coração acelerado, abriu os olhos.

Já estava escuro do lado de fora, porém sua casa estava quieta demais. Saiu do quarto, ainda abalado, e cada vez mais desconfiado. Todas as luzes de casa estavam apagadas, como se a empregada simplesmente não estivesse lá para acendê-las. Chamou-a, porém apenas o silêncio estava presente. Deu mais alguns gritos, porém nada acontecia. Andou pela casa, e depois de tropeçar em algumas coisas, conseguiu acender o lustre principal.

Horror. Alguns móveis revirados, e rastros de sangue que levavam até a escada como se alguém tivesse tomado banho com ele e subido as escadas. Mesmo sentindo as piores náuseas com a cena, seguiu para a cozinha, pois aparentemente os rastros começavam de lá. Suas pernas tremiam de medo, e não conseguia pensar direito. Sentiu o suor frio descer pelas costas, e notou que seja lá o que tinha feito aquilo, poderia pegá-lo a qualquer momento, afinal, ele não tinha nenhum segurança em casa naquele dia.

Quando chegou a cozinha, abafou um gemido mórbido com a mão e de repente, lembrou-se do nome da empregada. De nada adiantaria chama-la pelo nome agora, afinal, ela não tinha condições de responder. Pensou que talvez pudesse ser uma brincadeira, extremamente sem graça de halloween, afinal, sua empregada era jovem, e vivia comentando na cozinha com outras empregadas sobre festas que ele jamais iria devido a sua condição social. Apenas ela ficava durante a noite quando os seguranças estavam de folga.

Aproximou-se do corpo que estava pendurado pelas mãos, num objeto onde se pendurava alguns talheres, de forma que ela estava de frente para parede com as pernas flexionadas para trás, quase como se estivesse ajoelhada em um banco. Sua roupa toda manchada de sangue já produzia um cheiro horrível e a hemorragia que vinha do pescoço brilhava sob a luz do lustre da cozinha. Quando tocou em sua cabeça, teve todas suas dúvidas e certezas extintas como fumaça ao vento.

A cabeça rolou pelo corpo, quicando no chão como uma fruta madura quando cai do pé. A boca levemente aberta, completamente tomada por um tom vermelho quase preto, e os olhos semiabertos, deixando a situação ainda mais macabra.

Percebeu que agora ele estava chorando como criança, com medo do bicho papão que jurou ter visto embaixo da cama. Quando colocou suas mãos no rosto para enxugar as lágrimas, notou que elas estavam grudentas. Mais sangue. Era como se ele tivesse pegado a cabeça e brincado com ela até que suas mãos ficassem naquele estado. Como havia chegado naquele ponto? Havia apenas tocado com um dedo e não com a mão inteira, muito menos com as duas. Há quanto tempo suas mãos estavam daquele jeito e não havia percebido? Olhou mais uma vez horrorizado para o ambiente em sua volta. A cozinha estava tão bagunçada quanto o resto da casa, e praticamente todas as facas estavam cobertas de sangue. Percebeu então que não só suas mãos estavam sujas, como suas roupas também.

Saiu caminhando pela casa atordoado, a cabeça rodando e os olhos sem conseguir focar em nada. Tropeçou em outro móvel jogado e caiu sob um tapete dobrado, e a única coisa q conseguiu fazer foi virar de barriga pra cima e olhar o teto com o lustre luminoso da sala que brilhava forte, iluminando o local do terror. As lágrimas vieram, embaçando mais a sua visão, e logo o cheiro de podridão tomou conta de suas narinas novamente.

Uma rua suja, e apenas a luz da rua sob sua cabeça. Deitado num beco, próximo de uma parede pegajosa de lodo, levantou e se sentou na calçada. Olhou a rua e os carros passando, as pessoas que por ele passavam muitas vezes o chutando como se fosse um lixo.

“Um sonho…” Murmurou… A vida que tinha os sonhos que tinha, destruídos naquela noite, e toda vez que dormia, só conseguia sonhar com sua vida boa, e que a sua situação atual era um sonho ruim…

“Malditos sonhos…” disse ao se levantar e cuspir no chão. “Até que eu gostava da empregada…” disse a si mesmo ao sair caminhando mais uma vez sem rumo pela cidade, em busca de outro lugar para dormir em paz.

 

juhliana_lopes

Clichê

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Era uma linda manhã de sol, e ele estava animado como nunca antes estivera. Acordou cedo e foi para o trabalho sorridente, porém, na primeira esquina, um carro passou apressado sob uma poça de água e o molhou completamente.

Respirou fundo, passou a mão na roupa, contou até 10. Estava sujo, molhado, mas aquilo ainda não podia estragar o seu dia. Continuou caminhando mesmo assim. Comprou umas flores de uma velha senhora na rua, e seguiu seu caminho.

Ao chegar no trabalho, lógico, todos com cara de surpresa. Ele, meio envergonhado com a situação, foi até o seu chefe dar uma explicação. Na hora, não pode deixar de ficar exaltado, afinal, se não fosse aquele maldito com o carro preto modelo tal, ele não teria chegado naquele estado. O chefe, estranhamente paciente, ouviu toda a história, apenas com as mãos juntas na frente da boca.

