Pacífico

1176657Já era noite quando ele resolveu dar uma volta. Passou por uma ponte onde havia um rapaz sentado. Ele estava sozinho até a chegada de um homem bem vestido que ficou próximo dele. Não teve tempo de ver sobre o que conversavam e nem queria. Continuou seu caminho, mas foi interrompido por dois homens ao passar por um beco. Eles diziam qualquer coisa sobre entregar dinheiro e celular, mas ele não tinha nenhum dos dois, logo estava tomando uma surra.

Quando sentiram que ele já estava mole, largaram pelo chão e foram embora. Ele poderia ter amanhecido lá mas ele precisava fazer alguma coisa. Havia uma pessoa esperando por ele, e não era certo permitir que eles chegassem até ela, mesmo que sem querer.

Então, com um pouco mais de força do que o habitual, levantou-se e começou a ir atrás dos caras. Eles não perceberam sua aproximação pois pensaram que era mais um mendigo se arrastando. Ficaram surpresos quando alguém tocou suas costas e em seguida cada um levou um soco, que não foi o suficiente para derrubar, mas foi um bom “ataque surpresa”. Um deles não percebeu quando derrubou uma faca, então ele conseguiu tomar para si e agora investia contra eles. Tomou outra surra, tremia e se sentia fraco, porém lembrou o motivo de ter reagido e se levantou novamente. Sem tempo para conversar conseguiu furar a barriga de um deles e fez um corte no braço de outro. Conseguiu cortar o pescoço do que já estava ferido na barriga e então começou a atacar o outro. Antes que ele tentasse correr conseguiu derrubá-lo e quase como por diversão retalhou seu rosto antes de por fim a sua agonia.

Esfriava, e a noite parecia mais escura. Colocou os corpos no beco e sentiu a brisa. Deu uma olhada rápida para a ponte e agora o homem bem vestido se despedia do rapaz que estava na ponte com um sorriso no rosto. Pôs as mãos no bolso e seguiu seu caminho, onde encontrou enfim sua amada.

– Que mancha de sangue é essa na sua mão? Trabalhando no açougue de novo?

– É…

– Podia pelo menos lavar a mão da próxima vez.

– Sim amor, eu só estava com pressa de te encontrar.

– Você não disse que nunca mais iria naquele açougue?

– Sim, mas eu precisava de… dinheiro.

– E esse olho roxo?

– Brincadeira de amigos, acabei levando um soco.

– Você não andou brigando não?

– Não amor.

– Acredito em você amor. Sempre tão pacífico! – ela disse abraçando seu braço por fim.

– Sim amor… Pacífico…

 

/juhliana_lopes 11-05-2013

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s