Escolhas

Mamãe me ensinou que não era para eu me misturar com os “menininhos maus” da escola, que eu deveria ser um dos melhores alunos da sala, para eu ser alguém na vida.
Ano após ano, eu era um dos primeiros da classe, mamãe ficava orgulhosa e eu muito feliz.
Mas o tempo foi passado e com dez anos, surgiu o meu “primeiro amor”, uma garota linda, loira dos olhos azuis; a garota mais bela desse mundo, mas ela não falava comigo e era de minha classe.
Certo dia, tomei coragem e fui de encontro a ela, eu estava com muita vergonha pois tinha algumas amigas dela lá, mas fui e lhe disse que eu à achava muito bonita e que gostava muito dela. Entreguei a famosa “cartinha de amor”, porém ela simplesmente rasgou na minha frente e me disse, “você acha mesmo que eu vou querer algo com um ‘Nerd’ como você se enxerga criança !”.
Aquilo me deixou arrasado e sem rumo. Era meu primeiro amor, e isso me machucou muito, mas não pensei “ah é só a primeira“, eu estava determinado a ficar com ela. Passei a observa-la, a ver o tipo de garotos que ela saia, e me surpreendi pois ela saia com os “menininhos maus”.
Por que? Mamãe sempre disse que eles não terão um futuro agindo daquele jeito! Não fazia sentido para mim.
Eu estava decidido a ficar com ela e faria qualquer coisa, então comecei a andar com os garotos maus, a me vestir e agir como eles e logo as garotas começaram a olhar diferente para mim.
Passou-se um ano e eu já era um péssimo aluno mas, e daí? As garotas gostavam de mim e era o que importava.
Com meus 11 anos dei meu primeiro beijo, mas no fundo eu achei estranho pois, eu não conhecia a garota, meus amigos arranjaram para mim e eu nunca mais a vi, eu pensava que a garota que eu beijaria seria minha namorada, mas meus colegas falaram que isso era besteira.
Com 15 anos, eu já era um completo “largado”. Havia apanhado muito de meus pais por causa de meu novo comportamento e eu já não os respeitava mais. A galera que eu andava era “barra pesada” e por isso naquele ano, conheci a maconha. Naquele momento eu tremi, recusei e recusei, eu achava que usar drogas já era demais, porém, não resistindo fui pela influencia do pessoal, que dizia que era normal, e todos estavam usando, então porque eu também não deveria usar?
E assim começou, foi maconha, cocaína e todo tipo de droga, até chegar ao Crack. Aquilo me detonou completamentee aos 18 anos, minha face já não era mesma; eu tinha constantes alucinações e meus pais logo descobriram que eu era um “viciado”. Tentaram me mandar para uma clínica de reabilitação, mas eu disse que eu os mataria se tentassem fazer isso, e eles duvidaram…
Eu precisava de dinheiro para sustentar meu vício, que agora não era só as drogas, mas também as bebidas, apenas mais um passatempo.
Eu roubava os bens de casa, e as vezes o dinheiro de meu pais; cheguei a bater em minha mãe pois, um dia ela me trancou em casa para eu não ir comprar drogas.
Meu pai ficou furioso e chegou em casa com 4 homens para me levar a clínica, mas eles não sabiam que eu havia arranjado uma arma. Corri para meu quarto, peguei o revolver e quando eles se aproximaram, disparei em todos, inclusive em meus pais. Eu avisei a eles…
Tive que fugir pois, havia me transformado em um assassino, minha casa era a rua.
Morei na rua até meus 21 anos; vivia de pequenos furtos, e sempre estava em um lugar diferente pois, eu não podia ser reconhecido.
Com 22 anos fui morar na famosa Cracolândia, por convite de uns caras, foi o começo do fim…
Vivia trabalhando para máfia, e em um dia, em um assalto a um banco, fui baleado. “Meus amigos” me deixaram para trás, para ser preso…
Aonde foi que eu fui parar, por que eu fiz isso? As pessoas diziam que eu seria alguém “grande” e agora sou um bandido; tudo isso para ser o cara maneiro que as garotas tanto gostavam, para ser o maioral da escola…
Agora estou preso, na solitária e minhas alucinações pioraram, não tenho mais minhas drogas e eu não aguento mais.
Essas são minhas últimas palavras, pois não aguento viver assim, me lembrando de todas as coisas que já fiz. Você que está lendo está carta, tome cuidado com suas escolhas, pois elas que farão o caminho para o seu destino.