Quando terminou seu monólogo, ouviu apenas uma pergunta do chefe: “Esse carro, passou na esquina tal?” Um sim afirmativo com a cabeça e um olhar confuso. Caramba! Nem mesmo as flores que estava em suas mãos continuaram lindas naquele ambiente. O chefe um tanto envergonhado pelo ato e irritado com os comentários e “apelidos” que ganhou, mesmo indiretamente, permitiu um dia de folga.

Cabisbaixo, seguiu pela avenida de volta para casa. Sabia que não era sua culpa, mas talvez devesse aprender a medir as palavras mesmo na hora da raiva. Sabia que não era ele quem devia ficar assim, mas sabia que aquilo de certa forma podia lhe prejudicar. No meio do percurso, uma chuva rápida se formou e caiu pesadamente sobre a cidade. Deu um sorriso irônico para o chão, tudo que ele mais queria. Mais uma vez molhado, e sem dinheiro pra condução, já que ia pedir o dinheiro hoje no trabalho e esqueceu após toda confusão.

Quando finalmente chegou em casa, o sol se abriu novamente. Respirou fundo mais uma vez, mas não pôde evitar um dedo do meio mostrado para o céu como sinal de sua revolta.

Resolveu tomar um banho quente para relaxar, mas mal entrara no banheiro, ouviu a campainha chamando. “Não vou atender” pensou. Fechou os olhos e colocou a cabeça embaixo do chuveiro, mas a campainha insistia sem parar. Pegou uma toalha irritado e desceu as escadas pisando firme.

Abriu a porta sem nenhuma delicadeza, para dar de cara com uma garotinha vendendo qualquer coisa para a escola. Pegou qualquer trocado, entregou a ela e nem esperou para receber o que quer que fosse que ela estava oferecendo.

Mal voltou ao banho, e agora o telefone não parava de tocar. Ainda mais irritado, deixou que tocasse e terminou seu “relaxante” banho com a trilha sonora de tons repetitivos.  Com a cabeça ainda doendo mesmo após vestir uma roupa  confortável, o telefone tocou mais uma vez, e agora, ainda mais sem paciência que antes, tirou do gancho de uma vez.

Ruídos. A única coisa que ouviu. Já estava anoitecendo. Quanto tempo havia ficado no banho afinal? Não importava, o dia já estava sendo péssimo o bastante para se importar com um trote. Sentou e começou a ver televisão. Acabou cochilando durante uma notícia sobre fuga de prisioneiros num presídio em algum lugar.

Acordou assustado com o telefone mais uma vez. Atendeu e falou alto caso a pessoa do outro lado não estivesse ouvindo. Mais uma vez ruídos como resposta e uma leve voz dizendo qualquer coisa sobre morte, mas nada compreensível.

Desligou o telefone com raiva, tirou o aparelho do fio e o jogou pela janela. Desligou a TV e foi para cozinha tomar um copo d’água. Sozinho, ouviu alguns barulhos estranhos, mas não se importou. Podia ser até mesmo sua própria respiração já que estava quase bufando de raiva.

Quando se virou para guardar o copo, ouviu um estalo e quando olhou para trás havia uma figura sinistra com uma faca pronta para acertá-lo. Foram segundos que pareceram uma eternidade, primeiro porque ao ver a cena, a primeira coisa que lhe passou pela cabeça foi: “É sério?”. A segunda foi: “Não to acreditando ainda, é sério?” E antes de pensar a terceira, já tinha agido.

Numa resposta rápida, conseguiu agarrar a mão que vinha em sua direção e com a outra, agarrar a nuca, empurrando a cabeça do ser contra a parede. Depois, com a faca agora em sua mão, fincou no pescoço e deixou o sangue jorrar devagar enquanto analisava a situação.

A figura sinistra, aparentemente era um dos presos que haviam escapado, e estava sinistro pois estava magro e com roupas bem sujas. Seus olhos fundos e ossos aparentes, mostravam que não comia a muito tempo. E nem comeria mais nada agora.

Deixou aquilo na cozinha, e foi se deitar, afinal, amanhã tinha um longo dia.

Mais um amanhecer lindo, porém, com nuvens aparentes, havia se levantado uma hora e meia mais cedo do que o normal. Se levantou, tomou café, limpou a sujeira e começou a cavar o quintal. Enxugou o suor da testa, e após a última pá de terra, foi tomar um banho rápido para ir ao trabalho.

“Fazia tempo que eu não fazia isso, mas tenho que arrumar outro lugar para esconder os corpos, to ficando sem espaço pra cavar covas aqui nos fundos.A casa na outra cidade era maior… Agora sim me sinto mais calmo…” Disse para si mesmo e entrou em casa com um sorriso no rosto. Olhou o quadro na parede, passou os dedos levemente sobre ele e subiu cantarolando.

No quadro, um recorte de jornal, com uma notícia velha, porém guardada com extremo carinho: “ASSASSINO MISTERIOROSO FORAGIDO. POLICIA AFIRMA QUE SE TRATA DE UM LOUCO, UMA VEZ QUE SEUS PROPÓSITOS SÃO MOTIVADOS APENAS PARA “RELAXAMENTO PESSOAL” CONFORME RELATO DO ACUSADO. POLICIAIS ESTÃO EM BUSCA E ALERTAM A POPULAÇÃO SOBRE O PERIGO.”

 

juhliana_lopes 07-05-2014