Pré-morte

parte1Eram 13h quando aconteceu. Eu estava na minha, esperando a minha mãe como sempre, gostava de ouvir a voz dela. Mas ela não apareceu. Comecei a ficar ansioso, por que ela estaria demorando tanto? Foi na minha ansiedade que notei a ausência dos médicos. Eles sempre vêm me ver a cada hora. Mas já faziam três e ninguém apareceu.

Um leve formigamento tomou meu corpo e aos poucos os movimentos do meu corpo foram voltando. Lágrimas de alegria percorreram meu rosto, um verdadeiro milagre estava acontecendo. Sentei-me na cama sozinho. Era divino. Onde estariam todos para ver esta maravilha! Tentei falar, mas as palavras não saiam da minha boca. Apenas gemidos e pouca coisa compreensível. Tudo estava voltando ao normal. Já que ninguém ia aparecer pra me ver, porque não ir atrás deles e fazer uma surpresa? A sala do médico não devia ser tão longe assim.

Primeiro tentei ficar em pé. No começo parecia fácil, mas o peso do tempo parecia ter travado minhas pernas. O primeiro passo foi uma coisa horrorosa. E assim eu fui cada passo mais horroroso que o outro, porém, eu não cai. Fui me apoiando nas coisas até chegar a porta. Quando eu abri, minha surpresa foi maior ainda. Ninguém nos corredores. Eu nunca tinha visto o corredor exatamente, mas tinha certeza que tinha muita gente, o barulho de macas e pessoas andando de um lado para o outro era constante.

Tentei chamar alguém. Andei pelo corredor, olhando os quartos. Todos vazios. O que estava acontecendo afinal. Fui até a janela, o sol brilhava forte e a brisa agitava as folhas das árvores. Olhei com atenção todos os cantos. Não havia ninguém. Nem carros, nem crianças, nem cachorros, nem aves. Nenhum ser. O desespero começou a tomar conta de mim e andei o mais rápido que pude até a recepção. Havia papéis sobre a mesa, café quente na cafeteira e pão para as visitas, mas não havia ninguém.  Sentei nas cadeiras de espera. Apoiei os cotovelos sobre os joelhos e minha cabeça foi de encontro as minhas mãos. Agora o choro era de agonia. A alegria do retorno estava totalmente desfeita com aquela confusão. Onde estaria todo mundo? O que estava acontecendo?

– Acalme-se.  – Uma voz me veio à cabeça, então olhei rapidamente ao redor procurando quem poderia estar falando. Tentei chamar, mas eu ainda não sabia falar.

– Acalme-se – disse a voz novamente. Eu juro que estava tentando, mas a ideia de que ninguém estava falando comigo era assustadora.

– Veja bem, eu também não consigo falar. Apenas em sua mente. Você pode fazer o mesmo, respondendo em pensamentos. Agora se acalme.

Eu estava gelado. Um leve arrepio tomou minha coluna. Quando me dei conta havia alguém sentado ao meu lado. Uma figura peculiar, toda de branco, com uma bengala. Sua pele era branca como a roupa, e os olhos completamente negros. Olhava para mim como se pudesse ver a minha alma.

– Onde está todo mundo? – pensei. Eis que a voz em minha cabeça respondeu:

– No mesmo lugar de sempre.

– Como assim? Já andei esse hospital todo e não achei ninguém.

– Elas estão ai. Você que não consegue ver.

– E por que eu não consigo?

– Por que você está quase morrendo…

 

/juhliana_lopes 14-01-2013

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