/Eric Oliveira 19-10-2012

E ai gente, tudo bem? aqui é a /juhliana_lopes, e eu to trazendo esse texto que é do meu maninho Eric pra vocês, confiram ai e digam o que acharam??

E mais, em breve mais textos pra você e um novo projeto a caminho! (SUSPENSE) kkkkk

Quem quiser add o Eric, é só ir no face dele: Eric Oliveira

beijos gente, espero que gostem, assim como eu gostei!

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Revólver

Ouça bem. Preste atenção, pois cada palavra deve ficar guardada em sua mente. Você apareceu em minha vida e por culpa de um maldito cupido ficamos juntos. Eu te amava de verdade e estava sendo capaz de abandonar tudo por você. Mas você queria mais, como todo ser humano, você tinha que querer mais e como se não bastasse, tinha que ser curioso a ponto de investigar a minha vida profundamente.
Se a curiosidade mata? Talvez.
Hoje de manhã, você entrou como um furacão e derrubou sobre mim milhares de palavras e acusações. Sem qualquer chance de defesa, você me amarrou em uma cadeira e me esqueceu por quase seis horas. Você tem noção do que são seis horas amarrada no escuro?
Quando você voltou, o cheiro forte de álcool invadiu a sala, meus olhos ardiam com a claridade e mal percebi sua mão se aproximando do meu rosto. Você me espancou, usou toda a sua força, até me ver cuspir sangue. Cada soco era um pouco de minha alma que se extraia. Quando você percebeu que eu já não tinha forças pra gritar, me desamarrou e me jogou no chão. Apenas tive tempo de ver seus olhos brilhando, ao pegar um taco e bater nas minhas costas. Não reagi. Não ajudou muito, pois você começou a bater mais forte, para ver se ouvia ao menos um gemido.
Quando seu braço cansou você largou o taco, foi até aquela maldita mesa, pegou o revólver e apontou para mim. Você me olhava com chamas nos olhos, me xingava e falava tudo que tinha vontade. Só ai soube o motivo pra tudo isso.
Levantei e fui a sua direção. Você precisava ver sua cara de bobo, como se não acreditasse no que seus olhos estavam vendo. Só te digo uma coisa: se é pra fazer, vamos fazer direito. Você é tão inútil que mesmo eu, estando toda arrebentada consegui tomar o revólver de você e te derrubar. Se bem que no estado alcóolico que você se encontra, não é difícil.
Agora, você esta ai, largado no chão, com a arma delicadamente apontada para sua testa. É difícil acreditar que você fez tudo isso por causa de alguns detalhes…
E daí se te disseram que eu matei dez pessoas inocentes? Vai acreditar em boatos? Devia ao menos ter me perguntado, pois eu responderia com prazer que na verdade foram 20, considerando uns caras de fora do país. Sem falar do seu amigo, que eu só soube que era seu amigo, depois que nos conhecemos. Ainda sim é um motivo muito fraco pra você ter feito o que fez.
Se fosse só pela surra e pela solidão, eu até deixava pra lá. Mas você cometeu apenas um erro.
Você cometeu o erro de apontar uma arma para alguém sem a intenção de matar. No seu caso até tinha intenção, mas faltou coragem pelo visto.
Você não tem coragem de puxar o gatilho meu bem? Desculpe. Mas eu tenho.

