Mais uma página do diário

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Confesso agora uma nova sensação.

É certo que jamais imaginei que faria tal ato mas, a verdade, é que nada foi tão realizador como o que eu acabei de fazer.

Impulsionado pela raiva, minhas mãos foram de encontro ao seu pescoço, apertando como se não houvesse fim. Senti sua respiração ofegante e o pulsar de suas veias. Mantive a pressão, como se o tempo tivesse parado. Seus movimentos de resistência aos poucos foram ficando fracos, já não havia respiração e sua pulsação estava fraca.

Minhas mãos soltaram e então, pude ver as marcas. Seu corpo foi de encontro ao chão, mas ainda não estava morto.

Minha visão estava turva, meu coração acelerado e aos poucos meu corpo era entorpecido por uma sensação de prazer e medo mas, ainda não era o bastante.

Peguei então a faca que estava em sua mão. Foram apenas alguns segundos que pareceram horas. Aos poucos o seu sangue se espalhava, pitando o chão de vermelho. A cada corte, era um êxtase. Depois de toda euforia do momento, me dei conta de tudo a minha volta.

Novamente meu coração estava disparado, mas agora era apenas medo.

Peguei a faca novamente e corri como nunca imaginei. Havia um lago perto e agora a faca está lá no fundo.

Fui em direção ao ponto de ônibus como se nada tivesse acontecido mas, apesar de meus esforços, eu ainda estava muito atordoado. As pessoas me olhavam torto, de certo pensando: “É mais um drogado”. Era melhor que acreditassem nisso.

Ao chegar em casa, subi direto para o meu quarto. Minhas pernas tremiam, minha mente estava a mil. De certo que eu não dormiria por meios normais, como toda noite. Era preciso dormir, para poder voltar a pensar novamente. Então comecei o meu ritual para dormir: Algumas doses de bebidas (várias, todas misturadas) e depois de exatos 30 minutos, tranquilizantes e remédios anestésicos.

Minha mente aos poucos foi se desligando e agora eu não sentia mais as pernas. Acho que posso dizer: “Bons sonhos para mim”.

 

 

17-09-2012 /juhliana_lopes

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