Escolha

Menina-de-12-anos-esta-presa-em-cadeia-publica-em-MSEu poderia dizer que fui abandonada no escuro, que ninguém se importa e que aos poucos irei definhar até morrer. Isso seria um fato se eu ainda estivesse em minha casa. A verdade é que estou presa.

Não recebo visitas, não há quem pergunte por mim, e nem ninguém para me provocar, mas não me vejo abandonada. Eu escolhi. Eu quis ficar sozinha. Depois de tanto tempo tentando e nunca conseguindo nada, você percebe que as vezes o destino lhe dá caminhos para proteger as pessoas mesmo que você ache que nunca lhes fará mal, ou que isso não é com você.

Eu nunca quis muito. Queria apenas viver. Viver sim, como todo mundo. Rir, falar besteira, ter um “grupo” que pensasse igual a mim ou não, mas que conseguisse se entender, compartilhar ideias. Eu tentei. Corri, busquei, mas algo sempre dava errado. Era mais como se fosse um aviso. Ignorei.

Consegui enfim um grupo. Diferente, considerado “errado” por muitos, mas onde enfim eu me sentia bem. Mas desta vez o aviso retorna e eu com todas as forças vou contra ele, e enfim descubro o porquê de tudo. O grupo resolveu ousar e logicamente neguei. Não era pra isso que eu estava ali. Insistência, zombaria, intimidação. Dei as costas, não valia mais a pena, mas como uma praga vieram atrás e então, no meu ápice pude ver do que eu era capaz.

Olhos grandes e assustados, tanto do “grupo” como de mim, no que eu havia me tornado? No outro dia eu já era considerada fugitiva e sem a menor resistência fui presa no dia seguinte. Não que eu tivesse tentado fugir no dia anterior, apenas me recolhi. Pensei, analisei, queria entender. Chorei, de medo e de alívio, afinal me afastar dos que eu mais gostava, mesmo que contra vontade, foi melhor, pois agora eles estavam bem e protegidos.

Na primeira penitenciaria, muitas queriam saber os motivos, e não me deixavam em paz um só segundo, mesmo eu fazendo todas as suas vontades. Aconteceu de novo, e eu fui transferida. E foi assim por cinco vezes, até que me esqueceram aqui. Não sei mais nada sobre o tempo, não sei mais o que é um espelho, não sei o rosto que eu tenho.

Ainda choro, lembrando da boa vida que eu tinha e perdi, em busca de algo que eu não devia ter. Sozinha, enfim, não sei mais onde seria melhor. Aqui pelo menos estou longe de todos, não vou ver ninguém se divertindo, não vou sentir vontade e nem ansiedade de querer estar lá também. Lá pelo menos eu teria o seu abraço. Um abraço que sonho todas as noites, e as doces palavras que me disse uma vez…

 

juhliana_lopes 02-06-2013

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