11-10-2012 /juhliana_lopes

O amor de Dona Morte

Dona Morte é uma linda moça, que como toda mulher moderna tem um duro trabalho: levar as almas para o descanso eterno. Todo dia era a mesma coisa; ficava sentadinha em sua sala apenas esperando o chamado para buscar um novo amigo. Como não tinha tempo nem pra comer, nunca saía da boa forma, e seus olhos completamente negros chamavam muito a atenção.
Sem tempo pra si, Dona Morte nunca saiu com os amigos e nunca havia se apaixonado. Porém, um dia, em mais um chamado para buscar um velho moribundo, Dona Morte viu um rapaz tão belo quanto o dia mais lindo e com olhos cor de mel que ficavam em um tom dourado a luz do sol. No mesmo instante, o lugar oco, onde devia estar seu coração se encheu de alegria e Dona Morte sempre dava um jeito de vê-lo.
Mas como em todo amor, havia um problema… Como Dona Morte poderia declarar o seu amor? É claro que ele poderia enxergá-la, se assim ela quisesse, mas e o abraço? E o beijo? Se ela tocasse em um só fio de cabelo do seu amado, ele estaria condenado à terra dos eternos.
Pobre Dona Morte… Mal conseguia se concentrar em seu trabalho. Muitas pessoas não morreram, por mera distração e outras que nem estavam marcadas, foram chamadas.
Porém, Dona Morte fez uma descoberta que mudaria o rumo de tudo. Em uma de suas visitas, ela descobriu que seu amado era poeta e todos os seus poemas e poesias, mostravam de maneira melancólica o lado mais belo da morte. Um apaixonado que já sentia a presença de sua amada, mesmo sem nunca enxergar. Dona Morte tomou coragem, e em uma noite fria e lua linda, resolveu se mostrar. O susto não podia deixar de ser a primeira reação, mas logo o rosto de seu amado correspondia a admiração que ela tinha por ele. O poeta apaixonado tentou tocá-la, abraçá-la, mas ela não permitiu. Sabia que ainda não era a hora e faria de tudo para protegê-lo. Prometeu então, que iriam ficar juntos, quando chegasse a sua hora.
O poeta dos olhos de mel então esperou, pacientemente, mas o tempo que não tem pena dos apaixonados demorava a passar. Numa tentativa de acelerar as coisas e ir logo de encontro a sua amada, parou de comer, não tomava remédios, ficava quase nu no frio e no vento e tecia mil poemas para sua musa.
Eis que chegou o grande dia e agonizando em uma cama, cuspindo sangue, escrevia seu último poema, até que a caneta escorregou de sua mão e sentiu um toque leve e frio em sua testa. Ao levantar a cabeça, viu sua amada, linda com os olhos negros, pedindo sua mão, para ajudá-lo a levantar. Ele agora estava leve e pode abraçar sua dama e com um beijo frio, porém intenso selaram a sua paixão.
Sua alma não foi para o descanso, ficou ao lado de seu amor, tecendo versos e ajudando as outras almas perdidas, a encontrarem uma direção. O seu último poema, manchado com sangue, dizia assim:
Eu sinto cada parte do meu corpo,
Em desespero pedir socorro.
Consigo sentir meu pulmão sangrando,
Sinto meu coração parando,
Sinto meus olhos fechando.

De tudo me chamaram
Desde que acreditei em sua promessa
Louco e inconsequente…
Posso ter sido tudo isso,
Mas se fiz foi por um amor doente.

Minha dama, musa da minha inspiração,
É tão bela quanto à lua,
E seus olhos negros me lembram a noite mais escura,
Seu sorriso frio, trás paz ao meu coração.

Sinto você cada vez mais presente,
Agora vamos viver o amor que merecemos,
Amor este que para se viver
Por ironia do destino, é preciso morrer…

Agora posso dizer…
(…)

04-10-2012 /juhliana_lopes