Pré-Morte: A agonia final

parte3Parecia realmente que tudo estava normal. Minha mãe ao meu lado, segurando minhas mãos e falando palavras doces em meu ouvido. Os médicos examinando e com um sorriso calmo como se dissesse: “Está tudo bem.” Tudo ia muito bem…

– Como eu sou bonzinho, eu vou deixar você ver a sua agonia durante há primeira hora. Apenas seu corpo irá sentir e você vai poder assistir a tudo. Depois da primeira hora, você vai voltar pro seu corpo e sentir tudo que merece antes do seu descanso.

– Angel…

Angel estava linda como sempre. Realmente grávida, e ela havia ganhado alguns presentes para o bebê. Entre eles uma toalhinha com meu nome bordado e depois dele um “júnior”.

Como pude ser tão idiota, como pude não ver a verdade. Agora era tarde, ou talvez não.

– Há alguma forma para que eu sobreviva? Eu gostaria muito de voltar e concertar tudo.

– Sempre me pedem isso. Mas nunca aceitam o preço. Para que você viva sua namorada e seu filho têm que ficar no seu lugar e sentir a agonia que você sentiria. Topa?

Aquilo me deixou claramente sem chão. Não havia jeito. Apenas respondi com a cabeça que não. Quando ouvi o choro de minha mãe, notei que a agonia havia começado. A máquina registrava um grande aumento dos batimentos cardíacos, mais rápido que qualquer ser poderia suportar. No mesmo momento os batimentos ficaram fracos, quase parando, e novamente foram as alturas. A expressão de dor em meu rosto era explícita e eu começava a me contorcer. Vi quando Angel e minha mãe saíram do quarto a pedido dos médicos. A porta se abriu, mas ninguém saiu. Pelo vidro, elas não estavam mais no quarto.

Senti todo o peso dos meus atos.  A certeza de que não haveria uma segunda chance, tudo tão claro quanto o dia. O tempo passou tão rápido que só deu tempo de ouvir:

– Adeus Vágner. Seu filho será um grande homem.

Senti minha cabeça pesando. Quando abri os olhos senti toda a dor e agonia de meu corpo, os médicos ao meu redor tentando me ajudar. O ar não chegava aos meus pulmões, e quanto mais eu tentava respirar, mais o ar me faltava. Meu corpo tremia e tinha fortes convulsões, a dor era imensa. Era como se alguém estivesse rasgando cada músculo do meu corpo e quebrando cada osso com um martelo em várias partes. Sentia minha carne se abrindo como se toda a pele fosse se desprender do meu corpo. Meus olhos queriam pular para fora, minha língua parecia um demônio incontrolável. Senti agulhadas em meu corpo, provavelmente sedativos. Sentia o líquido percorrendo minhas veias, mas nada aliviaria aquela tempestade. As convulsões iam ficando mais fortes e agora sentia os médicos me amarrarem para que eu não caísse da cama. Senti minha cabeça inchar. Meu cérebro parecia que ia explodir, meus ouvidos podiam estourar a qualquer momento, e tudo parecia não ter fim. Eu realmente queria morrer para que aquilo se acabasse, mas sabia que ainda tinha muito por vir. Levantei um pouco a cabeça no meio ao tormento e vi a toalha bordada novamente. Pelo menos algo valeria a pena. No fundo eu tinha esperança que meu filho fosse realmente uma boa pessoa, para que não passasse nem metade do que eu estava passando agora. Choques percorriam meu corpo, e sentia meus pulmões atrofiando assim como o coração.

14 horas de agonia, até o momento do suspiro final. Enfim meu corpo estava em paz.

 

/juhliana_lopes 14-01-2013

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