Assalto

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Olhos inchados, sangue seco pelo rosto. A boca ainda sangrando e as marcas roxas pelos braços denunciavam a agressão. Mais um copo de água, mais explicações. Pela terceira vez depois de mais um descanso deu a mesma versão ao delegado. Estava andando, indo para o cinema encontrar uns amigos, mas no meio do caminho ligaram avisando que não iriam mais. Voltou a pé mesmo, foi abordada, tentaram levar a bolsa, ela reagiu, apanhou, e eles correram.

O policial anotou tudo, e pensou em fazer mais perguntas, mas a pobre moça parecia exausta. Como se não bastasse as dores, já estava ali a quatro horas dando o mesmo depoimento, cada vez com mais detalhes conforme as suas perguntas mas sempre na mesma versão. Resolveu encerrar mas antes verificou se ela tinha alguém que pudesse buscar. Ela respondeu timidamente que não, pelo menos não naquela hora, disse que pegaria um taxi se pudessem emprestar algum dinheiro pra ela.

Ele emprestou e disse para ela retornar no outro dia para tirar novos documentos já que os seus foram levados com a bolsa. Ela agradeceu, mais um copo de água, alguns passos mancos e desordenados. Precisou de ajuda pra chegar até a calçada. Logo veio um taxi e ela se foi.

Mais cedo, não muito longe dali, um casal foi abordado por um garoto. Usava roupas largas e ele parecia conhecer alguns golpes. Assaltou o casal e os bateu, saiu com carteiras e uma bolsa. Ao longo do caminho tirou tudo de dentro das carteiras e da bolsa, escondeu em suas roupas íntimas e tirou a roupa larga. O garoto na verdade era uma mulher que agora desfilava por ruas escuras com calça jeans e uma blusa leve. Logo foi abordada por alguns rapazes que tentaram levar a sua bolsa, ela resistiu e lhes deu uma surra, mas logo apareceram outras mulheres que bateram-na e levaram a bolsa. Depois da delegacia e do taxi, chegando em casa para enfim cuidar dos ferimentos, sorriu em frente ao espelho.

Boca vermelha, olhos inchados, mas muito dinheiro, junto com outras quantias que já havia ganhado em noites anteriores, mas desta vez, sem uma bolsa para sua coleção.

“A 99 pode esperar” ela pensou enquanto cuspia sangue na pia.

 

11-10-2013 /juhliana_lopes

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