Revólver

Ouça bem. Preste atenção, pois cada palavra deve ficar guardada em sua mente. Você apareceu em minha vida e por culpa de um maldito cupido ficamos juntos. Eu te amava de verdade e estava sendo capaz de abandonar tudo por você. Mas você queria mais, como todo ser humano, você tinha que querer mais e como se não bastasse, tinha que ser curioso a ponto de investigar a minha vida profundamente.
Se a curiosidade mata? Talvez.
Hoje de manhã, você entrou como um furacão e derrubou sobre mim milhares de palavras e acusações. Sem qualquer chance de defesa, você me amarrou em uma cadeira e me esqueceu por quase seis horas. Você tem noção do que são seis horas amarrada no escuro?
Quando você voltou, o cheiro forte de álcool invadiu a sala, meus olhos ardiam com a claridade e mal percebi sua mão se aproximando do meu rosto. Você me espancou, usou toda a sua força, até me ver cuspir sangue. Cada soco era um pouco de minha alma que se extraia. Quando você percebeu que eu já não tinha forças pra gritar, me desamarrou e me jogou no chão. Apenas tive tempo de ver seus olhos brilhando, ao pegar um taco e bater nas minhas costas. Não reagi. Não ajudou muito, pois você começou a bater mais forte, para ver se ouvia ao menos um gemido.
Quando seu braço cansou você largou o taco, foi até aquela maldita mesa, pegou o revólver e apontou para mim. Você me olhava com chamas nos olhos, me xingava e falava tudo que tinha vontade. Só ai soube o motivo pra tudo isso.
Levantei e fui a sua direção. Você precisava ver sua cara de bobo, como se não acreditasse no que seus olhos estavam vendo. Só te digo uma coisa: se é pra fazer, vamos fazer direito. Você é tão inútil que mesmo eu, estando toda arrebentada consegui tomar o revólver de você e te derrubar. Se bem que no estado alcóolico que você se encontra, não é difícil.
Agora, você esta ai, largado no chão, com a arma delicadamente apontada para sua testa. É difícil acreditar que você fez tudo isso por causa de alguns detalhes…
E daí se te disseram que eu matei dez pessoas inocentes? Vai acreditar em boatos? Devia ao menos ter me perguntado, pois eu responderia com prazer que na verdade foram 20, considerando uns caras de fora do país. Sem falar do seu amigo, que eu só soube que era seu amigo, depois que nos conhecemos. Ainda sim é um motivo muito fraco pra você ter feito o que fez.
Se fosse só pela surra e pela solidão, eu até deixava pra lá. Mas você cometeu apenas um erro.
Você cometeu o erro de apontar uma arma para alguém sem a intenção de matar. No seu caso até tinha intenção, mas faltou coragem pelo visto.
Você não tem coragem de puxar o gatilho meu bem? Desculpe. Mas eu tenho.

11-10-2012 /juhliana_lopes

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s